Terra Magazine

domingo, 31 de julho de 2011

Novecentos casais dizem “sim” em casamento coletivo no Acre

Altino Machado às 12:00 pm
casamento

Cerimônia reúne 900 casais em ginásio da capital do Acre

Um casamento coletivo  celebrou a união civil de 900 casais na noite deste sábado (30), em Rio Branco (AC). O evento é promovido há oito anos pelo Projeto Cidadão, do Tribunal de Justiça do Acre, e realizou 7,9 mil casamentos no Acre.

De acordo com última pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Acre é o Estado com a maior taxa de casamento do País. O Projeto Cidadão é responsável por 40% dos casamentos realizados no Acre.

O casamento coletivo reúne centenas de pessoas, entre noivos, familiares e convidados, que participam de uma cerimônia civil com direito a decoração especial.

Com a privatização dos cartórios, o Projeto Cidadão firmou parceria com os delegatários responsáveis pelos três Cartórios de Registro Civil de Rio Branco, que disponibilizaram 900 senhas para casamento, que custa em média R$ 250,00 e o trâmite burocrático chega a demorar mais de dois meses.

Sim e beijaço

Embora a lei garanta a gratuidade do serviço para noivos carentes, as pessoas que querem formalizar a união encontram dificuldades no trâmite da documentação, além dos custos de cerimônia. No casamento coletivo, além de não pagar nada, o trâmite burocrático se reduz a dois dias.

O objetivo da atividade é promover a união matrimonial de modo gratuito, rápido e fácil, contribuindo para estruturar os casais, fortalecer os laços de união e responsabilidade, principalmente para quem aqueles já possuem filhos.

O Tribunal de Justiça do Acre realiza o Projeto Cidadão desde 1995, para facilitar o acesso da população a diversos serviços.

A finalidade do projeto é assegurar à população de menor poder aquisitivo o direito à documentação básica, bem como o acesso rápido e gratuito aos serviços públicos de saúde, educação, trabalho, meio ambiente e segurança.

O pintor de paredes Jomar Félix, 25, e a adolescente Francimara Magda, 16, formavam o casal mais jovem e por causa disso mereceram uma cadeira em posição de destaque durante a cerimônia.

Jomar, Francimara e Ester

Jomar, Francimara e Ester

Jomar e Francimara participaram da cerimônia do casamento coletivo tendo nos braços a filha Ester, de um mês.

- Estamos muito felizes. Começamos a namorar em agosto do ano passado. A Francimara tinha 15 anos quando engravidou e o pastor de nossa igreja nos aconselhou a procurar o Projeto Cidadão - disse Jomar.

O casal mais experiente era Raimundo Correira, 78, e Maria Helena, 68, que também foi destacado pelo cerimonial. O casal mais jovem e o mais experiente representaram os demais diante do juiz Marcelo Badaró.

Fotos e vídeo: Altino Machado/Terra Magazine

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Conradinho Close Up

Altino Machado às 8:27 am

POR JOSÉ RIBAMAR BESSA FREIRE

Chamava-se Konrad, com “K”, mas tinha uma puta cara de severino ou ribamar. É que nascera logo após a II Guerra Mundial, em Buriti dos Montes (PI). Seu pai, o velho Dodó, carpinteiro de profissão, ia registrá-lo como Dorgival Junior. Mas mudou de ideia no meio do caminho, quando parou na taberna do Léo para tomar umas talagadas de cocal. Lá, sobre o balcão, viu um exemplar do jornal da UDN, O Piauí, com o nome de Konrad Adenauer em letras garrafais. Encheu os cornos de pinga, recortou a manchete e foi pro cartório levando o nome impresso do chanceler alemão:

- É Konrad. Com “K”.

O filho ficou sendo, pois, Konrad. Konrad Soares. Escapou, por pouco, de se chamar Churchill ou Stalin. Foi nas águas do rio Poti que o Quase-Churchill, aprendeu a nadar. Passou a infância entre Buriti dos Montes e Ipaporanga, contemplando, maravilhado, os paredões da garganta do rio, que formam um cânion com rochas de até 60 metros furadas pela correnteza. Seu pai o levou por trilha de difícil acesso, permitindo que os olhos do menino focassem a fenda geológica, o primeiro de tantos close ups de sua vida severina.

- Já-pensou, já-pensou, um close up da Cachoeira da Lembrada?

Quando chegou no Rio, em 1966, para estudar, trazia consigo, gravadas na retina, muitas imagens de Buriti dos Montes, algumas panorâmicas, outras em travelling.  Eram tomadas de planos da procissão de Nossa Senhora do Monte Serrat, das novenas do mês de julho, dos arraiais e quermesses, das quadrilhas juninas e, evidentemente, close ups diversos com detalhes de cabeças, rostos, mãos.

- Já-pensou, já-pensou um close up da tia Deca, um plano fechado sobre a verruga que ela tem no nariz?

Geração Paissandu

Tudo isso ele me contou em longas conversas mantidas na Casa do Estudante do Brasil, na Esplanada do Castelo, atrás do Bob´s, no centro do Rio, onde morávamos juntos com outros estudantes pobres, nordestinos e nortistas, irmanados pela mesma fome atávica. Depois das aulas na FNFi –  eu cursava Jornalismo, ele Letras - passávamos horas discutindo cinema, a grande paixão de Konrad, que fazia qualquer sacrificio para não perder as sessões do Cine Paissandu, na Rua Senador Vergueiro, Flamengo.

Estávamos na década 1960-70. Foi ali, como integrante da dissidência pobre da chamada Geração Paissandu, que ele se familiarizou com os recursos da linguagem cinematográfica e se especializou em close up. Diante da expressão alegre ou triste, tensa ou descontraída, de qualquer pessoa, o Konrad piauiense não hesitava. Unia os dois polegares e os dois indicadores, formando um quadrado, colocava-o na altura do olho esquerdo, como se fosse uma câmera, focava no ponto que lhe interessava e se aproximava lentamente, dizendo:
- Já-pensou, já-pensou, um close up desse rosto?

Aquilo que começou como uma simples brincadeira, da qual todo mundo ria, virou mania, obsessão, e acabou por ser, em alguns momentos, algo inconveniente, quase doentio, que podia chatear as pessoas. Na exibição do filme A grande cidade, de Cacá Diegues, que acabara de sair do forno em meados dos anos 1960, ele viu a Nara Leão de mini-saia, achou que ela estava a tôa na vida, querendo ver a banda passar. Não resistiu. Armou a câmera com os quatro dedos, focou e partiu pra cima:

- Já-pensou, já-pensou, um close up do joelho da Nara.

Essa era a vantagem de pertencer à Geração Paissandu, permitia a convivência democrática do pé-rapado com a celebridade. Mas essa não foi a única vez que o destino cruzou o seu caminho com um membro da família Leão. Meses depois, quando já havia  perdido definitivamente o “K” de Konrad e o senso do ridículo, tornando-se o Conradinho, Conradinho Close Up, para ser mais preciso, topou com Danuza. Foi assim.

Um dia, depois de uma passeata, ele vestiu sua farda de gala – um surrado macacão jeans unisex estilo boyfriend, calçou a alpercata de arigó de pneu usado, tipo ojota andina, e caminhou a pé do Castelo até o Flamengo, porque não tinha um puto pra pagar a passagem de ônibus. Ficou em pé na frente do Paissandu, esperando ver se encontrava alguma alma caridosa disposta a pagar sua entrada. Não queria perder o filme de René Allio, cujo roteiro se baseava em um texto de Bertold Brecht – Uma velha dama indigna.

Com Danuza

Conradinho Close Up já estava para desistir, quando desceu de um táxi, sozinha, Danuza Leão, causando um burburinho nas mesas espalhadas pela calçada do bar Oklahoma. Naquele momento, qualquer um daria razão ao Conradinho: ela, poderosa e bela na explosão dos seus trinta e poucos anos, estava implorando por um close up. Ele empunhou sua câmera imaginária formada pela união dos dedos, ajustou a lente de distância focal variável, enquadrou e clicou. Depois do superclose, saudou:

- Oi.

- Oi – respondeu Danuza, cujos olhos buscavam pelo recinto do bar, sem encontrar, alguém que se atrasara para o encontro marcado. Enquanto esperava, decidiu sentar-se.  Conradinho, como um soldado, se mantinha de pé a seu lado, com cara de cachorro abandonado. Ela convidou-o, então, a compartilhar sua mesa. Parecia se divertir com aquele nordestino simpático, visivelmente faminto, meio folclórico, Ronnie Von dos pobres, com longos cabelos lisos caindo sobre os ombros salpicados por uma camada branca de escamas de caspa.

Quando o garçon chegou, ela pediu um uísque e perguntou de Conradinho o que ele queria beber – era seu convidado. Acontece que o Restaurante Estudantil do Calabouço estava fechado, ele não havia almoçado. Nem piscou: pediu uma vitamina de abacate, no capricho, e um sanduíche americano.

Enquanto Danuza bebericava seu uísque e Conradinho traçava a abacatada espessa, conversaram sobre política, estética e cinema. Ele, é claro, defendeu o close up como a forma mais acabada de captar o pormenor, o detalhe, com capacidade de penetrar profundamente na alma da personagem, de revelar com força e intensidade dramática suas características. Descreveu, com muito fervor, o filme “O Nascimento de uma Nação”, comentou cada close de Griffith como algo “genial, genial” – adjetivo muito usado por aquela geração. Ela ouviu tudo com respeito e paciência.

