Terra Magazine

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Em cartas, Hildebrando Pascoal ameaça de morte desembargadora, senador e procurador de Justiça

Altino Machado às 7:30 am
"Cartas de um desesperado"

Ex-deputado escreveu "cartas de um desesperado", diz procurador

O ex-deputado Hildebrando Pascoal, também conhecido como o “homem da motosserra”, voltou a causar medo no Acre ao enviar três cartas, manuscritas em frente e verso, em que ameaça de morte, entre outros, a desembargadora Eva Evangelista, o procurador-geral de Justiça, Sammy Lopes, o senador Jorge Viana (PT-AC), além de um empresário da área de comunicação.

As cartas foram enviadas via Sedex a partir do presídio de segurança máxima Antonio Amaro, em Rio Branco (AC), onde o ex-coronel da Polícia Militar do Acre cumpre penas que somam mais de 130 anos de prisão por três homicídios, tráfico internacional de drogas, formação de quadrilha, crimes eleitorais e financeiros.

O conteúdo das três cartas é considerado tão grave que a desembargadora, o procurador e o presidente do Tribunal de Justiça, Adair Longuini, se reuniram na tarde desta segunda-feira (29) e decidiram tratar o caso como sigiloso em novo processo contra o missivista por causa das ameaças.

Leia mais:

Hildebrando: “A vida é uma dádiva divina”

Hildebrando sofre injustiça no Acre, diz defensor público

A procuradora de Justiça Vanda Denir Milani Nogueira, cunhada do ex-deputado, também participou da reunião. Pascoal também a ameaça de retaliação porque se considera abandonado pela procuradora.

- São cartas de um desesperado que se acha injustiçado e que se declara preso político. O desespero dele aumentou após ser expulso da Polícia Militar do Acre e perder o soldo de coronel - afirmou o procurador.

Sammy Lopes disse que o Ministério Público do Estado (MPE) e a Justiça do Acre não vão se intimidar com as ameaças do “homem da motosserra”.

- Quando ele pleitear benefício da progressão da pena do regime fechado para o semi-aberto, as cartas que escreveu de próprio punho serão usadas pelo Ministério Público para justificar um pedido para que a Justiça determine a permanência dele na cadeia - acrescentou o procurador.

Pascoal, que está preso há 12 anos, em setembro finalmente foi demitido ex officio do quadro da Polícia Militar pelo governador Tião Viana (PT), a partir de uma representação movida pelo MPE.

A desembargadora Eva Evangelista foi a relatora do processo em que a Justiça declarou Pascoal “policial militar indigno para o oficialato”, determinando a perda do posto e da patente, demissão ex officio, sem direito a remuneração ou indenização.

A expulsão aconteceu após transitar em julgado recurso extraordinário interposto pela defesa do ex-deputado junto ao Supremo Tribunal Federal.

A Assessoria Jurídica da Polícia Militar e a Procuradoria-Geral do Estado se manifestaram pelo cumprimento dos procedimentos administrativos necessários aos mandamentos da decisão da Justiça.

Assim como fez há dois anos, quando foi julgado e condenado por ter sequestrado, torturado e assassinado um mecânico com uso de uma motosserra e revólver, Pascoal voltou a se declarar nas cartas como sendo um preso político. Ele também chega a afirmar que conquistou “com muita honra” o soldo, que varia de R$ 8 mil a R$ 9 mil no Estado.

O advogado do “homem da motosserra” já moveu na Justiça uma ação para tentar reaver o que considera um direito trabalhista, enquanto o Judiciário e o MPE adotam as providências necessárias para dar garantias de vida aos seus integrantes que estão sob ameaça.

Blogs que citam este Post

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Marina: “Perdemos, mas Dilma tem respaldo para vetar Código Florestal”

Altino Machado às 12:46 pm
Marina Silva

Marina Silva considera "muito dolorido" o que fizeram com Jorge Viana

A ex-ministra Marina Silva ainda não se considera contemplada nem derrotada em relação ao novo Código Florestal Brasileiro cujo relatório do senador Jorge Viana (PT-AC) foi aprovado na semana passada.

Em entrevista exclusiva ao Blog da Amazônia, em Rio Branco (AC), onde nasceu e passou o fim de semana, Marina sustenta que o relatório de Viana mantém anistia para desmatadores, reduz a proteção das áreas de preservação permanente e amplia o desmatamento no País.

Inês é morta?

- Não. Ainda teremos a discussão em plenário, no Senado, e depois vai pra Câmara, quando mais uma vez será feito o bom combate. E ainda resta o pedido de veto à presidente Dilma.

Marina lembra que Dilma Rousseff, no segundo turno da eleição presidencial, se comprometeu  em vetar qualquer projeto que significasse aumento de desmatamento e anistia para desmatadores.

- A presidente Dilma respondeu de próprio punho que vetaria. Ela se comprometeu com os brasileiros e brasileiras e não apenas com os quase 20 milhões que votaram em mim. Na ocasião, falei que Dilma se comprometeu mais e Serra menos.

Antes da possibilidade de liderar campanha em defesa do veto, a ex-senadora torce para que a presidente receba o Comitê em Defesa da Floresta e do Desenvolvimento Sustentável, composto pela CNBB, OAB, ABI e o Movimento SOS Florestas, que congrega mais de 400 organizações. O comitê já pediu audiência com a presidente.

- Espero que possa ser recebido, talvez no dia 22 de dezembro, em homenagem à memória do Chico Mendes.

A disputa em torno do novo Código Florestal serviu para distanciar ainda mais Marina Silva e Jorge Viana, que começaram na política junto com o seringueiro Chico Mendes, e lideravam no Acre uma coligação partidária que já caminha para 16 anos de governos consecutivos do PT no Estado.

Em decorrência da cobrança de compromissos do passado, Viana declarou, após obter aprovação do relatório, que Marina é sua amiga e irmã, mas que a aprovação do Código Floresta é mais um passo para deixá-la sem discurso.

- Ora, se o problema fosse ter discurso, eu não precisava ter saído do PT nem do PV. Discurso é o que não falta aos partidos. Se perguntar ao PSDB, ao DEM, ao PMDB, se são a favor das florestas e do desenvolvimento sustentável, todos vão dizer que sim. Não estou preocupada em ter um discurso, muito menos em ser unanimidade, só não quero fantasiar a verdade. Não posso fingir que estou contente ao ver o Jorge recusar as nossas emendas e acolher a emenda do Luiz Henrique, que promove a anistia ao desmatamento.

Veja os melhores trechos da entrevista:

BLOG DA AMAZÔNIA - A jaguatirica Marina voltou ao Acre para lamber as feridas após a aprovação do relatório do Código Florestal?
MARINA SILVA -
A metáfora da jaguatirica talvez não se aplique agora. A minha vinda já estava marcada há muito tempo, pra visitar minhas irmãs e fazer o culto de ação de graças com meu pai. Mas a gente necessita desses momentos de recolhimento, pra se reconectar com as raízes, revisitar compromissos, rever a nossa história. É uma feliz coincidência estar no Acre no momento dessa derrota na questão do Código Florestal, derrota parcial, pois o jogo ainda não terminou.

Que história é essa que você tem falado de “nova política”? Como é que isso está chegando no Acre?
A política está em crise no mundo inteiro, no Acre também. Há um descolamento, de grande parte da sociedade, com relação ao núcleo que representa o status quo, o establischment, que já não corresponde às expectativas de mudança, principalmente da juventude. Nós vemos isso na primavera árabe, nas praças da Espanha, na luta pela educação no Chile e nos protestos contra corrupção no Brasil. Esses movimentos estão dizendo que existe outra agenda de prioridades, que não querem mais ser espectadores da política, mas protagonistas. Isso é o que eu chamo de democracia prospectiva. Antes, quem prospectava aplicativos para a democracia eram os partidos, os governos e as corporações, depois os acadêmicos, os sindicatos e as ONGs. Agora, com as redes sociais da internet, são bilhões de pessoas prospectando novos aplicativos para a democracia. Pode demorar 20 ou 30 anos, mas nós vamos ter uma nova qualidade para a política, seus processos e estruturas.

No Acre não é diferente. O que a gente precisa é se desindentificar dessa política estagnada. Quem está identificado com ela não tem a percepção de que ela envelheceu. O que caracteriza a política velha é quando você fica apenas administrando o sucesso, quando você não se arrisca mais a perder, quando não diz mais algo que não foi dito antes. Durante muito tempo a gente foi uma palavra nova no movimento de esquerda, mas agora tudo virou projeto de poder pelo poder.

É o que se chama de governabilidade?
Essa coisa de governabilidade, do jeito que está sendo feita, eu chamo de projeto de poder pelo poder. A governabilidade correta, no Brasil, seria juntar os melhores do PT, do PSDB, do PMDB, dos partidos de esquerda, e criar um compromisso com o país. O Fernando Henrique diz que a disputa entre PT e PSDB é para ver quem vai liderar o atraso. Tem gente que acha que não dá pra fazer política sem um discurso claro de oposição. Quem foi que disse que o Brasil necessita de discurso claro de oposição? O Brasil está precisando é que todos tenhamos posições claras. O discurso de oposição é a disputa rinhenta do poder. Não importa o que a Dilma faça, vai estar sempre errada, a oposição vai desconstruir para ganhar o poder. De outro lado, quem é governista, não importa o que Dilma faça, vai estar sempre certa. Quem é situação mostra sempre colorido o que está cinzento, para permanecer no poder. Ter posições claras significa reconhecer os avanços e corrigir as deficiências. Foi bom a presidente Dilma ter se afastado do Ahmadinejad, foi bom dizer que vai manter os compromissos na agenda social e chamar pessoas como Ricardo Paes de Barros para pensar políticas de terceira geração. É bom ela tentar atravessar a crise econômica sem perder os ganhos que o Brasil alcançou. Mas não pode ser apenas pelo viés do consumo, sem incluir, nos incentivos que está dando para salvar a economia, ganhos para a agenda do desenvolvimento sustentado. Defender isso é ter posição.