Foi aí que chegou o amigo da Danuza, num carrão. Ela pediu a conta, pagou tudo e se despediu, deixando o troco sobre a mesa. Enquanto a musa se afastava, Conradinho e o garçon se mediram com os olhos, numa disputa silenciosa, mas louvado seja Deus, o piauiense foi mais rápido e deu um close up, embolsando a gorjeta, que era suficiente para pagar o cinema e ainda voltar de ônibus para a casa.

No dia seguinte, tomando banho no Posto de Gasolina da Av. Presidente Antonio Carlos porque a água da Casa do Estudante havia sido cortada, todo ensaboado com sabão de côco, ele se gabava de haver tomado um uísque com a Danuza Leão. E contava a história da velha que ficou viúva, fez amizade com uma prostituta e com ela ganhou o mundo, viajando e passeando pelas estradas e cidades. Sabia de cor os close ups de René Allio em Uma velha dama indigna.

Mais de quarenta anos depois, só lembrei da figura folclórica do Conradinho e de sua tese de que o close up torna visível aquilo que ninguém via, por causa das caras e bocas dos personagens que aparecem no noticiário sobre a corrupção no Ministério do Transporte e no DNIT.

- Já-pensou, já-pensou, um close up nas contas do Alfredo Nascimento, do filho dele, do Valdemar Costa Neto, das empreiteiras…

Por onde andará o Konrad piauiense, o Quase-Churchill?

O professor José Ribamar Bessa Freire coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO). Escreve no Taqui pra ti.

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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Justiça condena quadrilha de 24 traficantes do Acre

Altino Machado às 2:57 pm

O juiz Elcio Sabo, titular da Vara de Delitos de Drogas da Comarca de Rio Branco (AC), condenou 24 réus que formavam uma rede de narcotráfico baseada na cidade, com extensão por todo o Estado. A sentença de 835 páginas, proferida na quinta-feira (28), soma 344 anos de penas aos narcotraficantes, que deverão cumpri-las inicialmente em regime fechado.

Presos preventivamente desde outubro de 2010, os réus foram intimados a comparecer na manhã desta sexta-feira (29), no Fórum Barão do Rio Branco, a uma audiência a fim de tomarem ciência da decisão e receberem cópia da sentença. Dois deles, Weverton Monteiro de Oliveira e Elcimar de Souza Braga, estão foragidos da Justiça.

O Ministério Público Estadual denunciou os acusados por atuarem, mediante associação, no preparo, aquisição, venda e transporte de drogas como maconha e cocaína no Estado, inclusive nas dependências e imediações da presídio Francisco de Oliveira Conde, a maior unidade penitenciária do Acre, localizada na Capital.

Além disso, os réus foram condenados por cometerem diversos delitos envolvendo o tráfico de entorpecentes, tendo como base de atuação a região conhecida como Baixada da Sobral, em Rio Branco.

A representação registrou indícios de que dois grupos criminosos atuavam na região, sendo um liderado por Edinho Lourenço dos Santos e, outro, por Wanderclau Cunha de Oliveira. Ambos foram condenados a uma pena total de 20 anos e um mês, e 14 anos e 9 meses de reclusão, respectivamente.

Todos os outros integrantes da rede de tráfico também foram condenados com penas entre 15 e 20 anos. Apenas uma mulher participava do grupo de narcotraficantes.

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quarta-feira, 27 de julho de 2011

AC: Por falhas em laudos técnicos, jogos das séries C e D não terão torcida

Altino Machado às 1:18 pm
Arena da Floresta

Estádio Arena da Floresta, em Rio Branco

Por causa de problemas sanitários, falhas de engenharia e segurança, dois jogos das séries C e D do Campeonato Brasileiro serão realizados neste fim de semana, em Rio Branco (AC), com os portões do estádio Arena da Floresta fechados. Trata-se do estádio que o governo do Acre apresentou à Fifa quando a capital do Estado foi candidata à sede da Copa do Mundo de 2014.

A Promotoria Especializada de Defesa do Consumidor constatou falhas nos laudos exigidos pelo Estatuto do Torcedor. Os laudos foram apresentados à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pelo governo do Acre, que construiu e administra o estádio há cinco anos.

A promotora Alessandra Marques afirmou que os laudos não atendem formal nem materialmente ao Estatuto do Torcedor. Os laudos são de responsabilidade do Conselho Regional de Engenharia, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Vigilância Sanitária.

O governo estadual tentou reverter a situação ao enviar à promotoria um novo laudo do Corpo de Bombeiros em menos de 24 horas. Segundo Alessandra Marques, persistem os problemas com relação às respostas dos quesitos que estão no laudo.

- O Corpo de Bombeiros primeiramente aprovou o estádio com um laudo formalmente  incorreto. No dia seguinte, apareceu com um laudo correto cujo conteúdo estamos questionando porque enseja preocupações com a segurança, pois foi aprovado com restrições - explica a promotora.

A promotoria exige também um novo laudo de vistoria de engenharia na Arena da Floresta, o que deve acontecer tão logo as obras necessárias, apontadas pelo primeiro laudo, sejam realizadas.

- O laudo da Polícia Militar aprova o estádio, mas a maioria dos quesitos sobre segurança que deveriam ser respondidos positivamente, foram respondidos negativamente. Não existe, por exemplo, câmera de monitoramento. Mesmo tendo respondido tudo negativamente, a Polícia Militar dá o estádio como aprovado - avalia Alessandra Marques.

A promotoria considera a questão muito mais ampla porque a CBF tem o Ministério Público como parceiro para que os jogos sejam realizados de acordo com o Estatuto do Torcedor.

- O Ministério Público não embarga estádio, quem faz isso é a CBF. O Ministério Público apenas certifica à CBF sobre a segurança dos estádios, com base exclusivamente nos laudos. Não tenho o poder de determinar data e local de jogo.

Prejuízo

Com capacidade para 13,7 mil torcedores, o estádio estará vazio no sábado (30), quando o Plácido de Castro vai enfrentar o Cuiabá em disputa da série D. No domingo, será a vez do Rio Branco disputar uma partida da série C contra a Luverdense.

O presidente da Federação de Futebol do Estado do Acre (FFAC), Antônio Aquino, disse que existia previsão de que seriam vendidos 10 mil ingressos para cada partida na Arena da Floresta.

Segundo Aquino, a realização de jogos com portões fechados resultará em prejuízo financeiro significativo para os clubes.

- Além disso, uma coisa é jogar com torcida a favor; outra é jogar sem a torcida, o que favorece o visitante. Há cinco anos são realizados jogos no estádio e nunca aconteceu nada grave contra os torcedores, embora a promotoria tenha questionado os laudos anteriormente.  O certo é que a CBF tem que cumprir o que determina o Estatuto do Torcedor e o Ministério Público tem que fiscalizar - avalia Aquino.

Foto: Governo do Acre/Divulgação

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terça-feira, 26 de julho de 2011

Movimento social pede afastamento de juiz que apura assassinatos de extrativistas no Pará

Altino Machado às 10:32 am

Mais de dez organizações do movimento social assinaram uma nota em que pedem o afastamento do juiz Murilo Lemos Leão, da 4ª Vara Penal da Comarca de Marabá (PA), da condução do processo que apura os assassinatos do casal extrativista José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo Silva, ocorridos há dois meses em Nova Ipixuna (PA).

Na semana passada, a Polícia Civil anunciou a conclusão das investigações. O fazendeiro José Rodrigues Moreira foi apontado como mandante dos crimes e os pistoleiros Lindon Jonhson Silva Rocha (irmão de José Rodrigues) e Alberto Lopes do Nascimento como executores.

- Mesmo identificando os executores e um mandante do crime, nenhum deles foi preso, todos encontram-se livres em lugar não sabido, graças as decisões do juiz Murilo Lemos Simão  - assinala a nota assinada pelas organizações, entre as quais a Comissão Pastoral da Terra e Conselho Nacional dos Seringueiros.

Durante as investigações, o juiz Murilo Lemos Leão negou, mesmo com parecer favorável do Ministério Público, pedido da Polícia Civil pela prisão temporária dos acusados. De posse de novas provas sobre a participação dos acusados, a polícia chegou a apresentar um segundo pedido de prisão preventiva, que também foi negado.

Uma semana antes da conclusão das investigações, a Polícia Civil ingressou com um terceiro pedido de prisão. Mais uma vez o juiz não decretou a prisão dos acusados. Sem que o delegado que presidia o inquérito ou o Ministério Público solicitassem, o juiz decretou o sigilo das investigações.

Ao não decretar a prisão dos acusados, segundo as organizações do movimento social, a segurança das testemunhas fica comprometida, na medida em que a polícia já divulgou os nomes das pessoas que apontaram em depoimento os acusados como responsáveis pelos crimes.

- Soltos poderão atentar contra a vida das testemunhas.  Com os criminosos em liberdade, nenhuma testemunha terá a segurança e a tranquilidade de se apresentar perante o juiz para prestarem novos depoimentos, comprometendo dessa forma a garantia da instrução processual - assinalam.

Na avaliação das organizações, as decisões do juiz Murilo Lemos é mais um passo em favor da impunidade que tem sido a marca da atuação do Judiciário paraense em relação aos crimes no campo no Estado.

Federalização do processo

As entidades esperam que o inquérito aberto pela Polícia Federal possa avançar na identificação de outros acusados pelos crimes, bem como na apresentação de novos elementos de prova em relação aos já indiciados pela Polícia Civil.

Familiares das vítimas e representantes dos movimentos sociais vão solicitar, caso não haja mudanças na condução do processo por parte do Judiciário paraense, que o Ministério Público Federal proponha junto à Procuradoria da República o pedido de federalização do processo que apura a assassinato do casal de extrativistas.

Eles entendem que a atuação do Judiciário, através da ação do juiz Murilo Lemos, não tem contribuído para a prisão rápida dos responsáveis, comprometendo o prosseguimento da ação penal.

- Na esfera federal, espera-se que a apuração seja mais ampla e que todos os responsáveis sejam devidamente identificados e presos, dando dessa forma a tranquilidade necessária para o prosseguimento da ação penal.

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No Acre, TRE absolve governador e senador de abuso de poder econômico

Altino Machado às 8:37 am
César Messias, Tião Viana, Jorge Viana e Edvaldo Magalhães

César Messias, Tião Viana, Jorge Viana e Edvaldo Magalhães

Após nove horas de julgamento, os juízes do Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) decidiram na noite desta segunda-feira (26) pela improcedência da ação em que o Ministério Público Eleitoral (MPE) pedia a cassação do registro ou diploma do governador Tião Viana (PT), do vice-governador César Messias (PP), do senador Jorge Viana (PT) e do candidato derrotado ao Senado Edvaldo Magalhães (PCdoB).

O juiz federal Marcelo Basseto, relator do processo, rechaçou as acusações de que os políticos da coligação Frente Popular do Acre teriam cometido abuso de poder econômico, abuso de poder político, uso indevido e abuso de meios de comunicação.

A desembargadora Eva Evangelista declarou sua suspeição e retirou-se do plenário. Sob a alegação de que que não foram produzidas em juízo, Basseto desconsiderou as provas que foram apresentadas.

O relator também não levou em conta as perícias da Polícia Federal porque não seguiram trâmites do Código de Processo Civil. Basseto votou pela improcedência da ação e foi acompanhado pelos demais juízes.

O resultado do julgamento poderia ter sido diferente caso tivessem sido apresentadas as escutas telefônicas da Polícia Federal, feitas com autorização judicial durante a campanha eleitoral.

Porém, os juízes do TRE-AC já haviam julgado como ilegais as escutas telefônicas envolvendo políticos, empresários, membros do governo, TRE e do Tribunal de Contas do Estado do Acre.

Várias escutas telefônicas foram feitas a partir do disque denúncia criado e fartamente divulgado pelo próprio TRE-AC para envolver a sociedade no combate aos crimes eleitorais no Estado.

Foto: Sérgio Vale/Divulgação

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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Justiça confirma: plantio de cana em área indígena não deve ter financiamento público

Altino Machado às 1:25 pm

A Justiça negou pedido da Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul (Famasul) para que o Ministério Público Federal (MPF) fosse impedido de enviar às instituições financeiras recomendação contra financiamentos públicos para plantio de cana em áreas reconhecidas como de tradicional ocupação indígena.

Expedida em setembro do ano passado, a recomendação do MPF foi dirigida ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil e Itaú. A recomendação visa apenas as áreas identificadas pelo governo federal, que  representam pouco mais de 749 mil hectares, cerca de 2,09% da área total do Estado.

Áreas reconhecidas oficialmente pelo governo federal como territórios indígenas, ou sob litígio judicial, não poderiam servir de garantia para o débito uma vez que os títulos são nulos nos termos do Artigo nº 231 da Constituição Federal. A recomendação lista 39 áreas nesta situação em Mato Grosso do Sul.

Segundo MPF, a não concessão de financiamentos nestas áreas visa acautelar o poder público de eventuais prejuízos ao aceitar como garantia áreas que posteriormente sejam reconhecidas como indígenas.

As áreas apresentam demandas judiciais que podem acarretar a perda da propriedade e a consequente perda de todos os recursos públicos neles investidos.

Trata-se de mera transposição para a esfera pública da cautela utilizada pelo cidadão comum ao adquirir bens ou conceder créditos, para os quais exige-se garantia real.

A ação ajuizada pela Famasul cita especificamente a recomendação enviada ao Banco Itaú, que tinha financiamento contratado com a Usina Nova América, de Caarapó, no sul do Estado, supostamente de mais de R$ 200 milhões.

O Banco Bradesco também financia fornecedores da Usina Nova América com recursos do FAT/BNDES para plantio.

Ambos disponibilizam recursos públicos para plantio de cana na fazenda Santa Claudina e São Sebastião do Ipacaraí, que incidem sobre a Terra Indígena Guaryroka, também em Caarapó.

Fornecedora da Coca-Cola está irregular

A Usina Nova América pertence à multinacional Raizen, fruto da fusão dos grupos Shell e Cosan. A empresa, uma das principais fornecedoras da Coca-Cola no país, recentemente anunciou a conquista da certificação Bomsucro, que garante critérios sustentáveis na produção de cana e derivados e é exigida pela União Européia.

A Raizen quer a certificação estendida para todos os fornecedores, o que inclui a Nova América. Entre os critérios utilizados para a certificação está o respeito aos direitos humanos –direitos indígenas incluídos– o que contrasta com a utilização de matéria-prima vinda de uma área que foi reconhecida como terra Indígena pelo governo federal em outubro de 2009.

- Tal prática também se opõe às diretrizes de sustentabilidade do grupo Raizen - assinala o MPF.

Quando for demarcada, a Terra Indígena Guaryroka terá 11,4 mil hectares e será ocupada por indígenas da etnia guarani-kaiowá. Atualmente, a comunidade aguarda o desfecho do caso em uma pequena área de aproximadamente 50 hectares, no município de Caarapó.

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TRE julga processo que pede cassação de senador e governador do Acre

Altino Machado às 10:11 am

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre  (TRE-AC) julga na tarde desta segunda-feira (25) uma ação de investigação judicial eleitoral em que o Ministério Público Eleitoral (MPE) pede a cassação do registro ou diploma do governador Tião Viana (PT), do vice-governador César Messias (PP), do senador Jorge Viana (PT) e do candidato derrotado ao Senado Edvaldo Magalhães (PCdoB).

Os quatro políticos são acusados de se beneficiarem de seu poderio econômico e político. Eles teriam cometido abuso de poder econômico, abuso de poder político, uso indevido e abuso de meios de comunicação social.

O MPE acusa os irmãos Viana, Messias e Magalhães de uso de servidores públicos em várias ações na campanha, sempre convocados por seus chefes e superiores, constrangimento de autoridades, engajamento articulado do empresariado local para obtenção de contratos futuros, esquema de financiamento de campanha, convocações de trabalhadores de empresas dependentes da administração estadual e municipal para reuniões e atos de campanha.

Na acusação de abuso de meios de comunicação, de acordo com o MPE, a ação comprova os fatos por meio do uso indevido do Sistema Público de Comunicação para privilegiar os candidatos da chapa majoritária da coligação Frente Popular do Acre, além de divulgação de pesquisas sem registro e direcionamento da linha editorial de vários veículos.

O MPE afirma que os veículos fazem parte de grupos empresariais que também mantém contratos com a administração pública, gerida atualmente pelo mesmo grupo político dos candidatos eleitos pela coligação.

O TRE-AC não tem tradição de condenar políticos do Estado. Mas, caso sejam condenados, os representados poderão ter o registro de candidatura ou diplomas cassados, além de serem declarados inelegíveis pelo prazo de oito anos.

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domingo, 24 de julho de 2011

O enigma do Jabuti gay

Altino Machado às 7:30 am

POR JOSÉ RIBAMAR BESSA FREIRE

A diversidade explodia em toda a natureza. Naquele dia, nem a meteorologia escapou: chovia, mas ao mesmo tempo fazia sol. Era o casamento da raposa. Todo mundo se preparava para a festança. O salão de beleza “Por um fio”, cujas paredes tinham as sete cores do arco-iris, estava bombando, cheio de bichos e bichas, cada um esperando a vez de ser atendido pelo Jabuti, o cabeleireiro, sob cuja carapaça salpicada de purpurina se escondia uma sensível alma de libélula.

O quelônio trabalhou como nunca. Fez escova progressiva na cauda peluda da raposa, alisando-lhe os cabelos. Pintou as unhas do Tamanduá com esmalte cremoso de duas cores da moda – o azul aviador e o verde militar. Tingiu com tintocil as sobrancelhas, os cílios, o bigode, a barba e os pêlos pubianos do Chipanzé, da espécie bonobo. Quando aplicava manteiga de karitê na plumagem do Cisne Negro, entrou no ar o Tele-Jornal da Floresta anunciando um fato que comocionou todo o salão de beleza.