Você diz que vem ao Acre e se reconecta com o planeta, mas o que dizem é que você  não tem bases no Acre e que até  perdeu a eleição aqui. Cadê a sua base no Acre?
É engraçado que as pessoas jogam na minha cara que perdi as eleições no Acre. Mas eu sinto que ganhei. Fico imaginando toda a força política que se blocou em torno do Serra e da Dilma. Quem fazia a minha campanha? Minha votação foi muito próxima da presidente Dilma e em Rio Branco, maior colégio eleitoral do Acre, fiquei com 35% dos votos. Me sinto inteiramente vitoriosa. Que votou em mim, votou num projeto, não porque foi mandado ou porque obteria alguma vantagem.

Você tem novas bases no Acre?
Eu não gosto dessa coisa de ter bases. O eleitor é livre, não pode ser apropriado. Ninguém pode dizer que tem 40 ou 50 mil pessoas e que elas são a sua base. Esse é o discurso da velha política, do curral eleitoral. Eu me sinto parte de um processo político em que as pessoas livremente se identificam com aquilo que eu penso ou estou protaganizando. Com isso, a gente forma uma base de sustentação para uma visão de mundo e para um projeto político que nunca vai estar pronto e acabado.

Mas isso existe no Acre?
Eu diria que aqui já existe uma crítica ao conceito petrificado de base. Ainda que as pessoas não transformem essa crítica em palavras, em teoria, elas simplesmente se rebelam e dizem: “nós podemos votar contra vocês”. Cada vez mais, no mundo inteiro, as pessoas estão saindo do papel de espectadores da política. Na eleição passada, diziam que ia ser um embate, Dilma e Serra, um plebiscito. No Acre se repetiu a mesma coisa: o azul contra o vermelho. Mas no Brasil teve segundo turno. E no Acre, o revés eleitoral da Frente Popular no Acre é algo para a gente aprender. Penso que agi corretamente ao apoiar a candidatura do governador Tião Viana e demais companheiros, mesmo não sendo apoiada por eles. Eu sabia que eles tinham seus compromissos, tinham mesmo que apoiar a candidata do seu partido. Mas nos foi dado um recado muito forte. O interessante nos recados que são dados pela sociedade é que primeiro vem na forma de um sussurro, que foi aquele desconforto das eleições passadas, quando a gente já não tinha aquela militância aguerrida. As pessoas portavam as bandeiras, mas parecia que tinham um certo fastio. Dessa vez, o recado veio como um grito, não mais um sussurro. Eu estava em São Paulo, comemorando aquilo que chamei de “perder ganhando”, quando um assessor se aproximou para avisar que eu estava com a cara muito sisuda. Mas é que o Fábio, meu marido, havia me avisado que a coisa estava feia no Acre, que a diferença estava muito pequena, e que a gente estava correndo o risco de perder a disputa pelo governo. Eu estava  celebrando nossos 20 milhões de votos e ao mesmo tempo sofrendo com a possibilidade real da gente perder no Acre. Na eleição do ex-governador Binho Marques ouvimos o sussurro, na eleição passada ouvimos o grito. Na próxima a gente pode levar um empurrão, se a gente não aprender com o grito.

Está cada dia mais evidente a diferença de estilos políticos entre você e o senador Jorge Viana. O relatório do Código Florestal significa uma ruptura?
Ruptura é uma palavra muito forte. Há uma divergência explícita na questão do Código Florestal. Ele disse que é um amigo, um irmão. Obviamente, o que as pessoas têm que considerar é que os velhos amigos não são exclusivos. Sempre vão aparecer novos amigos. A diferença é que as novas amizades são leves, não tem o peso do compromisso que a convivência aporta para as relações. Os velhos amigos às vezes são incômodos, ficam sempre lembrando dos velhos compromissos. Mas tem uma coisa: os amigos formados sem o laço da convivência podem até ser mais leves, mas no futuro podem se revelar como amizades apenas de conveniência. É claro que os novos amigos iriam cair em cima de qualquer um que fosse o relator do Código Florestal. Esses estão se sentindo vitoriosos, pessoas como Mozarildo Cavalcante e Kátia Abreu. A velha amiga não, pois o relatório mantém anistia para desmatadores, aumenta o desmatamento e reduz a proteção das áreas de proteção permanente, ou seja, o movimento socioambientalista não está contemplado. Eu estou com o movimento socioambientalista,não posso fazer cara de contente e ficar sorrindo na foto junto com os vencedores.

Mas o movimento obteve conquistas também. Você não poderia ter participado desse momento considerado de consenso?
Houve uma melhoria em aspectos periféricos, mas a anistia para os desmatadores está mantida. E não é verdadeiro um consenso quando só há avanços para o agronegócio. Teria que ser um consenso com avanços para a proteção das florestas, para a biodiversidade, para as populações tradicionais, para o desenvolvimento sustentável e também para o agronegócio, é claro. Teria que ser um consenso que nos leve ao caminho de cima e não ao caminho de baixo. Por cima está o aumento da produção por ganho de produtividade, investir em tecnologia e em inovação, recuperar áreas degradadas. O caminho de baixo é retroceder na legislação ambiental, na legislação trabalhista, e ainda usar todos os mecanismos para dizer que esse retrocesso é um avanço. O Código Florestal está sendo transformado em um Código Agrário.

Como se chegou a esse resultado, no Congresso?
O governo e sua base repetiram no Senado o mesmo erro da Câmara. Ou a mesma estratégia, pode não ter sido erro. Na Câmara, concentrou poder em um único relator, o deputado Aldo Rebelo, que fez um péssimo texto dando todas as facilidades ao desmatamento. No Senado, concentrou superpoderes no senador Luiz Henrique. Ele era governador quando dezenas de vidas foram ceifadas pelas enchentes em Santa Catarina, logo em seguida propôs uma lei estadual para remover as poucas florestas que são o único anteparo para situações de catástrofes como aquela.

Você esperava que fosse diferente?
Eu imaginava que fosse haver ao menos uma desconcentração de poder, mas ele foi o relator em três comissões. Na Comissão de Ciência e Tecnologia eu achava que iria ser o senador Eduardo Braga. E, óbvio, na Comissão de Meio Ambiente, tínhamos o Jorge Viana. Assim estaríamos com algo mais equilibrado. Mas deram para o Luiz Henrique três comissões e uma blindagem maior do que haviam dado para o Aldo Rebelo. Não deixaram ninguém apresentar emendas nessas comissões, deixaram tudo para a de Meio Ambiente. Aí chegamos na votação do relatório do senador Jorge Viana em apenas dois dias. Foi apresentado na segunda-feira e votado na quarta-feira. O relatório que se dizia que era o grande consenso, recebeu 201 emendas, as que não foram permitidas nas comissões anteriores. Que consenso é esse bombardeado por 201 emendas?

E o que fez o senador Luiz Henrique?
Apressou o andamento do projeto, como queriam os ruralistas.  E chegou ao ponto de não colocar a emenda da anistia aos desmatadores no seu próprio relatório, deixou para apresentar na comissão do Jorge Viana. Não teve nem a elegância de dizer: “Olha, isso aqui é algo que fere muito os princípios do Jorge, do movimento do qual ele faz parte, então vou botar no meu texto”. Ele deixou para colocar como emenda no texto do colega. Para mim isso foi muito dolorido. Eu dizia para o movimento o tempo todo que não era uma boa estratégia deixar tudo em cima do Jorge Viana, que nós tínhamos que fazer o bom combate em cada uma das comissões.

O senador Jorge Viana diz que não tem anistia para desmatadores.
Mas tem anistia, estímulo a novos desmatamentos e redução da reserva legal. O Código antigo previa multa para quem desmatasse áreas de proteção, e obrigação de reflorestar com espécies nativas. O texto aprovado na Câmara promovia anistia total: quem desmatou, não precisava pagar multa nem reflorestar a área. O texto do Senado diz que tem que reflorestar só uma pequena parte, pode fazer isso plantando espécies exóticas de valor comercial e ainda vai receber financiamento do governo pra isso. É mais do que anistia, é um prêmio para quem cometeu crime contra o meio ambiente.

Vale o dito popular Inês é morta?
Não. Ainda teremos a discussão em plenário, no Senado, e depois vai pra Câmara, quando mais uma vez será feito o bom combate. E ainda resta o pedido de veto à presidente Dilma.

Você acredita mesmo nessa possibilidade?
No segundo turno das eleições, Dilma se comprometeu em vetar qualquer projeto que significasse aumento de desmatamento e anistia para desmatadores. Naquela ocasião, o governador Serra disse apenas que analisaria o assunto com carinho e atenção e respondeu através do presidente do PSDB, Sérgio Guerra. A presidente Dilma respondeu de próprio punho que vetaria. Ela se comprometeu com os brasileiros e brasileiros e não apenas com os quase 20 milhões que votaram em mim. Na ocasião, falei que Dilma se comprometeu mais e Serra menos. Tenho insistido nisso porque foi com isso que ela se comprometeu publicamente no segundo turno eleitoral. Se essas questões tivessem sido contempladas, obviamente a gente teria alcançado o consenso. Quando voltei a estar com ela, com o fórum de ex-ministros, expus essa questão. Dilma mais uma vez, e isso está nos jornais, disse que compromissos são para ser assumidos, avaliados, e, se corretos, mantidos. Disse que avaliava que o compromisso que havia assumido era correto. Para mim e os brasileiros, o compromisso dela está mantido. Junto com o movimento socioambientalista, fiz todos os esforços para resolvermos o problema no Congresso, para não criar uma situação em que ou ela se indispõe com o Congresso ou se indispõe com a sociedade. Estou com a consciência tranquila porque não fiz a política do quanto pior melhor.