Segundo a notícia, sete humanos ferozes deceparam a orelha direita de um trabalhador autônomo de 42 anos e agrediram um rapaz de 18 anos, porque ambos estavam abraçados na Exposição Agropecuária de São João da Boa Vista, a 216 quilômetros de São Paulo. Os pitboys pensavam que se tratava de um casal gay. Mas eram apenas pai e filho. O pai, com a orelha decepada, contou:

- Eles ficavam provocando, falavam pra gente se beijar na boca, achando que a gente era gay. E se  fôssemos gay? Qual o problema?

O problema – segundo um dos pitboys, que se sentiu enganado porque queria dar porrada em bichas e não num pai de família – é que o homossexualismo deve ser combatido porque é contra a natureza. A prova é que a relação sexual entre fêmea e fêmea ou entre macho e macho não gera descedentes, não perpetua a espécie. Homem com homem dá lobisomem. Mulher com mulher dá jacaré. O homossexualismo é um desvio moral, é algo errado, que deve ser corrigido com porrada, conforme os padrões educativos recebidos e transmitidos pelo deputado Bolsonaro.

O Burro e a Anta

Os bichos todos queriam saber se o homossexualismo era mesmo contra a natureza.

– Claro que não – disse o Jabuti, dando uma reboladinha, revirando os olhos e ajustando ainda mais as alcinhas de sua blusinha apertada.

Mas o Burro, fanático, discordou, jurando que bicha burra nascia morta. Por isso, o Jabuti, cuja inteligência era reconhecida em toda a floresta, propôs um enigma, uma adivinhação:

- O que é o que é: se alguém sai da toca, pra correr na floresta, quem se sente acuado, vira bicho encapetado, ruge que nem leão, pensa como burrinha, ataca que nem serpente e cisca como galinha. O que é?

Para matar a charada, o Jabuti chamou um sábio - o Doutor Coruja, pesquisador sênior, dono de um quilométrico Currículo Lattes. Encomendou dele uma pesquisa científica séria, objetiva e isenta, exigindo a publicação do resultado, doesse a quem doesse.

Dr. Corujão, o bofe dos bofes, conseguiu recursos da FAPEF (Fundo de Amparo à Pesquisa Elaborada na Floresta), e começou seu trabalho fichando o livro do biólogo Bruce Bagemihl, intitulado “Biological Exuberance: Animal homosexuality and Natural Diversity”, no qual se baseou para responder as inquietações do mundo animal. Depois, instigado pelas perguntas do Jabuti, observou o comportamento dos bichos que estavam no salão de beleza.

- Tem macaco boiola? – perguntou o quelônio.

O Doutor Coruja analisou, então, o mundo dos chipanzés. Descobriu que as relações homossexuais eram freqüentes entre os primos do ser humano. Os bonobos, por exemplo, conhecidos como “macacos hippies”, transam adoidado, macho com macho, fêmea com fêmea.

A Anta, que era mais burra que o burro, não entendeu:

- Se não podem procriar, então por que transam? Ela obtemperou – antas, apesar de antas, também obtemperam – que não fazia o menor sentido a existência de um casal que não pode ter filhos e que isso em nada contribuía para a evolução das espécies. Qual era a utilidade dos perobos e dos fiu-fius no mundo animal?

Com ajuda do Power-Point, o Dr. Coruja respondeu que os chipanzés transam com indivíduos do mesmo sexo para resolver conflitos, pedir desculpas, parabenizar o parceiro ou só pelo prazer, sem sentimento de culpa, porque nunca ouviram o discurso do Papa. Esse fato torna os chipanzés menos agressivos e mais sociáveis.

O emérito pesquisador citou artigo de sua autoria “Trends in Ecology and Evolution”, no qual destaca a importância do homossexual para a evolução das espécies animais. Exemplificou com vários casos: a hiena com alto índice de lésbicas, a cacatua australiana com quase a metade dos casais formados por indivíduos do mesmo sexo e as fêmeas do Albatroz do Havaí, quase todas “sapatonas”, que se unem a outras fêmeas justamente para poderem criar seus filhotes, com muito mais sucesso do que as fêmeas que são mães solteiras. Concluiu que esse não é o único caso em que a homossexualidade ajudou a sobrevivência das espécies.

A raça humana

Empolgado com o avanço da pesquisa, o Jabuti perguntou se existia golfinho gay, já que o simpático Flipper, da série de televisão, levava o maior jeito de quem saiu do aquário e soltou a franga. Depois de profundas pesquisas, o Dr. Corujão revelou que o golfinho-nariz-de-garrafa é bissexual, mantendo o mesmo número de relações hétero e homossexuais. A relação homossexual e a troca de carícias permite alianças duradouras e fortalece a amizade entre o casal.

Finalmente o Jabuti revelou que seu grande sonho era ser um Cisne Negão, porque a-do-ra-va aquela plumagem acetinada. O Dr. Coruja informou que existe uma alta incidência de gays entre os cisnes negros. Cerca de 25% deles escolhem outros machos para parceiros e com eles convivem a vida toda, pois são monogâmicos.

- E os filhos? Se não podem ter filhos, a espécie se extingue – insistiu a Anta-de-tênis.

O Dr. Coruja explicou, então, que para terem filhos, membros de casais de machos têm relações convencionais com fêmeas. Assim que elas põem os ovos, recebem um pontapé na bunda, os dois machos vão juntos cuidar dos ovos delas, até o nascimento do cisninho júnior. A hipótese do pesquisador é que quando os dois cisnes gays somam as suas forças conseguem defender melhor o seu território. “O resultado é que, em média, filhos de casais gays tem mais chances de sobreviver”.

A pesquisa do Dr. Coruja detectou cinco variedades de comportamento que se aproximam daquilo que os humanos chamam de homossexualidade. No reino animal, os indivíduos do mesmo sexo dão desmunhecadinhas jogando charme para conquistar parceiro, se exibem, fazem carinhos mútuos, se beijam, realizam casamentos duradouros e, em muitos casos, criam filhotes nem sempre com o envolvimento da dupla papai-mamãe, além, é claro, de furunfarem adoidado.

O Dr. Coruja comprovou ainda a existência de comportamentos homossexuais em mais de 500 espécies de animais e revelou que é indiscutível a existência de certos processos de atração entre indivíduos do mesmo sexo no mundo animal. Ele chamou a atenção para o fato de que os comportamentos variam muito de uma espécie a outra e que a homossexualidade dos outros animais não deve ser entendida como idêntica à humana. Concluiu, apenas, que a homossexualidade não pode ser considerada um crime, nem uma doença, mas algo tão natural quanto a heterossexualidade. O argumento de que a bichice é contra natura não tem, portanto, qualquer fundamento científico.

Antes de matar a charada, o Jabuti perguntou:

- O Cisne Negro é duplamente agredido, por ser cisne e por ser negro?

O Dr. Corujão disse que não, que não observara homofobia nem racismo entre os animais, nem incentivo ao ódio, à discriminação e à intolerância. Nenhum bicho homo faz proselitismo com os heteros, mas também nenhum hetero quer impor seu modelo através da violência. Foi aí que o Jabuti decifrou o enigma:

- Ah, então, os animais são muito mais civilizados que os seres humanos, porque só matam por necessidade. Os selvagens são esses pityboys que decepam orelhas de um indivíduo da mesma espécie, atacam gays na Avenida Paulista, esfolam e matam como fizeram com o cabeleireiro Donizete, em Barretos (SP) e não sabem conviver com a diferença e a diversidade – essa sim a matriz da sobrevivência das espécies.

O professor José Ribamar Bessa Freire coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO). Escreve no Taqui pra ti.

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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Em junho, Amazônia reduziu desmatamento em 42%, diz Imazon

Altino Machado às 3:00 pm

O Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e do Meio Ambiente  da Amazônia (Imazon) detectou 99 km² de desmatamento (supressão total da floresta com exposição do solo) na Amazônia Legal em junho deste ano. Houve redução de 42% em relação a junho do ano passado quando o desmatamento somou 172 km².

Dos 99 km² de desmatamento na Amazônia Legal no mês passado, 45% ocorreu no Pará, seguido por Mato Grosso (25%), Amazonas (20%) e Rondônia (10%). Os municípios mais desmatados foram Altamira (PA), Peixoto Azevedo (MT) e Apuí (AM).

Foram monitorados pelo SAD 65% da área florestal na Amazônia Legal. Os outros 35% do território estavam cobertos por nuvens.

A maior dificuldade de monitoramento envolveu os estados de Roraima e Amapá, que tiveram mais de 75% da área florestal coberta por nuvens. A parte do Maranhão que integra a Amazônia Legal não foi analisada.

O desmatamento acumulado no período de agosto de 2010 a junho de 2011, correspondendo aos onze primeiros meses do calendário atual de desmatamento, totalizou 1.534 km².

Segundo o Imazon, houve um aumento de 15% em relação ao período anterior (agosto de 2009 a junho de 2010) quando o desmatamento somou 1.334 quilômetros quadrados.

As florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 193 km² em junho de 2011. Desse total, 44% ocorreu em Mato Grosso, seguido pelo Pará (28%), Rondônia (21%), Amazonas (6%), e Acre (1%).

A degradação florestal acumulada no período de agosto de 2010 a junho de 2011 totalizou 6.274 km². Em relação ao período anterior (agosto de 2009 a junho de 2010) houve aumento expressivo (266%) quando a degradação florestal somou 1.715 km².