Antes da campanha do veto você pretende dialogar diretamente com a presidente Dilma?
Não tem que ser uma coisa entre eu e a Dilma. Existe o Comitê em Defesa da Floresta e do Desenvolvimento Sustentável, composto pela CNBB, OAB, ABI e o Movimento SOS Florestas, que congrega mais de 400 organizações. Esse comitê já pediu há algum tempo uma audiência com a presidente Dilma, mas até agora não foi recebido. Espero que possa ser recebido, talvez no dia 22 de dezembro, em homenagem à memória do Chico Mendes.

Você falou tanto e o Jorge Viana disse que você  perdeu o discurso. O que acha?
Ora, se o problema fosse ter discurso, eu não precisava ter saído do PT nem do PV. Discurso é o que não falta aos partidos.  Se perguntar ao PSDB, ao DEM, ao PMDB, se são a favor das florestas e do desenvolvimento sustentável, todos vão dizer que sim. Todos eles são favoráveis, no discurso. O problema é traduzir isso na prática.

Eu aprendi com pessoas como Chico Mendes, Martin Luther King e Nelson Mandela, que existem homens e mulheres tão verdadeiramente comprometidos com as causas que são capazes de fazer coisas para as quais sequer tem palavras, quanto mais um discurso para exibir. Chico Mendes defendeu a floresta amazônica, enfrentou os desmatadores que estão aí pedindo permissividades legais para continuar desmatando. No começo, ele nem sabia que estava fazendo defesa da ecologia, do desenvolvimento sustentável ou do socioambientalismo. Não tinha palavras, não tinha um discurso, mas tinha uma práxis e um compromisso verdadeiro, a ponto de entregar sua própria vida.

Não estou preocupada em ter um discurso, muito menos em ser unanimidade, só não quero fantasiar a verdade. Não posso fingir que estou contente ao ver o Jorge recusar as nossas emendas e acolher a emenda do Luiz Henrique, que promove a anistia ao desmatamento. Como amiga e irmã, gostaria que ele estivesse com o movimento socioambioentalista, reconhecendo que fomos derrotados nessa etapa e se preparando para continuar a luta para alcançar um consenso verdadeiro, um entendimento não apenas entre facções mas um verdadeiro encontro do Brasil com sua Natureza e com seu futuro.

Fotos: Altino Machado/Terra Magazine

Blogs que citam este Post

domingo, 27 de novembro de 2011

O agrobanditismo: a hora da onça beber água

Altino Machado às 6:54 am

POR JOSÉ RIBAMAR BESSA FREIRE

Wilson Pinheiro

Wilson Pinheiro

Dois crimes cometidos por pistoleiros – um há mais de 30 anos, no Acre, fronteira com a Bolívia, o outro, na semana passada, em Mato Grosso do Sul, fronteira com o Paraguai, têm em comum o fato de ambos estarem relacionados à luta pela terra e despertarem em nós uma insaciável sede de justiça, confundida, às vezes, com desejo de vingança. De qualquer forma, não podemos calar diante da morte de dois homens bons.

Um deles é o cacique guarani, Nísio Gomes, assassinado recentemente por pistoleiros que invadiram o acampamento indígena na terra Guaiviry (MS). O outro, Wilson Pinheiro, o Wilsão, alvejado com três tiros nas costas, em 1980, no momento em que assistia o noticiário da TV, na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia (AC), do qual era presidente. A morte do cacique me fez lembrar a do líder sindical, ambas executadas pelo agrobanditismo, que agora atua com milícia armada paramilitar.

É que o sentimento de impotência é similar nos dois casos. Suas mortes nos deixam uivando por justiça e aumentam ainda mais nossa descrença em relação ao Poder Judiciário, de cuja vontade e capacidade sinceramente desconfiamos. A omissão da investigação policial e dos tribunais funciona como um incentivo para se fazer justiça com as próprias mãos, o que não é uma forma correta de aplicar a lei. No caso do Wilsão, se buscou estratégias alternativas de mobilização popular, mas deu no que deu.

A água da onça

Ninguém me contou, eu vi e ouvi. Fui a Brasiléia (AC), dia 27 de julho de 1980, para o comício de protesto contra o assassinato do Wilsão. Subi no caminhão que servia de palanque, onde estava sua camisa ensangüentada. Era de noite. O silêncio se fez tão eloqüente que se podia ouvir o barulho dos insetos batendo na única lâmpada colocada em frente à sede do sindicato – uma modesta casa de madeira. Discursos inflamados, escutados atentamente por mais de 4 mil pessoas durante quase cinco horas, desfilavam um rosário de denúncias de mortes, de ameaças e de tentativas de assassinatos.

O diretor do Sindicato de Brasiléia, o “Paulista”, estipulou um prazo de dois dias para a polícia prender o criminoso: “Nós não queremos fazer justiça com as próprias mãos, mas se as autoridades não encontrarem os criminosos, vamos ser obrigados a agir”.  Foi nesse contexto que Lula, então presidente do PT, fechou o evento. Era quase meia-noite. Entre outras coisas, ele afirmou:

- Chegou a hora de a onça beber água.

Um grupo de trinta trabalhadores rurais saiu direto do comício para armar uma emboscada, onde foi morto o capataz da fazenda Nova Promissão, Nilo Sérgio de Oliveira, autor do assassinato de Wilson. A onça bebeu água.  Lula e Jacó Bittar foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional, acusados de incitação ao crime. Responderam a processo na Justiça Militar.

E no caso do cacique guarani, como é que a onça vai beber água? Os alunos indígenas dos cursos de História e Ciências Sociais da UEMS, moradores da aldeia Amambaí, respondem indiretamente a pergunta, numa carta sobre o acontecimento escrita por sugestão de sua professora, a antropóloga Aline Crespe.

A carta relata que mais de 40 pistoleiros invadiram o acampamento indígena. Deram o primeiro tiro na garganta do cacique, seu corpo começou a tremer. Atiraram depois no peito e na perna. O neto pequeno viu o avô no chão e correu para abraçá-lo. Um pistoleiro começou a bater com uma arma no rosto de Nísio e, no final, chutaram seu corpo para ver se ele estava morto e ainda deram mais um tiro. Ergueram o corpo e jogaram na caçamba da caminhonete, seqüestrando o cadáver.

A brutalidade da execução e a conduta com o corpo são a assinatura do agrobanditismo “político” que marca as disputas de terra. Diz a carta:

“Nós estamos aqui reunidos para pedir união e justiça neste momento. Afinal, o que é o índio para a sociedade brasileira? E onde estão nossos direitos, os direitos humanos, a própria Constituição? E nós estamos aí sujeitos a essa violência. Os índios vivem com medo, medo de morrer. Mas isso não aquieta a luta pela demarcação das terras indígenas. Porque Ñandejara está do lado do bom e com certeza quem faz a justiça final é ele. Se a justiça da terra não funcionar a justiça de Deus vai funcionar”.

O que é notícia

Chamados de “teólogos da floresta” pela antropóloga Helene Clastres, os guarani clamam pela justiça terrena, e confiam na justiça divina. A onça deles é Ñandejara - Nosso Senhor. De qualquer forma, eles estão exigindo que as instituições funcionem e que a justiça seja feita. A nossa capacidade de indignação deve ser canalizada para apoiar o clamor dos índios.

Um manifesto pedindo a punição dos assassinos de Nisio circulou nessa sexta-feira no Museu do Indio, durante o lançamento do livro Povos Indígenas no Brasil 2006-2010 produzido pelo Instituto Sociambiental (ISA). O livro será lançado em Manaus na próxima quarta-feira, dia 30.

No livro, com quase 800 páginas, vem o resumo de 810 matérias extraídas de 175 fontes no período de 2006 a 2010, entre os quais jornais de circulação nacional e jornais locais de quase todos os estados brasileiros. Traz fotos, iconografias, mapas, documentos, depoimentos, 166 artigos assinados por especialistas, enfim, um painel panorâmico do que aconteceu com os diferentes povos indígenas nesses últimos cinco anos, no campo da luta pela terra, educação, saúde, línguas, cultura.

É interessante observar que grande parte das notícias publicadas pelos jornais sobre o tema é o resultado de um movimento feito pelos índios em direção à mídia. São poucas as matérias pautadas pelos próprios jornais, por iniciativa das empresas de comunicação, em que seus repórteres são enviados às aldeias indígenas em busca de informação.

Nos manuais que circulavam nos cursos de jornalismo era comum se definir notícia por aquilo que um fato tinha de inusitado, de inesperado. “Se um cachorro morde um homem, isso não é notícia, notícia é quando um homem morde um cachorro”, era assim que nos ensinavam os velhos manuais.

Seguindo o modelo, o assassinato de um índio não é notícia, afinal desde 1500 se vem matando índios nesse país. Só em 2010 ocorreram 60 assassinatos de índios, 34 dos quais em Mato Grosso do Sul. Mas isso não é notícia.  Notícia seria se os pistoleiros fizessem com o filho de um desembargador ou de um rico empresário aquilo que fizeram com o cacique guarani. Notícia, só quando a onça bebe água.