Em relação a situação fundiária, em junho de 2011, a maioria (62%) do desmatamento ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse.

O restante do desmatamento foi registrado em Assentamentos de Reforma Agrária (22%), Unidades de Conservação (15%) e Terras Indígenas (1%).

O SAD registrou 22 km² de desmatamento nos Assentamentos de Reforma Agrária. Os assentamentos mais afetados foram Rio Juma (Apuí; Amazonas), Terra Nossa (Altamira; Pará), e Monte (Lábrea; Amazonas).

Foi detectado 14 km² de desmatamento nas Unidades de Conservação APA Triunfo do Xingu (Pará), APA do Tapajós (PA), e Resex Jaci Paraná (RO).

Carbono

O desmatamento detectado pelo SAD em junho de 2011 comprometeu 6,6 milhões de toneladas de CO² equivalente, o que representa uma redução de 39% em relação a junho do ano passado.

No acumulado do período (agosto 2010 - junho 2011) o desmatamento comprometeu 90,5 milhões de toneladas de C0² equivalentes e representou um aumento de 3,8% em relação ao período anterior (agosto de 2009 a junho de 2010).

- Isso sugere que o desmatamento esse ano está ocorrendo em áreas com menores estoques de carbono florestal - assinala o Imazon.

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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Acre lança plano de prevenção, controle e combate às queimadas

Altino Machado às 3:52 pm
Governador Tião Viana

Governador Tião Viana

Seis anos após o megaincêndio que afetou quase 500 mil hectares de florestas, o governador do Acre, Tião Viana (PT), apresentou nesta segunda-feira (18), em Rio Branco, o Plano Integrado de Prevenção, Controle e Combate às Queimadas no Estado.

A logística para combater os incêndios florestais durante a estiagem deste ano na região prevê a participação de 25 técnicos e de uma frota de 14 veículos utilitários do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) e do Ibama.

De acordo com o plano, em caso de uma situação emergencial, serão disponibilizados todos os veículos existentes no Imac. Em situação extrema, os veículos serão distribuídos da seguinte forma nas regionais: oito no Baixo Acre, onde se situa a capital, dois em Tarauacá-Envira e dois no Juruá.

O Ibama vai selecionar, capacitar e contratar 30 brigadistas para atuarem no controle e combate às queimadas nos municípios de Sena Madureira e Cruzeiro do Sul.

Para Rio Branco, a capital, que apresenta maior número de queimadas, nas áreas urbana e rural, serão disponibilizados apenas dois veículos utilitários, além de quatro veículos do Imac no interior do Estado.

Embora as queimadas se repitam anualmente em Rio Branco, o pelotão de combate a incêndios florestais opera com apenas quatro homens do Corpo de Bombeiros no plantão.

Os bombeiros dispõem de um caminhão para combater os incêndios florestais que avaliam como realmente graves na cidade. Em tese, o caminhão deveria ser operado por sete homens, mas o efetivo do Corpo de Bomeiros do Acre é de apenas 300 homens, incluindo o pessoal de apoio administrativo.

Rio Branco, que possui 154 bairros, além de invasões e loteamentos clandestinos, concentra 40% da população de 733 mil habitantes do Estado. Os bombeiros não dão conta de atender dezenas de chamados que são feitos diariamente pela população.

Na zona rural de Rio Branco os Polos Agroflorestais e Projetos de Assentamento somam aproximadamente 89 mil hectares. A área área rural do município totaliza 870 mil hectares.

A Comissão Estadual de Gestão de Riscos Ambientais propôs um plano de trabalho para fiscalização das áreas urbanas da capital, o que inclui atendimento de denúncias de queimadas e monitoramento diário nos bairros.

O governador disse que as dificuldades logísticas terão podem ser superadas com a mobilização da população rural e urbana. Ele recomendou que em toda as áreas de risco parte dos moradores seja treinada para colaborar no combate ao fogo.

- É inadmissível, por exemplo, que os grandes pecuaristas se limitem a esperar a ação do poder público para combater queimadas em suas propriedades. Cada um pode montar um plano de prevenção, controle e combate às queimadas em suas proprieades - afirmou.

Viana autorizou a abertura de licitação, no valor de R$ 1 milhão, para aquisição sete camionetes e sete conjuntos de equipamentos e materiais permanentes para fortalecimento dos grupamentos de proteção, educação e combate a incêndios florestais em Cruzeiro do Sul, Brasiléia, Sena Madureira e Rio Branco.

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domingo, 17 de julho de 2011

Dois exemplos de fracasso da escola

Altino Machado às 9:16 am

POR JOSÉ RIBAMAR BESSA FREIRE

Duas cidades - Ijuí (RS) e Dourados (MS) - foram palco de recentes presepadas que até o diabo duvida e nem Deus perdoa. Seus moradores não mereciam a vergonha pela qual passaram. Por sorte, conheço ambas, habitadas por gente fina, cordial e hospitaleira. De um lado, Ijuí que tem 80 mil habitantes, um museu antropológico decente, uma boa universidade - UNIJUI, e um diário – o Jornal da Manhã. De outro, Dourados com 200 mil habitantes, uma universidade federal – a UFGD, e um jornal - O Progresso.

O Jornal da Manhã exibe legítimo orgulho por seu filho ilustre, o futebolista brasileiro Carlos Caetano Bledorn Verri, mais conhecido como Dunga. Já O Progresso tem motivos de sobra para enaltecer a cantora Vera Capilé, que nasceu em Dourados numa família de seresteiros, com quem aprendeu a tocar piano, acordeom, viola de cocho, bruaca, pandeiro, adufo, ganzá e o que mais se apresentar.

Os dois jornais, no entanto, por ignorância ou interesse, se envergonham de fatos históricos dos quais deviam se orgulhar. O Jornal da Manhã não quer assumir, por exemplo, em suas páginas coloridas, que a região foi, durante séculos, compartilhada por Guarani, Kaingang e Charrúa, senhores do território banhado por um rio, cujo nome dado pelos índios -  Ijuhy -  significa, em língua guarani, rio de águas claras.

Quando se refere ao município como “terra das culturas diversificadas”, o Jornal da Manhã menciona apenas os colonizadores europeus, deixando de fora os africanos trazidos como escravos pelos espanhóis e portugueses. Registra, com justificada alegria, a chegada posterior de alemães, italianos, poloneses, austríacos, holandeses, suecos, russos, franceses, lituanos, ucranianos e árabes, mas omite, surpreeendemente, os índios que deram o nome à cidade, ou os trata apenas como “coisa de um passado remoto”.

A charge do Getúlio

Acontece que os índios de Ijuí, embora expulsos de grande parte de seu território, não são peças do passado, estão cada dia mais vivos. A prova é o Coral Infantil Guarani Mbya da aldeia Koenju de São Miguel das Missões, que no final de maio cantou suas músicas no aniversário de 50 anos do Museu de Antropologia, quando houve também o lançamento do filme Bicicletas de Nhanderu, dirigido por dois índios – Patrícia e Ariel, do grupo Vídeo nas Aldeias. Da mesma forma, os velhos sábios Kaingang apresentaram seus mitos através do Grupo de Canto Kanhgág Kanhró, da Comunidade de Serrinha.

Não é essa, porém, a imagem dos índios - produtores de cultura e de saberes – que foi projetada pelo Jornal da Manhã, o diário de maior circulação no noroeste do Rio Grande do Sul, em cuja página editorial pontifica Getúlio, autor de uma charge publicada na terça-feira, dia 19/04/2011. Uma vergonha cometida no Dia do Índio, comemorado em plena Semana da Páscoa.

Nesse dia, a charge “O Coelhinho na Rodoviária” mostra um ônibus chegando na Estação de Ijuí. Na porta dianteira aberta, um coelho com um enorme ovo de páscoa, olha o cenário: índios bêbados caídos na sarjeta, índias maltrapilhas vendendo artesanato, com suas crianças deitadas num chão imundo, no meio do lixo. Getúlio, então, diz através da boca do coelho, que tapa o nariz: “Esse mau cheiro não é de chocolate!”.  Morri de vergonha quando vi o desenho, que me foi mostrado por uma universitária Kaingang, indignada, em recente visita a São Leopoldo.

Nessa época do ano, famílias indígenas costumam vir à cidade “não somente para trocas econômicas, mas para trocas interculturais” como escreveu Dulci Matti, no boletim Kema do Museu Antropológico. É verdade que elas costumam pernoitar na rodoviária ou acampam em terrenos baldios da cidade, em barracas de lona preta, sem qualquer infraestrutura. Por isso mesmo, Dulci Matti defende que as diversas instituições de Ijuí devem se articular para “garantir atenção e benefício aos índios, que também são filhos desta terra”.

Não é o que pensa o chargista, cuja mensagem reforça o preconceito contra os índios, tratados como “preguiçosos e fedorentos”. Getúlio é um exemplo vivo do fracasso da escola, uma fábrica de ignorantes, que não lhe ensinou quem são os índios. Ele certamente não deve ter visto as exposições do Museu Antropológico Diretor Pestana, com um acervo de quase 30.000 peças, inclusive de 134 sitios arqueológicos da região do Vale dos Sinos, nem participou das palestras, informando sobre a contribuição das culturas indígenas para a riqueza cultural e a formação histórica de Ijui.

Créu no réu

Outro exemplo do fracasso da escola é o advogado criminalista Isaac Duarte Barros, que escreve no jornal O Progresso, de Dourados, onde vomitou suas fantasias holywoodianas da década de 1940. Ele publicou um artigo em dezembro de 2008, intitulado “Índios e o retrocesso”, assegurando que os índios “se assenhoram das terras como  verdadeiros vândalos, cobrando nelas os pedágios e matando passantes assim como faziam os ladrões assaltantes, emboscados nas estradas do passado”. Defendeu que os povos indigenas estão condenados a desaparecer, uma vez que “a civilização indígena não deu certo” e por isso “foi conquistada pela inteligência dos brancos”.

O coordenador regional do CIMI, Egon Heck, considerou o artigo do advogado como “afirmação de racismo explícito, de intencionalidade etnocida e genocida”, considerando que é na região de Dourados onde vive a maior população indígena do Estado e onde morrem mais índios por assassinato ou suicídio. Os povos Terena, Kaiowá e Guarani foram escorraçados de grande parte de suas terras, batizadas com nomes indigenas: Maracaju, Ponta Porã, Nioaque, Guaçu, Macaúba, Panambi, Itaum, Itaporã.

No período colonial, bandeirantes portugueses e colonos espanhóis andaram escravizando os índios. Depois da Guerra do Paraguai, em 1870, começou a nova onda migratória. Chegaram os paulistas e os gaúchos, fugindo da revolução federalista. Vieram sírios, libaneses, japoneses, paraguaios e toda essa mistura é o que caracteriza o povo de Dourados.

O que foi que Isaac aprendeu, desaprendeu ou não aprendeu no Curso de Direito que fez? No caso dele, o procurador da República Marco Antonio de Almeida, depois de receber denúncia dos índios, entrou com ação, processando-o. Ele foi condenado nessa semana pela Justiça Federal de Dourados a dois anos de reclusão pelo crime de preconceito contra os índios, numa decisão inédita em Mato Grosso do Sul.  A sentença foi trocada por serviço prestado a alguma entidade.

É pouco. A sociedade brasileira, institucionalmente, devia fazer com Isaac aquilo que a Norma está fazendo com o Léo na novela “Insensato Coração”: fazê-lo pedir perdão aos índios pelo crime cometido. E isto porque o advogado do advogado, André Borges Neto, escolhido pela OAB-MS para defender Isaac, recorreu ao Tribunal Regional Federal, argumentando que “não houve crime, o que houve foi o exercício prático de liberdade de expressão”. A OAB local teve o desplante de publicar nota considerando a sentença “injusta e arbitrária”.

Ou seja, se defende o direito que tem o criminalista Isaac para chamar os índios de “bugrada”, de “malandros e vadios”. O procurador da República Marco Antonio declarou que Isaac de Barros teve oportunidade de se retratar, mas não o fez. Por isso, além dessa ação criminal, corre uma ação cível em que o Ministério Público pede indenização equivalente a um salário mínimo por cada indígena habitante no Estado de Mato Grosso do Sul.

De repente, pode ser altamente educativo para o país se Isaac continuar recorrendo até o STF, só para acompanharmos sua condenação final, com o voto do ministro Ayres Brito, que seguramente dará um creu no réu. Será educativo para as escolas brasileiras acompanharem esse processo, considerando a Lei 11.645 de 2008, que torna obrigatória a temática indígena em sala de aula. Quem sabe, assim, a gente consegue evitar a vergonha e o vexame causados pelos Getúlios e Isaaques da vida.

O professor José Ribamar Bessa Freire coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO).

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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Em RO, líder indígena é ameaçado de morte

Altino Machado às 8:34 pm

Ivaneide Bandeira e Ercias Rodrigues

O Ministério Público Federal (MPF) em Rondônia vai cobrar do governo estadual, da Polícia Federal e do Ibama informações sobre a proteção de pessoas ameaçadas de morte em decorrência de conflitos agrários e relacionados à defesa do meio ambiente.

O procurador regional dos Direitos do Cidadão, Ercias Rodrigues, recebeu nesta sexta-feira (15) Ivaneide Bandeira, mulher do líder indígena Almir Suruí, ameaçado de morte por madeireiros da região. A etnia suruí habita a Terra Indígena 7 de Setembro, no sudeste de Rondônia e noroeste de Mato Grosso.

Pouco conhecido no Brasil, Almir Suruí é reconhecido internacionalmente com vários prêmios por sua luta em defesa de sua etnia. Ele já chegou a denunciar à Organização dos Estados Americanos (OEA)  a exploração ilegal de madeira em terra indígena e luta pela integridade dos índios isolados. Várias vezes se manifestou contra a construção das hidrelétricas do Rio Madeira.

O procurador prometeu cobrar do governo estadual o cumprimento do Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos e também do Programa de Proteção a Vitimas e Testemunhas Ameaçadas (Provita).

O governo de Rondônia assinou convênio com o governo federal, em junho, para a execução dos programas.

- É preciso pressa na implantação destes programas porque as situações de conflito podem se ampliar e não queremos que Rondônia repita o caso trágico do Adelino Ramos - disse o procurador, lembrando o assassinato do líder camponês em maio deste ano.

Ercias Rodrigues informou que cada pessoa ameaçada de morte terá um inquérito civil público específico no MPF.

Em relação ao caso de Almir Suruí, o procurador disse que vai cobrar fiscalizações da Polícia Federal e do Ibama na terra indígena Suruí.

As investigações devem abordar não só a retirada de madeira da área, mas também o aliciamento de indígenas para colaboração na prática ilegal e entrega de armas de fogo aos índios.

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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Articulista é condenado à prisão por crime de racismo contra indígenas no Mato Grosso do Sul

Altino Machado às 4:45 pm

O advogado e articulista Isaac Duarte de Barros Júnior foi condenado pela Justiça Federal do Mato Grosso do Sul a dois anos de reclusão pelo crime de racismo contra etnia indígena. A sentença é inédita no Estado que abriga a segunda maior população indígena do país.

A Justiça aceitou os argumentos do Ministério Público Federal (MPF) contra o advogado, autor de um artigo publicado no jornal O Progresso, de Dourados (MS), em dezembro de 2008, com termos ofensivos aos indígenas da região.

Sob o título “Índios e o Retrocesso”,  o articulista utilizou os termos “bugrada” e “malandros e vadios” para referir-se aos indígenas. Afirmou, ainda, que eles “se assenhoram das terras como verdadeiros vândalos, cobrando nelas os pedágios e matando passantes”.

O MPF ajuizou duas ações na Justiça Federal contra Isaac Júnior, sendo uma penal e outra por danos morais, em que é exigida reparação que pode passar de R$ 30 milhões. A ação por danos morais, que estava suspensa, deve voltar a tramitar após a sentença.

O advogado e articulista foi condenado com base no artigo 20 da Lei 7.716/89, que define os crimes de preconceito de raça ou cor.

- A dignidade da pessoa humana, base do estado democrático de direito, prevalece sobre qualquer manifestação de pensamento que incite ao preconceito ou à discriminação racial, étnica e cultural - afirma o juiz na sentença, destacando que a liberdade de expressão não é uma garantia absoluta.

Em outro trecho do artigo, Isaac Júnior criticou a cultura indígena: “A preservação de costumes que contrariem a modernidade são retrocessos e devem acabar. Quanto a uma civilização indígena que não deu certo e em detrimento disso foi conquistada pela inteligência cultural dos brancos, também é retrógrada a atitude de querer preservá-la”.

No artigo, o advogado também se mostrou contrário ao respeito à organização social, à cultura, crenças e tradições indígenas, mandamento constitucional confirmado como cláusula pétrea: “Em nome da razão e dos avanços culturais modernos civilizados, os palacianos parlamentares brasileiros deveriam retirar imediatamente a tutela constitucional exercida comodamente sobre os costumes ultrapassados dos índios aculturados”.

O articulista também se insurgiu contra o processo de demarcação de terras indígenas em Mato Grosso do Sul: “O que necessitamos, com maturidade responsável, é dar urgente finalidade social e produtiva a todos os quinhões brasileiros, inclusive aqueles ocupados por índios malandros e vadios”.

Culpa da TV

Chamado a explicar-se perante a 1ª Vara da Justiça Federal de Dourados, o articulista negou o que havia escrito e atribuiu suas ideias a um avô e a programas de TV, afirmando que “os donos da terra são os silvícolas e deve haver uma distribuição de terras aos indígenas(…) que ao seu ver bugre é bandido, índio não”.

As alegações não foram aceitas pela Justiça: “Observa-se a tentativa do acusado em ludibriar esse juízo (…) Como pode uma pessoa com formação intelectual, escrever sobre questões indígenas e desconhecer o real significado dos termos por ele próprio utilizados?”.

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Médicos, diplomas estrangeiros e demandas sociais no Acre

Altino Machado às 7:30 am

POR THOR DANTAS

Há um debate relevante ora em curso na sociedade acreana que merece considerações lúcidas. Como é comum em temas que mobilizam muita energia e interesses diversos, os diferentes atores envolvidos costumam introduzir bastante tendenciosidade em seus respectivos argumentos, confundindo, em uma leitura unilateral, o entendimento ideal da questão.