O professor José Ribamar Bessa Freire coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO). Escreve no Taqui pra ti.

Blogs que citam este Post

sábado, 26 de novembro de 2011

Licenciado da federal do Acre, Tião Viana vai lecionar na maior instituição de ensino privado do Estado

Altino Machado às 7:42 pm
Tião Viana é médico

Tião Viana é médico

O governador do Acre, Tião Viana (PT), se prepara para atuar, a partir de fevereiro de 2012, como professor no curso de pós-graduação “Enfermagem em Terapia Intensiva e Transplante de Órgãos Abdominais”, da União Educacional do Norte (Uninorte), maior instituição de ensino superior privado do Estado.

Viana, que é professor concursado da Universidade Federal do Acre (Ufac) desde 2006, lotado no Centro de Ciências da Saúde, jamais chegou a ministrar uma disciplina regular no curso de medicina da instituição pública.

Nos últimos cinco anos, a participação dele para a formação de novos profissionais médicos, por meio da Ufac, tem se limitado a realização de aulas inaugurais e palestras esporádicas.

Ao prestar concurso público para ingresso na Ufac, Viana era senador da República com residência fixa em Brasília.

Foi aprovado e nomeado, tomou posse como professor e, simultaneamente, licenciado por não poder compatibilizar a atividade acadêmica com o exercício do cargo político.

De um lado, está a universidade pública com uma vaga docente retida por profissional que não desempenha suas funções acadêmicas porque ocupa atualmente o cargo de governador do Acre.

De outro, a faculdade privada usa o governador como garoto-propaganda de um produto mercadológico que se articula com o novo programa de saúde do governo estadual para transplante de órgãos.

A primeira-dama do Acre, Marlúcia Cândida, atua como professora e chegou a coordenar o curso de arquitetura e urbanismo da Uninorte desde quando o marido era senador e ela também residia em Brasília. A professora se afastou da coordenação no meio do ano.

Além disso, o empresário Ricardo Leite, proprietário da Uninorte, faz parte do círculo mais íntimo de amizades do governador e da primeira-dama.

O curso em que Tião Viana será um dos professores terá 480 horas, com duração de 15 meses. O investimento dos interessados corresponde a 18 parcelas de R$ 695,00, mais taxa de inscrição de R$ 75,00.

De acordo com material publicitário distribuído pela Uninorte, o governador Tião Viana já confirmou presença como professor.

Trecho de folder da Uninorte

Trecho de folder da Uninorte anuncia governador como professor

Blogs que citam este Post

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

PF deflagra operação contra corrupção no DNIT de Rondônia

Altino Machado às 10:44 am

O Ministério Público Federal de Rondônia e a Polícia Federal desencadearam na manhã desta sexta-feira (25) a Operação Anjos do Asfalto, com o objetivo de combater um grupo organizado que atua no desvio de verbas públicas federais no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

A operação, que conta com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), cumpre 27 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal em oito estados (MG, RO, SP, RJ, MA, PI, AC e DF). Além disso, 160 policiais federais e 20 analistas da CGU fazem parte da ação.

Além de busca e apreensão, a Justiça Federal determinou, também, o imediato afastamento do cargo de cinco agentes públicos que deveriam fiscalizar e acompanhar a execução da obra de pavimentação asfáltica da BR-429, que liga o município de Presidente Médici a Costa Marques (RO).

Até o momento, estima-se que os recursos públicos federais desviados no esquema ultrapassem a casa de R$ 30 milhões. Ao longo de meses de investigação foram colhidos indícios das práticas de diversos crimes - formação de quadrilha, falsificação de documento público, falsidade ideológica, peculato, corrupção passiva e ativa.

Blogs que citam este Post

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Tocar hino evangélico na Parada Gay do Acre foi homenagem, diz líder do movimento LGBT

Altino Machado às 2:38 pm
Germano Marino, ativista

Germano Marino, ativista LGBT do Acre

O presidente da Associação de Homossexuais do Acre (AHAC), Germano Marino, criticou duramente os deputados evangélicos, as redes sociais e a imprensa por causa da repercussão de um boquete fotografado em via pública, em Rio Branco (AC), no domingo (20), durante a realização da Parada Gay, patrocinada pelo governo estadual.

Por causa do polêmico boquete, o governador Tião Viana (PT) anunciou que não pagará as despesas da Parada Gay caso os organizadores do evento não se desculpem publicamente. Germano Marino preferiu manifestar apoio ao governador no sentido de não apoiar qualquer evento que possa atentar contra o direito das pessoas.

Leia mais:

“Boquete” em Parada Gay no Acre será discutido na Assembleia

“Chupei pênis de borracha porque tinha bebido. Não costumo fazer isso”, diz cabeleireiro

Em sessão, deputados evangélicos se aliam contra “boquete” no Acre

- Nós nunca fizemos qualquer manifestação para agredir, escandalizar ou imoralizar família, pessoas, ou qualquer cidadão acreano - afirmou Marino durante entrevista coletiva na Biblioteta Pública de Rio Branco.

A abertura da Parada Gay aconteceu com o cantor Gentil Quimel, que por muitos anos participou da Assembleia de Deus e dela foi expulso por ser homossexual, interpretando o hino o evangélico “Faz um milgare em mim” em cima de um trio elétrico.

Segundo a AHAC, o hino evangélico não teria sido usado para afrontar, imoralizar qualquer religião ou religioso, mas com o espírito da fraternidade, da esperança de se possa construir o respeito mútuo entre religiosos, homossexuais ou qualquer outro cidadão de qualquer orientação religiosa ou sexual.

- O ato que cometemos foi acreditar que religiosos pudessem nós agradecer pela bela homenagem que estaríamos realizando ali, naquela imensidão de pessoas, demonstrando a elas que podemos nos respeitar com as nossas diferenças religiosas e sexuais. É óbvio que tudo que vem pra renovar gera polêmica, ainda mais em setores fundamentalistas - afirma nota da AHAC.

O presidente da entidade comentou:

- É preferível abrir a Parada Gay com hino evangélico a tocar uma dessas músicas que mandam as pessoas enfiarem a piroca na vagina.

A AHAC considera que está existindo descontrole, enfurecimento da ignorância e da homofobia por causa da Parada Gay.

- O que nós envergonha e ver determinados lideres religiosos comprando votos, tendo seus mandatos cassados, e a mesma bancada conservadora não falar nada a respeito disso. Como em qualquer família, em qualquer manifestação existem seus exageros. Faz parte da democracia, as pessoas têm direitos de ir e vir.

Nota de repúdio da Associação de Homossexuais do Acre

acre

"Boquete" gera polêmica em Rio Branco

A Associação de Homossexuais do Acre (AHAC) vem a público, repudiar as discriminações, calunias e difamações, relacionadas ao evento da VII Parada do Orgulho de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, ocorrido no ultimo dia 20.

Somos contra a qualquer ato isolado que promova descontentamento e descontrole social.

Não houve de nenhuma forma sexo explicito, orgia, bacanal, ou qualquer ato atentatório a dignidade da pessoa humana. Se tivessem acontecido tais fatos, a própria organização do evento e a policia militar teria tido ações imediatas para coibir tais atos, e não houve qualquer registro desta natureza.

Nós da Organização do Evento, e os milhares de cidadãos do Acre, não somos culpados por fatos isolados, uma brincadeira de mau gosto, que estão usando para denegrir quase 80 mil pessoas em via pública. Em que todas elas foram participar de uma Parada Gay e não de um carnaval.

São mentirosas e caluniadoras as alegações feitas por alguns representantes do poder legislativo Estadual e Municipal, membros de redes sociais e alguns profissionais ligados a mídia. Responsabilizamos os mesmos por qualquer ato de violência física, moral a qualquer cidadão homossexual, que por ventura vier acontecer, devidos as afirmações caluniosas que promulgam a violência e discrimnação.

Os homossexuais, as crianças, os idosos, os simpatizantes e nossos familiares que participaram da VII Parada do Orgulho Gay, presenciaram a mais bonita e maior manifestação popular que o Acre teve este ano de 2011, em apenas num único dia, superando todas as expectativas de nossa organização.

Somos sabedores que existe na sociedade uma grande parcela preconceituosa, da qual lutamos diariamente contra a homofobia. Essa parcela que hoje se encontra no poder legislativo estadual e municipal, no decorrer deste ano de 2011, não queria que a Associação de Homossexuais do Acre, realizasse a VII Parada do Orgulho Gay, por conta de preceitos e dogmas fanáticos.

O que estamos presenciando e o descontrole, o enfurecimento da ignorância, da homofobia por termos realizado a Parada do Orgulho Gay. A essas pessoas pedimos que assumam que são preconceituosos, que assumam que são homofobicos, que assumam que não querem que realizemos a Parada Gay, seria mais honesto com a população e com os homossexuais.

Apoiamos a decisão do Governador do Estado do Acre, Tião Viana, em não apoiar qualquer manifestação que possa atentar o direito das pessoas, ou aferir qualquer ser humano. Por isso, nós da Associação de Homossexuais do Acre, com quase 10 anos de existência, nunca fizemos qualquer manifestação para agredir, escandalizar ou imoralizar famílias, pessoas, ou qualquer cidadão acreano.

Decidimos abrir a Parada Gay com o Hino Evangélico, não para afrontar, não para imoralizar qualquer religião ou religioso. Fizemos com o espírito da fraternidade, da esperança que possamos construir o respeito mútuo entre religiosos, homossexuais ou qualquer outro cidadão de qualquer orientação religiosa ou sexual.  O Ato que cometemos foi acreditar que religiosos pudessem nós agradecer pela bela homenagem que estaríamos realizando ali, naquela imensidão de pessoas, demonstrando a elas que podemos nos respeitar com as nossas diferenças religiosas e sexuais. É óbvio que tudo que vem pra renovar gera polêmica, ainda mais em setores fundamentalistas.