De início, é importante distinguir os problemas postos. A questão da falta de médicos talvez seja a primeira a merecer reflexão, uma vez que costuma ser a motivadora da(s) questão(ões) seguinte(s). Um debate antigo porém atual é a dicotomia entre a falta versus a má distribuição dos profissionais médicos no país. Parece hoje claro que além da distribuição desigual, fato historicamente incontestável, o número é também ainda insuficiente.

Segundo uma análise dos médicos em atividade pela população estimada, o Brasil exibe um quociente em torno de 1,8 médicos para cada 1.000 habitantes. Esse número é cerca de 0,8 na África do Sul, 0,9 no Peru, 1,1 no Chile, 1,2 na Bolívia, 1,9 no Canadá, 2,1 no Japão, 2,3 na Inglaterra, 2,7 nos EUA e na Argentina e 3,5 na Alemanha e em Portugal, para citar alguns exemplos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) contabiliza uma média de 2,3 para as Américas, 3,3 para a Europa e menos de 0,5 para o continente Africano. A OMS categoriza ainda este quociente segundo a renda dos países sendo, em média: 2,8 para os de alta renda, 2,2 para os de renda média alta, 1,0 para renda média baixa e 0,4 para os de baixa renda.

Os dados, que nada dizem sobre a organização dos sistemas de saúde ou qualidade da assistência, falam por si só no que diz respeito à quantidade de profissionais médicos disponíveis. Reconhecendo a carência no país, o governo federal, através da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), do Ministério da Saúde (MS), em parceria com o Ministério da Educação (MEC), está lançando um Plano Nacional de Educação Médica, com diretrizes que pretendem, dentre outras, ampliar em 120 mil o número de médicos formados no país até 2020, objetivando alcançar a taxa de 2,5/1.000 na próxima década. Hoje, são formados cerca de 16 mil médicos por ano no país em 180 escolas e a meta inicial é de ampliação para 20 mil anuais. Este projeto é o primeiro a mapear uma carreira no Brasil e deverá ser estendido a outras profissões estratégicas para o desenvolvimento do país, como as Engenharias por exemplo.

A questão da desigualdade na distribuição dos profissionais médicos pelo território nacional, que agrava enormemente o problema, tem determinantes complexos. A solução para o provimento e fixação de médicos no interior, portanto, deve ter também solução multifatorial. A literatura propõe, em geral, medidas que passam por intervenções educacionais e regulatórias, incentivos diretos e indiretos e suporte social e profissional. No campo das intervenções educacionais destacam-se a política para os cursos de graduação em Medicina e os Programas de Residência Médica (PRM), pós-graduação lato sensu que se constitui no modelo padrão de especialização em Medicina, baseado em treinamento em serviço. É preciso pensar a distribuição da oferta de vagas de graduação e especialização equilibrada em relação às diferentes regiões do país. Os médicos se concentram assim como também se concentram as escolas e os PRM, este último em especial com gráfico de distribuição absolutamente superponível ao de profissionais em atividade. A implantação de um curso de Medicina no Acre, o penúltimo estado da federação a fazê-lo, foi, por isso, tratado à época pelo MEC e MS como uma necessidade social urgente.

Programa de reforço

Um curso de Medicina no estado potencializa a economia, atraindo estudantes de todas as partes do Brasil, faz evoluir nossa prática médica, constantemente desafiada pelo aprendiz, qualifica o ensino superior no estado, eleva a auto-estima do povo, permite ao acreano estudar em sua casa e, acima de tudo, provê o sistema de saúde local com médicos de uma forma impossível de ser feita apenas com a “importação” de profissionais. No início da gestão do atual governo, no auge da epidemia de dengue, a existência de um curso de Medicina no estado foi o que tornou possível a abertura imediata de mais quatro unidades de saúde, literalmente da noite para o dia, logo após a formatura da turma deste ano.

Considerando sua utilidade, um dos desafios postos ao curso de Medicina da UFAC é aumentar o número de vagas. Muitos colegas professores terão resistência à proposta, pois o trabalho para formar profissionais, especialmente médicos, é hercúleo, a remuneração pela atividade docente no Brasil é pífia, as condições previstas em projeto para implantação do curso, pelo MEC e pela própria administração da UFAC, nunca foram plenamente garantidas (e provavelmente as de ampliação também não serão), mas eu pessoalmente defendo que devemos “comprar a idéia” de dobrar o número de vagas em um horizonte próximo. Oitenta médicos formados a cada ano no estado seria uma contribuição enorme ao sistema de saúde local, e é nosso dever fazê-lo. Como já disse um sábio, de forma simples como só a sabedoria pode ser, o que tem que ser feito é o melhor a ser feito. Cabe planejar adequadamente as condições necessárias para esta expansão, e exigi-las, visando o não comprometimento da qualidade.

Os cursos de graduação provêem mais do que fixam, embora também o façam. Mas os PRM tem elevado poder de fixação, amplamente demonstrado na literatura. É o fator isolado que mais contribui para fixação de médicos em áreas distantes da sua. O Acre criou seus PRM ainda antes do curso de Medicina, como preparação para o mesmo. Hoje são ofertadas 36 vagas por ano em nove diferentes especialidades. Mais de 50% das vagas são preenchidas por egressos da UFAC, acreanos ou não, e dentre os que vem de outros estados fazer Residência Médica aqui, a depender da especialidade, em torno de 60% se fixam no Acre após o término de sua especialização. Hoje, 35% dos especialistas inscritos no CRM-AC se especializaram aqui, em nossos PRM.

Só um fator fixa mais do que a residência médica: ter nascido no local. Isso também é evidência científica já demonstrada. Por isso, uma medida que seria fortemente recomendada é o aumento do número de acreanos no curso e, melhor ainda, o aumento de acreanos dos municípios do interior. Hoje ¼ das vagas são preenchidas por acreanos. A forma de aumentar essa proporção pode variar enormemente e depender de valores políticos, filosóficos, religiosos, pragmáticos, etc. Cotas poderiam ser construídas para acreanos, egressos do ensino público, provenientes do interior do estado… e todas essas características poderiam somar pesos muito diversos na chance de entrar. Talvez o argumento mais defensável da política de cotas seja a reparação emergencial de injustiças historicamente acumuladas. Não há muita dúvida, no entanto, que se trata de medida apenas paliativa, transitória. A solução definitiva é inescapável: elevar a qualidade do candidato pertencente a qualquer destas categorias, para que ele possa disputar em pé de igualdade. Essa é a reparação histórica necessária em última instância. Desta forma não se criam alunos de segunda categoria, não se estimulam preconceitos. Resolve-se o problema de origem, sem criar outros.

Penso que o governo do estado deveria considerar fortemente a idéia de criar um programa de reforço para os alunos da rede pública estadual do ensino médio que tenham interesse, visando especificamente o curso de Medicina da UFAC. Poderiam ser identificados os melhores alunos em cada município e preparados de forma a elevarem suas chances de ingresso. Esta recomendação está baseada em sólida evidência científica. Lembro que um grupo de alunos da UFAC tem inclusive um projeto de extensão que dá aulas de graça a estudantes carentes do ensino médio do Acre com interesse no curso de Medicina. É um trabalho de formiguinha, mas sério e de qualidade. Outras iniciativas devem existir. Poderiam ser unificadas e potencializadas. Não faltariam ajudas neste processo. A academia está à disposição para contribuir no que lhe couber.

“Com diploma, mas sem registro”

Por fim, mas não menos importante, no campo da fixação, a existência de Planos de Carreira Profissionais, para além das intervenções educacionais, é uma medida internacionalmente reconhecida, de utilidade comparável aos PRM. É sempre lembrada a carreira do judiciário como garantidora de acesso à justiça em pequenos municípios e, na Saúde, deveríamos ser capazes de avançar rapidamente em idéias nesta direção. O SUS é extremamente iníquo na distribuição de atribuições, pois os municípios menores e mais distantes, e com menos recursos, são os que tem que praticar os maiores salários para atrair profissionais. Temos que repensar esse modelo, revendo o papel da gestão estadual como garantidora de equidade entre seus municípios. Uma carreira médica de base estadual, gerenciando salários e ascensão profissional de acordo com indicadores de interiorização, tempo de permanência e metas alcançadas, agregando supervisão pela academia e pelos PRM e incorporando para isso tecnologias hoje já existentes no estado como as de telemedicina, contribuiria enormemente para um sistema de saúde modelo e chamaria, certamente, a atenção de todo o Brasil.

Além da quantidade e da distribuição equânime de profissionais médicos interessa, ao mesmo tempo e na mesma proporção, a qualidade dos profissionais, sendo este um ponto onde alguns absurdos já foram ditos ao longo deste debate. Na falta de médicos e no afã de se suprir esta demanda já se propôs que é melhor ter um mau médico que médico nenhum. Vale a pena refletir: e um mau engenheiro é melhor que engenheiro nenhum? Maus engenheiros podem construir pontes que desabam pondo em risco a vida de muitos… Melhor não seria continuar atravessando o rio de balsa? Pois maus médicos podem matar mais fácil e rapidamente que a história natural de diversas doenças. Até mesmo serviços de saúde como um todo, incipientes e mal estruturados podem introduzir e disseminar problemas de saúde importantes na população como é o caso, por exemplo, da hepatite C, de elevadíssima prevalência na população acreana, o dobro da média nacional, e grandemente disseminada no passado por profissionais e serviços de saúde mal informados e mal estruturados. A isso chama-se iatrogenia, o mal que profissionais e serviços de saúde podem trazer às pessoas, e os exemplos na literatura são inúmeros.