Vamos acionar judicialmente qualquer manifestação caluniadora, de discriminação e homofobia, que venha denegrir nossas vidas, nossas famílias, nossa organização.

Convocamos à população, os homossexuais que participaram da VII Parada Gay, que nós ajudem nesta batalha, contra esse segmento fundamentalista, retrógrado, atrasado, que quer acabar com a Parada Gay. Querem proibir que realizemos as nossas Paradas Gays!

Não esqueça que somos cidadãos acreanos, que somos eleitores, que somos pessoas que pagamos nossos impostos, não somos uma sociedade podre como disse o Deputado. Por favor, nos respeitem!

O que nós envergonha e ver determinados lideres religiosos comprando votos, tendo seus mandatos cassados, e a mesma bancada conservadora não falar nada a respeito disso. Como em qualquer família, qualquer manifestação existem seus exageros. Faz parte da democracia, as pessoas têm direitos de ir e vir.

Vamos continuar realizando nossas Paradas do Orgulho Gay, quer queiram ou não, SOMOS DE LUTA!

Rio Branco, 24 de novembro de 2011

Associação de Homossexuais do Acre (AHAC)

Foto: Altino Machado/Terra Magazine

Blogs que citam este Post

PF indicia 50 pessoas por fraude anual de R$ 120 mil no Bolsa Família

Altino Machado às 9:59 am

Uma operação da Superintendência da Polícia Federal do Acre resultou no indiciamento de 50 pessoas do município de Boca do Acre (AM) por estelionato qualificado. Elas são acusadas de receberem ilegalmente o benefício do programa Bolsa Família. Com a operação, os cofres públicos deixarão de gastar por ano mais de R$ 120 mil com o programa.

Quando iniciou a investigação, há aproximadamente dois meses, a Polícia Federal descobriu que várias pessoas com renda superior ao permitido no programa simulavam ter renda compatível com as exigidas no mesmo para receber o beneficio.

Leia mais:

Economista diz que Bolsa Família deve adotar recorte racial

Aprovados R$ 691,5 mi para Bolsa Família atender mais 320 mil

O fraudadores também incluíam familiares e dependentes que não residiam na mesma casa. Havia até o recebimento de benefício por parentes de beneficiários falecidos.

Dentre os indiciados estão servidores estaduais, municipais, empresários, fazendeiros, professores, comerciantes, além de funcionários do programa Bolsa Família, alguns deles com renda superior a R$ 30 mil mensais.

Os indiciados tentaram negar a autoria do delito, escusando seus atos e tentando demonstrar inocência por desconhecimento da lei.

Com o desdobramento das investigações, demonstraram que era fato notório para os habitantes de Boca do Acre a irregularidade do percebimento do beneficio.

A gestora do programa Bolsa Família em Boca do Acre informou que diversas pessoas estão procurando voluntariamente a atualização do cadastro, o que está resultando, em alguns casos, no cancelamento dos benefícios por estarem fora das condições para recebê-lo.

A Polícia Federal anunciou que continuará com a operação, pois outras irregularidades estão sendo levantadas e provavelmente mais pessoas serão indiciadas.

Fotos: Polícia Federal

Blogs que citam este Post

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Recurso adia mudança no fuso horário do Acre, Amazonas e Pará

Altino Machado às 4:29 pm

O deputado Lira Maia (DEM-PA) apresentou recurso contra a apreciação conclusiva do Projeto de Lei nº 1.669 que restabelece o antigo fuso horário do Acre e de parte dos estados do Amazonas e Pará.

O Projeto de Lei, de autoria do senador Pedro Taques (PDT-MT), altera o artigo 2º do Decreto nº 2.784, de 18 de junho de 1913. Ele havia sido aprovado na Câmara e no Senado e seria enviado para sanção presidencial, restabelecendo o padrão do fuso horário brasileiro que vigorou entre 1913 e 2008.

Na verdade a presidente Dilma Rousseff oficializaria o referendo realizado em outubro do ano passado, quando a população do Acre decidiu pela volta do fuso horário com diferença de duas horas a menos em relação ao horário de Brasília.

Leia mais:

Acre voltará a ter duas horas a menos em relação a Brasília

Globo tenta impedir fuso horário escolhido em referendo no Acre

O deputado quer a revisão do Projeto de Lei porque o mesmo recebeu uma emenda do senador Flecha Ribeiro (PSDB-PA), que mexe com o horário do oeste do Pará. Segundo Lira Maia, a emenda “contaminou o projeto dos meus amigos do Acre”.

- Não tenho nada contra o pessoal do Acre, sou amigo inclusive da sua bancada, solidarizo-me com eles, mas me vi na obrigação de fazer um recurso pedindo que o projeto venha ao plenário para ser analisado, porque tem uma emenda que mexe novamente com o horário do oeste do Pará, deixando o local com uma hora de atraso em relação ao de Brasília. E a pressão de lá é muito grande - alegou o deputado.

Lira Maia disse que o projeto deverá voltar ao plenário para eliminar a emenda “danosa ao povo do oeste do Pará”.

Atualmente, a diferença do fuso horário do Acre é de apenas uma hora em relação a Brasília. A mudança aconteceu em 2008, sem consulta popular, a partir da Lei 11.662/08, de autoria do então senador Tião Viana (PT), atual governador do Acre, sancionada por Lula, presidente na época.

Os petistas do Acre não aceitam a mudança, acusam o referendo de ter sido “manipulado”, e continuam se movimentando no Congresso no sentido de postergar a volta da hora antiga do Acre.

Blogs que citam este Post

Investigado pelo MEC, reitor da federal de Rondônia renuncia

Altino Machado às 11:02 am

O reitor da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Januário Amaral, apresentou na manhã desta quarta-feira (23), em Brasília, o pedido de renúncia ao ministro da Educação, Fernando Haddad. A assessoria do Ministério da Educação informou que o pedido será encaminhado ao Palácio do Planalto, uma vez que o cargo é de provimento da Presidência da República.

Amaral é alvo de uma sindicância do MEC em decorrência de denúncias de malversação e desvio de recursos que envolvem a Fundação Rio Madeira (Riomar), que serve de apoio à Unir. Ele tomou a decisão de renunciar ao constatar a falta de condições para conduzir a universidade.

Leia mais:

MEC apura denúncias contra reitor da Universidade Federal de Rondônia

Ameaçados de morte, professores e estudantes de RO recebem apoio de Thiago de Mello

“Operação Magnífico Januário” na Universidade Federal de Rondônia

A sindicância foi determinada pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, depois que  professores e estudantes montaram um dossiê de 1,5 mil páginas acusando a reitoria de corrupção e improbidade administrativa.

Professores e estudantes da Unir estavam em greve há mais de dois meses para exigir o afastamento do reitor. No começo de outubro, os estudantes decidiram  radicalizar com a ocupação do prédio da reitoria, que já durava quase 50 dias.

- Quando recebemos a confirmação da renúncia, nem conseguíamos acreditar. O clima aqui na reitoria é de histeria mesmo. Essa é uma vitória da educação. É preciso aprofundar a investigação dos desmandos administrativos. Faremos assembléia para discutir a desocupação da reitoria porque nós entramos e vamos sair com classe. Agora queremos saber quem será nomeado reitor e negociar a nossa extensa pauta de reivindicações - disse a acadêmica Luana Martins, que vem atuando como porta-voz dos estudantes.

Blogs que citam este Post

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Em sessão, deputados evangélicos se aliam contra “boquete” no Acre

Altino Machado às 2:51 pm
Petista Jonas Lima,

Evangélico, petista Jonas Lima exibe Blog da Amazônia com foto do "boquete"

Sem mencionar as palavras “boquete”, felação ou sexo oral, por causa do decoro parlamentar, deputados estaduais da base governista e da oposição se aliaram em críticas à performance do cabeleireiro carioca Carlos Duarte, 56 anos, fotografado durante a Parada Gay do Acre, no domingo (20), no centro de Rio Branco, sugando um pênis de borracha usado por outro homem.

O primeiro a ocupar a tribuna da Assembleia Legislativa do Acre nesta terça-feira (22) foi Jamyl Asfury (DEM) para criticar duramente o “ato obsceno” registrado na Parada Gay, que ganhou repercussão nacional após a publicação de fotos nas redes sociais.

- Quando temos órgãos masculinos sendo expostos, pessoas expondo seus seios, isso é crime. Eu não concordo com isso. Essa imagem me estarreceu. Existiram exageros premeditados - afirmou.

Leia mais:

“Chupei pênis de borracha porque tinha bebido. Não costumo fazer isso”, diz cabeleireiro

“Boquete” em Parada Gay no Acre será discutido na Assembleia

Asfury, que é evangélico e agente da Polícia Federal, lamentou que a música gospel “Faz um milagre em Mim”, tenha sido tocada durante o evento.

- Compete ao Estado reprimir aquele tipo de manifestação. Nós temos um símbolo para nós, que é um hino, e ele foi profanado. Um dia, um líder religioso foi condenado à prisao porque chutou a imagem de uma santa. Não basta pedir perdão, tem que ser punido.

Outro evangélico, o deputado Astério Moreira (PRP), apresentador de TV, disse que o cabeleireiro devia ter procurado um motel “para fazer aquilo”.

- Ele não tem o direito fazer o que fez em praça pública. Eu nunca me senti tão discriminado e tão violentado como evangélico como nos últimos dias. O governo não pode continuar usando dinheiro público para patrocinar um evento que agride às famílias - afirmou Moreira, que é da base governista.

Médico infectologista, o deputado Eduardo Farias (PCdoB) contou que costuma participar da Parada Gay do Acre na companhia da mulher e do filho, mas também criticou a performance do cabeleireiro.

- O que vimos não representa aquilo que se pretendia com a Semana da Diversidade. Esse tipo de ato não constrói nada e joga contra. O que aconteceu não representa a ideia de quem defende diversidade, tolerância, sociedade solidária. Crime como aquele nós não podemos tolerar.

Com uma cópia impressa do Blog da Amazônia nas mãos, o petista Jonas Lima ocupou a tribuna para “repudiar aquele ato imoral”. Lima lidera a Frente Parlamentar a Favor da Família e frequenta a igreja Ministério Filadélfia para as Nações.

- Eu, como ser humano, líder de multidões, estou repudiando aquele evento imoral. Aquele evento não é para a família brasileira. É uma agressão à familia brasileira e o povo do Acre não merece mais isso. Quem faz isso é uma pessoa à toa - afirmou Lima, exibindo a foto do blog.

O deputado Ney Amorim (PT), secretário da Assembléia, contou que nos últimos dias tem mantidos todos os dispositivos de acesso à internet distante de seus filhos, para impedir que tenham acesso ao “ato obsceno” da Parada Gay.

- A cena veio para dividir as famílias de nosso estado. Foram cenas muito fortes. Amanheci catando os telefones e computadores de casa para impedir que nossos filhos vissem aquelas cenas.

Amorim disse que o governo do Estado, que patrocina a Parada Gay, não apóia e não apoiará nenhum ato que venha a ofender as famílias.

- Estou me sentindo abalado. Gestos como aquele não podem se repetir no Acre e no Brasil - apelou o petista.

O deputado Gerado Pereira, líder do PT, também evangélico, ponderou que a polêmica é decorrente da atitude irresponsável de duas pessoas que participavam da manifestação e que agrediram a sociedade.

- Temos que respeitar os direitos individuais das pessoas e reconhecer que são fatos isolados. Ninguém é obrigado a ir para o céu. Ir para o céu é opcional. Mas os direitos individuais, que regem a sociedade, nos temos que garantir - asseverou Pereira.

Plenário da Assembleia do Acre

Plenário da Assembleia do Acre

Fotos: Altino Machado/Terra Magazine

Blogs que citam este Post

“Chupei pênis de borracha porque tinha bebido. Não costumo fazer isso”, diz participante de Parada Gay no Acre

Altino Machado às 8:44 am
Carlos Duarte

Carlos Duarte arrependido: "Todo mundo erra. Por que não posso errar?"

Há 24 anos no Acre, o cabeleireiro carioca Carlos Duarte, 56 anos, tem consciência de que passou a experimentar a profecia do artista americano Andy Warhol (1928-1987), segundo a qual “um dia, todos terão direito a 15 minutos de fama”.

No domingo (20), na Via Chico Mendes, em Rio Branco (AC), durante a Parada Gay patrocinada pelo governo estadual, Carlos Duarte foi fotografado ao simular “boquete” (felação) num pênis de plástico com camisinha usado por outro homem.

Leia mais:

“Boquete” em Parada Gay no Acre será discutido na Assembleia

- Admito que errei e estou envergonhado. Dizem que todo mundo tem direito a 15 minutos de fama. Tive o meu, infelizmente, mas não queria que tivesse sido da forma como aconteceu - pondera.

Publicada nas redes sociais, a foto do cabeleireiro fazendo “boquete” serviu para reacender as divergências entre gays e evangélicos e promete ser o principal assunto desta terça-feira (21) na Assembléia Legislativa do Estado.

Além de arrependido, o cabeleireiro está preocupado com a família dele, que mora no Rio de Janeiro.

- Chupar aquilo foi mesmo errado. Nem eu mesmo gosto, pois sei que as crianças precisam ser respeitadas, assim como as pessoas mais idosas - admite.

Leia a entrevista:

BLOG DA AMAZÔNIA - Você tem noção da repercussão que teve aquele “boquete” durante a Parada Gay?
CARLOS DUARTE - Não tinha noção até uma amiga minha telefonar e avisar que a foto estava na internet e que todo mundo estava comentando e criticando minha atitude. Fiquei até com vergonha porque não tenho costume de andar na rua e tampouco de fazer aquilo.

O que aconteceu?
Eu ia passando e parei quando vi um rapaz dançando. Ele usava um pênis de borracha com camisinha. Alguém estava lá, com uma máquina fotográfica, e me pediu para fazer pose para tirar uma foto.

Está arrependido?
Sim, muito. Fiquei muito preocupado com o que vai pensar minha família, que mora no Rio de Janeiro. Chupar aquilo foi mesmo errado. Não costumo fazer aquilo. Nem eu mesmo gosto, pois sei que as crianças precisam ser respeitadas, assim como as pessoas mais idosas.

O que foi mais inconveniente? A foto ou sua atitude?
O mais inconveniente foi realmente a minha atitude. Eu nunca fiz aquilo e não gostei da foto. Claro que não gostei porque o cara pediu para tirar a foto e eu aceitei. Mas ele jamais poderia ter publicado a foto. Se era para ele guardar, por que ele não guardou a foto?

Mas você não poderia ter evitado se recusando a tirar foto chupando e lambendo um pênis de borracha usado por outro homem?
Sim, poderia ter evitado, com certeza. Mas na hora a gente nem se toca, ainda mais que eu estava ali brincando, tinha tomado umas cervejas… Não vi mais nada. Mas sei que todas as pessoas merecem respeito, especialmente as crianças que estavam passando no local naquele momento. Estou totalmente arrependido porque sei que não deveria ter feito aquilo.

acre

"Boquete" gera polêmica em Rio Branco

Foi a primeira vez que participou da Parada Gay?
Não, não. Na primeira foi normal, sem nenhuma confusão. Mas nessa foi diferente. Vi aquele homem em pé, com o pênis de borracha, então parei para ficar olhando e deu no que deu.

E como será na Parada Gay do próximo ano?
Nem sei mais se vou pra Parada Gay.

Por que?
Sei lá… Depois dessa estou profundamente envergonhado.

Você acha que sua atitude pode servir para que sejam intensificadas as críticas contra os gays?
Eles não deveriam fazer isso porque já estão mesmo querendo acabar com a gente. Mas não deveriam usar o que fiz para querer acabar com a Parada Gay. Os evangélicos querem acabar com as coisas. Não pode ser assim, não. Eles não mandam no mundo. Eles também têm que respeitar os outros. Sei que fui errado, mas espero que não acabem com a Parada Gay. Não acabem mesmo, mas também espero que não aconteça mais erros como o erro que eu cometi. Esse negócio de ficar se agarrando com o namorado… A gente tem que respeitar as pessoas na rua. Eu acabei fazendo isso praticamente sem noção do que estava fazendo. Estou me sentindo envergonhado. O rapaz sugeriu a foto e eu aceitei. Jamais imaginei que ele iria publicar aquela foto nas redes sociais. Ele foi muito sem vergonha, safado. Não é um pessoa confiável pra ninguém. Até pensei em mover uma ação na justiça conta ele, mas logo desisti dessa idéia. Não vale a pena. Logo vai acontecer outra coisa no Acre e todos vão esquecer o que fiz.

Durante a Parada Gay os trios elétricos acompanharam um cantor entoando hinos evangélicos. O que acha disso?
Acho que forçaram a barra demais cantando hinos, pois numa parada gay o público vai mesmo é para se divertir. Hino evangélico é pra ser cantado na igreja.

A Parada Gay no Acre tem tido patrocínio do governo estadual. Acha correto o uso de verba pública para esse tipo de evento?
Acho uma boa, pois a cidade está crescendo. Não vejo problema em usar nosso dinheiro para isso.

Você teme que sua vida no Acre possa mudar após ter aparecido simulando um “boquete”?
Creio que não porque todos vão compreender que foi um deslize de minha parte. Todo mundo erra. Por que não posso errar?

E era um pênis de plástico?
Era. Fiquei olhando aquilo no homem, me aproximei e parei. Sou tímido, calmo, não gosto de sair. A minha vida é de casa pro salão e do salão pra casa. No domingo, nem ia sair de casa, mas os meninos ficaram insistindo. Foi meu erro aceitar o convite. Admito que errei e estou envergonhado. Dizem que todo mundo tem direito a 15 minutos de fama. Tive o meu, infelizmente, mas não queria que tivesse sido da forma como aconteceu.

Foto: Altino Machado/Terra Magazine

Blogs que citam este Post

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

“Boquete” em Parada Gay no Acre será discutido na Assembleia

Altino Machado às 6:31 pm
acre

"Boquete" gera polêmica em Rio Branco

A Parada Gay no Acre, que reuniu milhares de pessoas neste domingo (20), em Rio Branco, será o principal tema dos debates da terça na Assembléia Legislativa. Deputados da bancada evangélica já manifestaram descontentamento ao líder do governo, deputado Moisés Diniz (PCdoB), por causa de uma performance registrada durante o evento.

Enquanto um trio elétrico tocava o hino evangélico “Faz um milagre em mim”, um homem fazia “boquete” (felação) no pênis de borracha usado por outro homem, quando os manifestantes caminhavam na Via Chico Mendes, em direção ao estacionamento do estádio Arena da Floresta.

A performance, fotografada pelo blogueiro Marcos Venícius, está tendo enorme repercussão nas redes sociais do Acre.