A questão central é que esta não é uma dicotomia real. Não são opções mutuamente excludentes. Não podem ser. A proposta de maus médicos não é legítima e sua defesa é desonesta ou fruto de uma reflexão apressada e intempestiva. A necessidade de se decidir entre não ter nenhum médico ou ter um mau médico é indigno e não pode ser aceitável. Se queremos ser grandes e crescer com igualdade temos que propor qualidade a todos. Nossos esforços, tão preciosos, não podem ser desperdiçados com medidas inócuas ou, pior, com medidas que podem se mostrar danosas a curto, médio ou longo prazo. Em essência, qualidade, em cuidado de saúde, é tanto uma exigência pessoal inegociável quanto um fator essencial para a consolidação de um sistema de saúde qualquer.

A qualidade dos médicos formados em nosso país é motivo, por isso, de grande atenção por parte tanto dos ministérios da Saúde e Educação quanto das entidades reguladoras do exercício da profissão e estudiosas do ensino médico. A abertura de novas escolas médicas no Brasil, no passado muito feita sem critério algum que não o interesse financeiro, hoje sofre importantes exigências no sentido de garantir critérios mínimos aceitáveis de qualidade, dentre elas, por exemplo, a disponibilidade de campos de prática onde existam PRM associados aos serviços. O reconhecimento de escolas médicas no país está sujeito a avaliações sistemáticas pelo MEC, feitas através do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), desde 2004. O SINAES prevê avaliações de três componentes: a instituição mantenedora, o curso propriamente dito e os alunos, através do Exame Nacional do Desempenho do Estudante (ENADE). As avaliações são também de três categorias: de autorização, realizadas para o início do funcionamento do curso; de reconhecimento, realizadas na metade do percurso da primeira turma; e de renovação de reconhecimento, realizadas a cada 3 anos.

No ano passado 860 vagas foram fechadas em cursos de Medicina no país por avaliação insuficiente. Também o registro dos diplomas de alunos formados no Brasil, por escolas médicas não reconhecidas pelo MEC estão sendo negados e os recursos judiciais destes alunos também. Em síntese, a justiça tem reconhecido a legitimidade da norma legal que exige o reconhecimento pelo MEC para que uma instituição qualquer de ensino possa emitir um diploma que seja válido em território nacional. Isso significa que médicos formados no Brasil também estão sem CRM e isso, portanto, não é mais uma prerrogativa dos portadores de diplomas estrangeiros. Por mais que isso seja traumático, medidas desta natureza restritiva talvez sejam necessárias como um dos aspectos a contribuir para a evolução da qualidade dos médicos formados no país.

Aliás essa situação de “com diploma, mas sem registro”, além de não ser exclusividade da Medicina, é bem mais comum, por exemplo, no Direito que exige uma avaliação após o término da graduação, a prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para autorizar o exercício da advocacia. Tradicionalmente apenas 25% a 30% dos egressos de cursos de Direito no país são aprovados no exame da OAB, o restante não está autorizado a advogar, embora tenha diploma. Este ano a aprovação foi de apenas 10%. A OAB atribui o problema a má qualidade dos incontáveis cursos de Direito que existem no país. E não deixa de chamar atenção neste debate o fato de que não se ouve muito comumente a tese de que se deve facilitar a aprovação no exame da OAB a fim de termos mais advogados exercendo a profissão e assim contribuir para a melhoria dos graves problemas de acesso a justiça no país.

Sem panacéia

Se a qualidade é uma exigência inegociável em saúde e, por isso, nos tem obrigado a medidas cada vez mais consistentes de normatização, supervisão e regulação do ensino médico no país, em nada contribuiremos com o processo propondo reconhecimentos “facilitados” de profissionais, sejam formados no Brasil ou no exterior e, assim, se equivoca profundamente, a meu juízo, quem propõe medidas neste sentido.

É claro que se referir a todos os formados na Bolívia, a imensa maioria dos diplomas de médicos estrangeiros que buscam a revalidação, ao lado de Cuba, como sendo ruins é uma generalização estúpida, preconceituosa e totalmente equivocada. Temos excelentes médicos especialistas no serviço de saúde do Acre e professores imensamente competentes no curso de Medicina da UFAC, formados tanto em Cuba quanto na Bolívia. Mas se temos problemas com nossa formação médica no Brasil, país que já avançou econômica e socialmente muito mais que nossos vizinhos bolivianos, imaginem se há problemas com a formação médica na Bolívia? Sim, e muitos. Ao lado de algumas tradicionais escolas de respeito nacional, que sofrem com as constrições de uma país pobre economicamente, mas se esforçam para fazer um trabalho digno, existe uma profusão de abertura de escolas “de cuspe e giz”, obviamente incapazes de dar conta desta complexa formação e abertas, como muito já se fez no Brasil, por puro interesse financeiro. Formando, sim, muitos profissionais de forma inaceitavelmente insuficiente.

Há também um aspecto muito difundido entre estas escolas que fere a lógica vigente em nosso país. A ausência de mecanismos de seleção para o ingresso. Qualquer um que queira, e possa pagar, pode se matricular. Isto, além de potencialmente significar a entrada de alunos menos aptos, comparados com sistemas que fazem seleção, gera dúvidas legítimas sobre a capacidade, e o interesse, nas avaliações do desempenho destes alunos ao longo de sua formação.

É absolutamente verdade, por outro lado, que o processo de revalidação no Brasil sempre foi extremamente heterogêneo. Nunca houve regras claras e cada instituição podia fazer revalidação segundo os critérios que entendesse melhor. Algumas mais caras, e mais “fáceis”, outras mais baratas e bem mais “difíceis”. Isso torna o processo pouco justo e principalmente pouco eficiente para os propósitos que se deseja: avaliar a capacidade real para o exercício da profissão.

É verdade também que há entre alguns profissionais brasileiros a tese, nem sempre posta às claras, de que o portador destes diplomas tiveram já um grande benefício ao ingressarem em um curso sem seleção e por isso tem que ter agora dificuldades, em nome de uma certa concepção de justiça, inclusive, com aqueles que passaram pela rigidez da seleção no Brasil. É certo que tiveram facilidades sim ao não se submeterem a processo seletivo nenhum, mas em uma primeira avaliação, baseada exclusivamente nas doutrinas da Ética, se forem bons profissionais, ao fim e ao cabo, merecem o que merecem os bons profissionais.

Como nada é simples em problemas complexos, é preciso considerar que se o que a sociedade brasileira não quer é mandar aos milhares seus futuros médicos estudarem em escolas de qualidade duvidosa na Bolívia, aumentar a taxa de aprovação nestes processos de revalidação, significa, ato contínuo, aumentar a ida de mais estudantes para estas escolas, que já são muitos, mesmo com as dificuldades existentes atualmente. Melhor não seria canalizar os esforços da sociedade para aumentar as vagas e o acesso no Brasil? Mais 4 mil vagas anuais, como proposto, não daria conta de boa parte desta demanda?

Em função da heterogeneidade de critérios para revalidação, o governo brasileiro construiu um processo unificado nacional, batizado de REVALIDA. As instituições de ensino estão aderindo em peso, houve um piloto no ano passado e a partir deste ano, passa a se constituir no modelo padrão de revalidação de diplomas estrangeiros. O REVALIDA tem o grande mérito de acabar com a heterogeneidade (um processo único nacional), a subjetividade (utiliza-se de técnicas de avaliação sistematizadas e estruturadas) e os altos custos envolvidos (preço universalmente acessível).

Infelizmente, diriam alguns, o piloto do ano passado teve taxa de aprovação muito baixa (parece que continuam “dificultando injustamente”). Infelizmente também, têm dito outros, a procura por parte dos portadores de diplomas estrangeiros também foi baixíssima (parece que continuam esperando por “processos facilitados”). O Revalida será, muito provavelmente, a única forma de revalidação de diplomas em pouco tempo no Brasil e os portadores de diplomas estrangeiros terão que se adaptar a isso. A dificuldade da avaliação pode ser motivo de debate, e deve ser, buscando a “calibração ideal”. Seria um grande equívoco, ao meu ver, promover avaliações excessivamente difíceis como punição. Por outro lado, estejamos certos, a aprovação nunca será muito elevada enquanto forem de má qualidade muitas das escolas médicas de onde vêem os formandos, a exemplo do que ocorre com a prova da OAB, já citado.

Problemas complexos se resolvem com um arsenal de medidas validadas e muito trabalho árduo. Não existem panacéias. Não se resolvem na intensidade do grito, ou da comoção coletiva causada por aqueles que defendem seus interesses, eventualmente legítimos, mas seus, não necessariamente de toda a sociedade.

Thor Dantas é médico, professor de medicina, preceptor do PRM de Infectologia e coordenador do Curso de Medicina da Universidade Federal do Acre

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