- Eu nunca tinha visto algo tão escancarado. Os dois homens não são um casal. Eu percebi a movimentação desde o início. O homem de camisa verde era o mais atrevido, enquanto o outro só dançava. O velhinho se aproximou e permitiu o flagrante - relata Venícius.

O governo do Acre é o principal patrocinador da Parada Gay, mas o deputado Moisés Diniz não concorda com a perfomance.

- O detalhe mata o conjunto. Vou fazer a defesa do conjunto e vou condenar a irresponsabilidade. A coordenação do evento deveria ter retirado os dois manifestantes. Existem regras de convivência na sociedade. O que fizeram é abominável e se tornou um tiro no pé do movimento - afirma Diniz, autor de uma lei estadual do Dia da Diversidade.

Segundo o líder do governo, a reação que está havendo não é uma reação moral dos evangélicos, mas uma reação da sociedade. Diniz disse que nenhuma pessoa, em pleno juízo discorda, que o que fizeram depõe contra a bandeira da diversidade sexual.

- O estado não deveria ajudar nenhuma manifestação desse tipo. Minha divergência nesse nesse campo abrange o meu governo, os evangélicos e católicos. Manifestação religiosa, de gênero e cor, o estado tem que ficar à margem. A pornografia depõe contra o movimento. Além disso, entoar o hino evangélico foi uma provocação descabida. Há fundamentalistas nas religiões, mas esse tipo de provocação também tem cunho fundamentalista. Isso é intolerância - acrescentou o líder do governo.

O ativista Germano Marino, presidente da Associação de Homossexuais do Acre, considera “mentira absurda” que o “boquete” tenha ocorrido enquanto estava sendo cantado o hino evangélico.

- É só prestar atenção na foto para perceber que as pessoas estavam caminhando. A interpretação do hino estava sendo realizada na concentração, no Calçadão da Gameleira, com as pessoas paradas. Sobre a apresentação do hino, este foi interpretado fantasticamente bem pelo cantor Gentil Quimel, que por muitos anos participou da Assembleia de Deus, e que por ela mesma foi expulso por ser homossexual - afirma Marino.

Para o presidente da Associação de Homossexuais do Acre, o que impera é o preconceito e a homofobia. No entendimento dele, como a foto foi tirada na Parada Gay, os “militantes fervorosos da discriminação, da homofobia, do racismo, do machismo e do fundamentalismo, se aproveitam para reafirmar os seus posicionamentos retrógrados e falsos moralistas”.

- No Carnaval, cenas como estas não são tão provocativas. Não é que a Parada Gay seja um carnaval fora de época, mas é a expressão da população participar de um evento que vem somar com o gosto e a cultura popular. É quem disse que fazer sexo oral com preservativo não é uma política de estado oriunda do Ministério da Saúde? - indaga Marino.

O presidente da Associação dos Homossexuais do Acre disse que o governo estadual “gastou apenas” R$ 30 mil com a organização do evento.

Foto: Marcos Venícius

Blogs que citam este Post

Acre cria proposta para ensino religioso nas escolas públicas

Altino Machado às 2:23 pm
Acre

Educadores, religiosos e políticos reunidos em Rio Branco (AC)

Uma proposta curricular de ensino religioso nas escolas públicas foi apresentada nesta segunda-feira (21) ao governo do Acre, em Rio Branco, durante a abertura da I Conferência Estadual da Diversidade Religiosa.

A conferência tem como objetivo revelar a identidade de cada um dos principais grupos religiosos presentes no Acre e lutar para que a escola pública seja espaço democrático e pluralista contra todo o tipo de preconceito, discriminação e de fundamentalismo mesmo religioso.

Promovido pelo Instituto Ecumênico Fé e Política e a Secretaria Estadual de Educação, a abertura do evento foi marcada por orações do bispo do Acre, Joaquim Pertiñez, e da Mãe Raimundinha, que dirige um centro de umbanda.

O governador em exercício César Messias e os secretários de educação Daniel Zen (estadual) e Márcio Batista (municipal) também participaram da abertura da conferência. Zen afirmou que a proposta curricular para o ensino religioso possivelmente será adotada a partir do próximo ano.

A proposta do Instituto Ecumênico Fé e Política, no formato de uma cartilha, oferece a professores e lideranças religiosas informações para capacitá-los para o diálogo inter-religioso na sociedade pluralista, além de estimular a cooperação entre as diversas denominações e expressões de fé.

- Nosso objetivo é a construção da paz, da cidadania, da democracia e do respeito aos direitos humanos - afirmou o ex-padre e ex-deputado do PCdoB, Manoel Pacífico, que dirige o Instituto Ecumênico Fé e Política, uma entidade de direito privado, suprapartidária, comprometida com a justiça social e o respeito à diversidade cultural e religiosa.

A cartilha sobre diversidade religiosa  no Acre é resultado de quase seis anos de encontros, inicialmente de representantes católicos e evangélicos, ampliados há mais de quatro anos com representantes espíritas, daimistas e de religiões de matriz africana.

A exemplo dos demais Estados brasileiros, o Acre possuía uma população de maioria católica, mas assistiu nos últimos anos o crescimento rápido da população protestante, estimada no País em 25% pelo IBGE.

De acordo com o Instituto Ecumênico Fé e Política, os dois fatores tem importância nas relações inter-religiosas na sociedade, particularmente dentro das escolas, uma vez que no Estado há também outros grupos expressivos, adeptos de outras tradições espirituais como daimistas, espíritas, e os seguidores de cultos de matriz africana, como o candomblé e a umbanda.

Sem espaço para doutrinar

A proposta também menciona a história de outras tradições espirituais presentes na Amazônia, como a indígena, islâmica, budista, bahai e seicho-no-ye.

Os participantes da conferência assinalam que o reconhecimento da diversidade religiosa impõe-se de forma absoluta, em função de uma série de fatores de ordem histórica de desinformação, de preconceitos e até de ordem cultural e religiosa.

Na avaliação deles, o desconhecimento generalizado entre os diversos grupos religiosos presentes no Acre, favorece algumas atitudes fundamentalistas de grupos majoritários sobre outros considerados de menor expressão.

- É necessário ouvir os diversos grupos que compõem este universo religioso no Estado, que nos revelem sua história e sua própria identidade. Esses relatos tem, portanto, muito de história e também, de forma diferenciada, a identidade de cada denominação - afirma o documento.

Católico, o governador em exercício César Messias destacou o trabalho social e religioso das igrejas evangélicas no Acre. Messias manifestou apoio à proposta de ensino religioso e aproveitou a ocasião  para revelar que costuma participar de rituais com o uso de ayahuasca ou daime, como é mais conhecida a bebida que provoca mirações, feita a partir do cozimento de um cipó e de uma folha.

- Eu me sinto muito bem quando participo dos cultos da Assembléia de Deus ou quando me reúno com jovens da igreja Batista. Mas também me sinto muito bem quando tomo daime. Ninguém pode afirmar que o daime é uma droga. Só sabe o que é o daime quem toma o daime - afirmou o governador.

O secretário de educação de Rio Branco, Márcio Batista, foi o primeiro a defender que a cartilha intitulada “Muitos são os caminhos de Deus” seja incorporada pelo Conselho Estadual de Educação como proposta curricular para o ensino religioso nas escolas públicas do Acre.

- O pensamento religioso não é único e a escola não pode ser espaço para doutrinar ou catequizar - afirmou Batista.

Autoridades eclesiásticas e pol�ticas do Acre

Autoridades eclesiásticas e políticas do Acre

Blogs que citam este Post

domingo, 20 de novembro de 2011

A “Operação Magnífico Januário” na Universidade Federal de Rondônia

Altino Machado às 8:00 am

POR JOSÉ RIBAMAR BESSA FREIRE

“Desconfie do historiador que nunca foi preso”. Quem disse isso foi Fernand Braudel, historiador francês, encarcerado durante vários anos pelos nazistas, depois de viver no Brasil onde foi professor da USP (1935 a 1937). Sua frase, dita no contexto da 2ª. Guerra Mundial, não é para ser tomada ao pé da letra. Ele não quer desqualificar quem não experimentou o cárcere, mas apenas chamar a atenção para o compromisso do historiador com o seu tempo. Em tempo de guerra e de ditadura, a prisão constitui um indício de tal compromisso.

Tempo de guerra parece ser o momento que vive hoje a Universidade Federal de Rondônia (Unir), cujos professores e alunos estão em greve desde o dia 14 de setembro. O que querem os grevistas? Apenas impedir a destruição da universidade. A greve não é sequer por salários, mas por condições de trabalho. A Unir está caindo de podre, como atesta um Laudo de Vistoria Técnica feito em 21 de outubro de 2011 pela Diretoria de Serviços Técnicos do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia.

Os responsáveis pela vistoria -os bombeiros Fábio Ferreira e Francisco Kleber e os engenheiros civis Carlos Renor e Boris Medeiros– confirmaram as denúncias dos grevistas: o Campus Universitário, inaugurado em 1984, foi ampliado, mas desde então não realizaram qualquer serviço de manutenção das construções existentes, o que acarretou sua deterioração e agora ameaça a segurança de professores, alunos e funcionários, prejudicando as atividades de ensino, pesquisa e extensão.

As fotos da vistoria são impressionantes: goteiras inundando os pavilhões, infiltrações com alagamento de salas de aulas, rebocos caindo; obstrução das canaletas de drenagem, transformando em rio as calçadas de circulação; instalações elétricas em locais impróprios, sem tampas de proteção; alimentadores deteriorados por corrosão; fios desencapados com emendas, sem isolamento e expostos a chuvas, instalados em corredores de passagem que são inundados por águas pluviais; sistema de hidrantes inoperante com ausência de mangueiras, extintores com prazo vencido, etc. etc.

Januário e os bandidos

Como foi possível tratar com tanto descaso o patrimônio público? Será que os recursos são escassos? Não. O orçamento da Unir em 2010 foi de R$ 118.416.714,00 e em 2011 de R$ 120.283,799,00. Para onde foi tanta grana? Não é possível que não tenha sobrado uns centavos para comprar um rolo de fita isolante, isso sem contar os problemas mais estruturais. É incompetência ou corrupção? Ou as duas coisas juntas?

Os grevistas estão revoltados com a situação dos laboratórios, como o de Biologia, todo construído em madeira, onde a vistoria constatou infiltrações de todo tipo, apodrecimento das vigas, centenas de espécimes animais conservadas em álcool em recipientes de vidro em prateleiras inadequadas, sem condições de uso, com saídas de emergência obstruídas. Para salvar a universidade, reivindicam a implantação do Plano de Desenvolvimento Institucional, transparência nas ações administrativas, prestação de contas sobre os recursos repassados e implantação da Ouvidoria na Unir, para que se tenha a quem reclamar. E, agora, exigem também a demissão do Januário.

Quem é Januário no jogo do bicho? José Januário de Oliveira Amaral, esse é o nome do reitor da Unir. Ele está encastelado no poder há 12 anos, e sobre ele, além da incompetência, pesam graves denúncias. Um dossiê de 1,5 mil páginas enviado ao MEC informa, entre outras coisas, que a “Operação Magnífico” desencadeada pelo Ministério Público, constatou fortes indícios de improbidade administrativa, desvio de recursos, contratação de empresas-laranja. O ministro da Educação, Fernando Haddad, determinou sindicância ainda não concluída.

Acontece que Januário não morre pagão, pois conta com padrinho e madrinha –o senador Valdir Raupp (PMDB- vixe, vixe!) e a deputada federal Marinha Raupp (idem). Com esse apoio em Brasília, o reitor se sentiu forte para classificar os alunos e professores como “bandidos” e chamar a Polícia Federal, cujos agentes locais, absolutamente despreparados, agiram como na época da ditadura militar, prendendo e espancando. Entraram na Universidade como quem entra numa boca de fumo cheia de traficantes ou na Assembléia Legislativa de Rondônia, onde alguns deputados formaram quadrilha.

Enchente do rio

As agressões adquiriram proporções inacreditáveis, incompatíveis com a vida universitária. A professora Marilsa Miranda de Souza foi ameaçada de morte por causa do levantamento que fez sobre as irregularidades da Unir. Uma aluna de psicologia, membro do Comando de Greve, foi surpreendida na porta de sua casa por homens encapuzados. Um bilhete anônimo foi colocado sob a porta de diversos laboratórios e departamentos com os dizeres: “Não adianta cantar vitória antes do tempo. Muita água ainda pode rolar e alguns nomes podem descer na enchente do rio”.

O bilhete traz uma relação de nomes de professores e alunos, entre os quais o do professor Estevão Rafael Fernandes, antropólogo, chefe do Departamento de Ciências Sociais e Coordenador do Observatório de Direitos Humanos de Rondônia, que observa: “Aos que não estão acostumados com o jargão amazônico, a menção a descer na enchente do rio é uma referência clara ao hábito de se desovar cadáveres nos rios da região”.

Os ânimos estão acirrados, professores e alunos têm sido seguidos e ameaçados, alguns têm dormido em casas de parentes ou amigos com medo do que possa ocorrer. Até então as táticas do Comando Vermelho ou das Milícias Armadas não haviam chegado à universidade brasileira. O despreparo dos agentes da Policia Federal contribuiu, em muito, para essa situação.

Certamente houve abuso de poder e de autoridade no caso da prisão do professor de História Valdir Aparecido de Souza. A prisão dele, toda filmada, mostra que foi tratado como um bandido e humilhado na frente de seus alunos por policiais federais, um deles de arma em punho. Ele foi preso por estar filmando a ação de agentes federais, o que foi considerado como suposto desacato à autoridade. Acusaram-no ainda de ser responsável por uma explosão no campus. Depois de interrogado de madrugada, foi levado para o presídio comum conhecido como Urso Panda. Como um marginal que não é.

No dia seguinte, por força de um habeas-corpus, foi solto. Como um historiador confiável que é. E dos bons. É respeitado na comunidade acadêmica. Valdir se formou em História pela Unesp (1991), onde concluiu o seu mestrado com a dissertação intitulada, para a ironia do destino: “(Des)ordem na Fronteira: Ocupação Militar e Conflitos Sociais na bacia do Madeira” (2003). No doutorado, trabalha a história e a construção da identidade rondoniense.

Embora Braudel tenha escrito para a comunidade acadêmica, a “nova” Polícia Federal, que é mais letrada, leu e lhe deu razão. Agora, podemos confiar plenamente em Valdir Aparecido de Souza, porque a PF acaba de lhe conferir um título de confiabilidade. De qualquer forma, é na capacidade de resistência dele, dos grevistas, dos professores e alunos que repousa o futuro da Unir. E não nas mãos do Januário, a quem o ministro Haddad deve mandar para o espaço como a presidente Dilma fez com os cinco ministros corruptos. Espera-se que a Operação “Magnífico Januário conclua com sua demissão.

P.S.: Quando este texto já havia sido enviado para sua publicação, recebemos a noticia de que um grupo de 42 pistoleiros encapuzados e fortemente armados invadiu uma aldeia indígena Kaiowá Guarani, no Estado do Mato Grosso do Sul e matou o cacique Nísio Gomes, de 59 anos, com tiros de armas calibre 12, conforme denúncias do CIMI, confirmadas pela Funai à agência AFP.

O professor José Ribamar Bessa Freire coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO). Escreve no Taqui pra ti.

Blogs que citam este Post

sábado, 19 de novembro de 2011

Ameaçados de morte, professores e estudantes de Rondônia recebem apoio de Thiago de Mello

Altino Machado às 1:55 pm

Direto de Porto Velho (RO)

Poeta Thiago de Mello faz coro ao "Fora Januário"

Poeta Thiago de Mello faz coro no "Fora Januário"

Professores e estudantes da Universidade Federal de Rondônia (Unir), em greve há 70 dias, receberam na manhã deste sábado (19), em Porto Velho, o apoio do poeta Thiago de Mello, 85, na luta pelo afastamento do reitor Januário Amaral, que está sendo alvo de uma sindicância do Ministério da Educação em decorrência de denúncias de irregularidades administrativas.

De passagem pela capital de Rondônia, onde participa da nona edição do Festcineamazônia, um festival de cinema e vídeo, Thiago de Mello foi recebido por professores e estudantes no prédio da reitoria, no centro da cidade, que está ocupado há mais de 40 dias.

- Mais do que trazer minha palavra solidária, que é um dever meu, uma coerência com minha própria vida e poesia de luta, a vinda aqui constitui aprendizagem com a luta de vocês. Eu me enriqueço. Num momento em momento em que o Brasil padece de uma enfermidade, o “assimesmismo” - ‘fica assim mesmo’, ‘não, é assim mesmo’- vocês lutam para dizer que não pode ser assim mesmo e é preciso trabalhar na mudança do que é preciso mudar - afirmou.

Leia mais:

MEC apura denúncias contra reitor da Universidade Federal de Rondônia

Thiago de Mello disse aos estudantes que eles precisam ter a certeza de que a causa deles “está certa e que a motivação política e ideológica é a da ética”.

- O que está sendo ferido nesta universidade é o próprio espírito da universidade: o espírito ético da universidade. Vocês estão dando essa lição ao Brasil, como os companheiros lá do Sul também, resistindo e apanhando da polícia.

Thiago de Mello recomendou que os estudantes sigam o exemplo do antropólogo e educador Darcy Ribeiro, amigo dele, com quem conviveu no exílio durante a ditadura militar.

- Dias antes de morrer, esse grande brasileiro, que sabia e se orgulhava da palavra patriota, que quer dizer amor ao povo e não à pátria, que é algo abstrato, tomou minha mão e disse: ‘Thiago, não desanima. Faz tua parte que um dia o Brasil vai dar certo’.

O poeta amazonense contou aos estudantes que uma de suas prisões pela ditadura militar se deu após ter participado de manifestação em protesto contra o assassinato do estudante paraense Edson Luís de Lima Souto, vítima da Polícia militar durante um confronto no restaurante Calabouço, no centro do Rio de Janeiro.

Ameaças

Vários incidentes marcaram o movimento desde que a greve foi iniciada. O professor de história Valdir Aparecido de Sousa foi preso, assim como dois alunos que distribuíam panfletos contra o reitor Januário Amaral.

Uma estudante, quando saia de casa, chegou a ser ameaçada de morte por homens encapuzados dentro de um carro.

Na quarta-feira (16), um bilhete foi deixado em vários locais da universidade e se tornou no último ato de intimidação contra professores e alunos da Unir.

Impresso em folhas no formato A4, os bilhetes foram cortados e afixados em vários locais. Três professores receberam a mensagem:

“Não adianta contar vitória antes do tempo. Muita água ainda pode rolar… Segue alguns nomes que podem descer na enchente do rio”.

O bilhete lista nomes de professores da Unir em Porto Velho (19), Rolim de Moura (5), Ji-Paraná (1), Ariquemes (1), além dos nomes de 13 estudantes.

Reunião na entrada da reitoria da Unir

Reunião na entrada bloqueada do prédio da reitoria da Unir

Fotos e vídeo: Altino Machado/Terra Magazine

Blogs que citam este Post

Posts mais antigos »

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol