Justiça do Acre condena ex-governador a devolver R$ 24,7 milhões desviados da rubrica “verba secreta”
O ex-governador do Acre Orleir Cameli foi condenado pela juíza substituta Evelin Campos Cerqueira, da 2ª Vara de Fazenda Pública da Comarca de Rio Branco, a devolver R$ 24,7 milhões que foram desviados por ele e sua equipe da rubrica “Suprimento de Fundos - Verba Secreta” durante o período de sua administração, de 1995 a 1998.
Orleir Cameli foi acusado de improbidade administrativa numa ação civil pública movida pelo Ministério Público do Acre. Ele se apropriou de milhões de reais sem nem sequer apresentar um recibo de pagamento. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Acre constatou que não houve prestação de contas do montante sacado da “verba secreta”.
A “verba secreta” eram confiada a vários membros do governo estadual, condicionada à prestação de contas. Os recibos apresentados foram assinados pelos supridos, não havendo qualquer nota fiscal ou recibo de terceiro atestando que as verbas foram empregadas no interesse público.
Muitas vezes os secretários de Orleir Cameli passavam os valores em espécie para o governador. Alguns emprestaram seus nomes para constar nos documentos contábeis, sem terem administrado os recursos.
Cameli, que estudou até a quarta série, nasceu em Cruzeiro do Sul, no extremo-oeste do país, a partir de onde se tornou um dos empreiteiros mais poderosos da região Norte. Chegou a possuir quatro CPFs e durante sua gestão foi flagrado no aeroporto de Cumbica (SP) contrabandeando um Boeing do EUA carregado de muamba. Responde a dezenas de processos e já foi condenado por invadir terra indígena para exploração ilegal de madeira.
A gestão de Orleir Cameli era tão corrupta que ele chegou a merecer do jornal O Globo a manchete “Um campeão da falcatruas na cadeira de governador”. Camelia era o principal alvo do PT quando o partido fazia oposição no Acre, mas virou aliado e colaborador financeiro dos petistas.
Desde então suas empresas passaram a executar várias obras no Estado, especialmente no asfalmento da BR-364, que liga Rio Branco a Cruzeiro do Sul. Atualmente, é o maior entusiasta do setor privado estadual em defesa do nome da presidenciável Dilma Rousseff.
A sentença estabelece que os R$ 24,7 milhões terão que ser devolvidos com correção monetária e juros de mora. Cameli foi condenado, ainda, a suspensão dos direitos políticos pelo período de oito anos, multa civil no valor correspondente a 10% do valor do dano ao erário estadual, proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos.
A juíza Evelin Cerqueira reconheceu a prática de ato de improbidade administrativa também contra o ex-secretário da Fazenda Raimundo Nonato de Queiroz e contra o primo do então governador, Cristóvão Correia de Messias, ex-chefe da Casa Civil, que posteriormente se tornou conselheiro do TCE.
Os dois ex-secretário de Cameli foram condenandos, nos termos do art. 12, II, da Lei n. 8.429/92, nas penas de perda da função pública, suspensão dos direitos políticos pelo período de seis anos, solidariamente, ao pagamento de multa civil no valor correspondente a 5% do valor do dano ao erário estadual, considerando a proporcionalidade das condutas dos réus.
Além deles, foram condenados os seguintes secretários e assessores do governo Cameli: Sérgio Baptista Quintalinha, Almir Dankar, Edilberto Ferreira Jansen, Rosângela da Gama Pereira e Elizabete Jerônimo do Vale.
Segundo a Justiça, ficou demonstrada a ilegalidade cometida na movimentação da verba secreta porque não foi comprovado em que foram investidos os valores sacados ou porque foram empregados em finalidades não permitidas por lei.
- O conjunto probatório não deixa dúvidas quanto à prática de ato ímprobo, consubstanciado na ocorrência de lesão ao erário estadual causado por parte do ex-Governador Orleir Messias Cameli durante sua gestão, tendo violado frontalmente os princípios norteadores da administração pública previstos no art. 37, caput, da CF/88, princípios esses a que todos os agentes públicos estão submetidos - escreveu a juíza na sentença.
Segundo Evelin Cerqueira, o ex-governador encabeçou o esquema de desvio da verba secreta, pois ele detinha o poder para autorizar os saques, o que era feito sem qualquer controle quanto ao emprego dos valores sacados.
A juíza assinala que o ex-governador sabia que sua conduta ia de encontro ao ordenamento jurídico.
- Não se concebe que um administrador estadual não tenha conhecimento de que deve ser comprovada as despesas realizadas com o dinheiro do povo, principalmente da forma como era realizada, através de adiantamentos, sem necessidade de prestação de contas imediata, o que facilitava o desvio.
Perfil
Almir Dankar recebeu valores da verba secreta, conforme afirmou em sua contestação, sob a alegação de que o seus vencimentos não estavam de acordo com as funções que exercia. Confessou que pediu para a sua secretária doméstica assinar o recibo de pagamento.
Raimundo Nonato de Queiroz figurou por algumas vezes na qualidade de ordenador de despesas, bem como por ter sido o Secretário de Fazenda do Estado na época da gestão do governo Cameli. Participou ativamente dos desvios de verbas, inclusive, solicitando ao réu Edilberto Jansen que emprestasse o seu nome para figurar na qualidade de suprido. Os valores eram entregues a Queiroz.
Antônio Cristóvão Correia de Messias também figurou na qualidade de ordenador de despesas nos anos de 1996, 1997 e 1998, pois ocupava o cargo de Chefe do Gabinete Civil, órgão esse que participava da movimentação da verba secreta. Declarou perante o Ministério
Público que juntamente com o governador, definiam as despesas de caráter secreto. Entretanto, estranhamente, não se recordou sequer de um exemplo, mesmo tendo ciência de que foram desviados mais de R$ 24 milhões, ou seja, não era uma ação excepcional, mas sim corriqueira na administração pública da época.
Edilberto Ferreira Jansen também colaborou para o desate das movimentações financeiras, pois emprestou seu nome para que as verbas pudessem ser depositadas e sacadas, isso, pelo menos, durante metade da administração do ex-governador Orleir Cameli.
Sérgio Baptista Quintanilha sequer apresentou contestação à ação, reputando-se verdadeiras as afirmações lançadas na inicial pelo Ministério Público. Tal fato, somado com as provas, demonstraram que o réu colaborou diretamente para o desvio das verbas secretas. Figurou inúmeras vezes na qualidade de ordenador de despesa, tendo administrado a conta de suprimento de fundos. Afirmou que sabia que as verbas eram utilizadas em finalidades não previstas em lei, como por exemplo, para tratamento médico de populares, translado de corpo, e até para levar a secretária Marilena Mansour para a cidade do Rio de Janeiro para tratamento médico. “Uma verdadeira farra com os recursos do povo”, assinala a juíza
Rosângela da Gama Pereira e Elizabete Jerônimo do Vale também colaboraram para o desvio, pois emprestaram seus nomes para figurarem na qualidade de suprida, sabendo que outros iriam fazer a movimentação da conta, sem se importar com a legalidade de suas ações e eventuais consequências. Assinaram inúmeros cheques em branco. Elizabete afirmou que sabia que alguns valores serviam como “ajuda financeira” para população, doações para pessoas carentes e para tratamento de saúde de populares.
- Assim, os réus Raimundo, Antônio, Sérgio, Almir, Edilberto, Rosângela e Elizabete, colaboraram diretamente com suas ações para malversação dos recursos públicos, ajudando o réu Orleir a alcançar seu intento, impondo-se a condenação pela prática de ato ímprobo - afirma a juíza Evelin Cerqueira.
Foto: Marcos Vicentti/Página 20

LEGAL….. AGORA É SÓ ESPERAR PARA PRESCREVER E ELE NÃOPAGA NADA……..VIDE LALAU, MALUF DENTRE OUTROS, O EXEMPLO VEM DE CIMA
Comentário por JONNAS — outubro 15, 2009 @ 9:19 am
…pelo menos, hoje em dia, os corruptos estão sendo identificados e punidos.
Comentário por Paulo — outubro 15, 2009 @ 9:21 am
Nao consigo entender como um homem com este perfil consegue ser governador do estado. Ate para ser faxineiro hoje se exige segundo grau e nada consta criminal e para ser politico a unica exigencia é ser cara-de-pau ,corrupto e ladrão
Comentário por Andrea — outubro 15, 2009 @ 9:27 am
Eu queria ver ele preso, mas isto é impossível no Brasil, se quer vai pagar a multa.
Comentário por Pericles — outubro 15, 2009 @ 9:33 am
Sou BRASILIENSE com orgulho e gostaria de saber quando os Brasileiros vao aprender a votar e mandar gente boa pra BRASILIA
Comentário por Andrea — outubro 15, 2009 @ 9:35 am
Porque não disse no texto a que partido ele pertencia ou pertence, quando cometeu estes ilícitos?
Porque tenta associa-lo ao PT?
Nenhum político ou partido pede nada consta para receber apoio….
Todo oportunista se alia ao poder do momento, o que vc quer ganhar
com este tipo de matéria claramente tendenciosa?
Quem eram seus aliados antigos? Os mesmos seus atuais?
Comentário por raul — outubro 15, 2009 @ 9:42 am
so pela cara da pra ver que é corrupto
Comentário por y — outubro 15, 2009 @ 9:42 am
um país que tem lula,dilma,genuíno,pt,palocci,este crápula o que mais pode-se esperar
Comentário por osni — outubro 15, 2009 @ 9:45 am
Neste PAIZINHO DE MER… CHAMADO BRASIL VAI SER MAIS UM CULPADO QUE NAO VAI PAGAR NADA E NEM VAI SER PUNIDO.
SIMPLESMENTE PQ( BRASILEIRO É BURRO) NAO SABE VOTAR.
Comentário por junior — outubro 15, 2009 @ 9:48 am
O LARÁPIO TEM QUE DEVOLVER 24 MILHOES E DE QUANTO SERÁ O RESTANTE QUE ELE VAI EMBOLSAR, SEMPRE QUIS SABER A FORTUNA DESTES LARÁPIOS AO DEIXAR OS CARGOS IMAGINAM EM ESTADOS MAIS RICOS, É GRANA EM BICHO, SAQUEANDO O BRASIL ASSIM E ESTAMOS EM PÉ IMAGINEM SE ESTES RATOS FOSSEM ELIMINADOS
Comentário por JOAQUIM — outubro 15, 2009 @ 9:55 am
PELA CARA, manguaça igual ao lider da quadrilha
deve ter cortado a BARBA pra se esconder (recentemente)
Verba secreta lembra gastos ocultos com cartao de credito
eita pais de 3 mundo (3 porque nao tem 4)
Comentário por MARCOS MIGLI — outubro 15, 2009 @ 9:56 am
Por que o artigo não diz que era do PFL? Por que será? O artigo está tendencioso?
Comentário por Brasília/DF — outubro 15, 2009 @ 9:57 am
Andrea, o problema não é o Brasiliense, mas sim Brasília, distante de todo os cantos do Brasil, distante demais da população que elege os políticos que aí vão, o Brasil é muito grande, de dimensão continental, a grande burrada depois da independência(?) foi transferir a capital federal do Rio de Janeiro p/Brasília, imagine, na década de 50 um deputado federal pelo estado do Rio, vai para um fim de fundo minado de cobras, lagartos, onças, jacarés, muriçocas, mosquito da febre amarela, etc, vc acha que a mulher e filhos iriam p/ lá no meio do Brasil, aí virou o prato cheio p/lobistas de construtoras, prostitutas irem p/o abraço com os políticos e mamarem nas tetas gordas da generosa mãe Brás’Ilha da fantasia. A solução está em autonomia municipal e estadual via extinção da maioria dos ministérios, pela autonomia tributária, legislativa e administrativa.
Vejam http://www.federalista.org.br
Você delegaria a administração de seu lar, do seu salário ao um deputado? É mais ou menos isso que ocorre com a capital federal e as capitais dos estados, estamos sempre querendo achar um salvador da pátria para colocar em Brasilia, nunca conseguiremos…
Comentário por Irineu Queiroz dos Santos — outubro 15, 2009 @ 10:10 am
Olha só!!!!. E um dos caras envolvidos acabou no TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO - que é outro lugar onde estes políticos corruptos ficam enrolando , depois que desistem de tentar se eleger. E aí meus amigos brasileiros todos os partidos estão envolvidos . É só olhar a composição destes TRIBUNAIS DE CONTAS ESTADUAIS, e até o TRIBUNAL DE CONTAS FEDERAL. Mas aí eles não fazem leis para colocarem lá pessoas que já não tenham sido DEPUTADOS, SENADORES, ENFIM, DESTA DESGRAÇA QUE ASSOLA O PAÍS.
Comentário por Artur — outubro 15, 2009 @ 10:17 am
Imaginem agora o Sr. Orleir Cameli devolvendo todo esse dinheiro. Ficar pobre ele não fica!!! Ou será que vai comprar roupas no Formigão (loja de artigos populares de Rio Branco - AC)
Comentário por Giovanni — outubro 15, 2009 @ 10:21 am
Porque a preocupção do Petista, sabendo todos nós que as letras que identificam o partido significam “Partidos dos Trambiqueiros”. No Acre, tudo acontece. Foi oficialmente o primeiro lugar onde se constatou contas fastasmas no Brasil, pelos idos da decada de 80. E vivam os Acreanos??????????????
valbar
Comentário por Waldemir Guimarães — outubro 15, 2009 @ 10:23 am
Orleir Cameli, foi eleito em 1994 (pelo PPB) ao governo, pelo trabalho que tinha desenvolvido em Cruzeiro do Sul (interior do Acre), enquanto prefeito. Orleir apesar de não ser conhecido politicamente, era um empresário bem sucedido que se enquadrava no perfil do candidato do povo acreano, muito conservador. Este governo como outros, não realizou grandes obras e simplesmente continuou a política de manutenção do que já estava feito, e de investir em obras que só beneficiaram uns poucos. Por isso também teve seu nome envolvido em escândalos no que foi cogitado seu impedimento - impeachment.
Obs. - como seu texto não identificava, propositalmente o partido deste elemento e apenas citava o PT, como se fosse filiado a este, tive de pesquisar na rede, e descobri que estavas tentando confundir e não informar teus leitores! Que coisa feia, tua mãe não te ensinou a não mentir? Que feio para ela!
Comentário por Rachmunsen — outubro 15, 2009 @ 10:31 am
Este portal deixa claro que faz propaganda para os tucanos-demos. A acusação contra o PT é completamente fora de contexto e destina-se a iludir eleitores desavisados. Cuidado com a propaganda enganosa.
Comentário por Klaus — outubro 15, 2009 @ 10:37 am
Já todo tipo de comentário feito por pessoas comprometidas com a DIREITA,.Eu que já sou vivido sei perfeitamente separar o Joio do Trigo… Ezistem pessoas que recebem pra criticar este ou aquele partido político… e assim “despejam” toda sorte de insultos contra determinado politico ou partido..
MAS…..Ao ler esta noticia acima fiquei estarrecido, pois partiu de um Reporter… que tem que apresentar imparcialidade na notícia…. zelar por um linguajar mais refinado… - Não digo erudito, mas um linguajar mais apropriado quando se refere a um partido político…
Este reporter deixou transparecer que…. também esta “influenciado” por alguma força superior, (que não é Deus)…
Portanto… O Terra precisaria selecionar melhor seu “jornalistas”….
Comentário por J.Roberto — outubro 15, 2009 @ 10:41 am
Na net diz que ele era do PPR…….
Será com quem estava coligado?
Será que alguem aí do Acre poderia passar esta informação?
Altamiro qual é o verdadeiro interesse de incluir o PT nesta matéria?
Comentário por raul — outubro 15, 2009 @ 10:43 am
Ops, Altino.
Comentário por raul — outubro 15, 2009 @ 10:44 am
Tudo isso só vai mudar, quando nossas “autoridades” que ficam em Brasiília e passam a maior parte do tempo sem fazer nada, quando fizerem leis que tenham resultados e que sejam cumpridas. Ex: A lei que proibe dirigir alcoolizado. A pessoa bebe pega o carro sai andando que nem um doido, atropela uma pessoa mata e depois só paga uma fiança e responde o processo em liberdade……………………………ha gente isso é uma brincadeira………….por isso que continuam dirigindo alcoolizados porque sabem que não vão ficar preso.
Comentário por Wandenbergue — outubro 15, 2009 @ 10:47 am
EM QUE PARTIDO ESTE SUJEITO ESTÁ FILIADO - É NO PT. saudações.
Comentário por Vital — outubro 15, 2009 @ 11:09 am
filho , se ate o calipso faz sucesso hj, isso dai é normal !
Comentário por clark kent — outubro 15, 2009 @ 11:13 am
Até que enfim, a justiça está fazendo justiça, pois até agora nunca vi ninguem devolver dimnheiro que foi pego do povo, tinha que ser denunciado os bens do FHC. pq este roubou muito, este foi o governo corrupto, que mais levou dinheiro da nação, e até hoje ninguem se pronunciou em nada.
Comentário por Francisco Costa — outubro 15, 2009 @ 11:13 am
Senhor dono do blog, publique esta informação da Folha se tiver coragem.
De manipulação de informações estamos fartos
Deputado diz que vendeu
seu voto a favor da reeleição
por R$ 200 mil
[Reportagem publicada em 13 de maio de 1997]
FERNANDO RODRIGUES
da Sucursal de Brasília
O deputado Ronivon Santiago (PFL-AC) vendeu o seu voto a favor da emenda da reeleição por R$ 200 mil, segundo relatou a um amigo. A conversa foi gravada e a Folha teve acesso à fita.
Ronivon afirma que recebeu R$ 100 mil em dinheiro. O restante, outros R$ 100 mil, seriam pagos por uma empreiteira _a CM, que tinha pagamentos para receber do governo do Acre.
Os compradores do voto de Ronivon, segundo ele próprio, foram dois governadores: Orleir Cameli (sem partido), do Acre, e Amazonino Mendes (PFL), do Amazonas.
Todas essas informações constam de gravações de conversas entre o deputado Ronivon Santiago e uma pessoa que mantém contatos regulares com ele. As fitas originais estão em poder da Folha.
O interlocutor do deputado não quer que o seu nome seja revelado.
Essas conversas gravadas com Ronivon aconteceram ao longo dos últimos meses, em diversas oportunidades.
Outros venderam
Nas gravações a que a Folha teve acesso, o deputado acreano diz não ser o único parlamentar que se vendeu na votação da reeleição, no último dia 28 de janeiro, quando a emenda foi aprovada, em primeiro turno, com 336 votos favoráveis na Câmara.
“O Amazonino marcou dinheiro para dar (R$) 200 (mil) para mim, 200 pro João Maia, 200 pra Zila e 200 pro Osmir”, diz Ronivon na gravação.
Os personagens citados são os deputados federais João Maia, Zila Bezerra e Osmir Lima, todos do Acre e filiados ao PFL. Outro parlamentar também recebeu dinheiro para votar a favor da reeleição, conforme explicação de Ronivon.
Eis como Ronivon menciona esse fato em suas conversas: “Ele (Amazonino) foi e passou (o dinheiro) pro Orleir (…) Mas no dia anterior ele (Orleir) parece que precisou dar 100, parece que foi pro Chicão, e só deu 100 pra mim.”
Na gravação, Ronivon fazia referência a deputados do Acre. O único deputado do Acre conhecido como Chicão é Chicão Brígido (PMDB), que, sempre segundo as conversas de Ronivon, entrou no negócio na última hora. Por isso, Orleir Cameli precisou de mais dinheiro e teve de dividir uma das cotas de R$ 200 mil.
Há mais de uma versão sobre quanto cada deputado recebeu de fato para votar a favor da reeleição. Ronivon diz ser o único a ter embolsado R$ 100 mil. Todos os outros, diz ele, levaram R$ 200 mil à vista, em dinheiro.
Em alguns momentos, entretanto, o deputado sugere que Chicão Brígido e João Maia também receberam apenas R$ 100 mil.
Dos 8 parlamentares acreanos na Câmara, 6 votaram a favor da emenda da reeleição e 2 contra.
Venda corriqueira
Ronivon tem comentado a sua venda de voto a favor da reeleição como se fosse algo corriqueiro. Fala com vários colegas deputados. Algumas dessas conversas casuais é que foram gravadas.
Nessas gravações, o deputado revela detalhes de toda a operação.
Primeiro, Ronivon diz que foi contatado pelo governador do Acre, Orleir Cameli. Em troca do voto a favor da emenda da reeleição, cada deputado recebeu R$ 200 mil. O pagamento foi por meio de um cheque pré-datado _deveria ser depositado só depois de a votação ter sido concluída favoravelmente ao governo.
As fitas apontam que, nos dias que antecederam a votação, cheques nesse valor foram entregues para, pelo menos, quatro deputados acreanos: Ronivon Santiago, João Maia, Osmir Lima e Zila Bezerra.
Na gravação, Ronivon afirma que os cheques eram do Banco do Amazonas, em nome de uma empresa de Eládio Cameli, irmão de Orleir Cameli.
Apesar de tudo acertado, a operação acabou não agradando aos deputados nem ao governador acreano. O arrependimento se deu na véspera da votação da reeleição. Era uma segunda-feira, dia 27 de janeiro passado.
“Você é infantil”
De acordo com Ronivon, em conversas posteriores à venda de seus votos, os parlamentares começaram a avaliar que poderiam ser logrados depois da votação. Nada impediria, pensaram, que os cheques fossem sustados.
Já aos ouvidos de Orleir Cameli chegou um alerta importante do seu colega do Amazonas, o governador Amazonino Mendes.
Segundo Ronivon relata a seu amigo, Amazonino foi precavido e disse o seguinte a Cameli: “Você é tão infantil, rapaz. Vai dar esse cheque para esse pessoal? Pega um dinheiro e leva”.
Depois dessa sugestão de Amazonino Mendes, conta Ronivon Santiago, o governador do Acre “pegou todo mundo e deu a todo mundo em dinheiro”.
O dinheiro, emprestado a Orleir por Amazonino Mendes, só foi entregue aos parlamentares na manhã do dia da votação do primeiro turno da emenda da reeleição, 28 de janeiro, uma terça-feira, conforme a gravação.
A entrega dos R$ 200 mil, em dinheiro, para cada deputado, foi feita mediante a devolução dos cheques pré-datados _que foram rasgados na frente de Orleir, segundo relato de Ronivon.
A troca dos cheques por dinheiro ocorreu em um local combinado em Brasília. Cada deputado se apresentou, rasgou seu cheque na hora e recebeu o pagamento em dinheiro dentro de uma sacola.
“Aí chegou o Osmir, estava lá com a sacola assim… (risos). João Maia com a outra”, relata Ronivon, de bom humor, a cena da manhã que antecedeu a votação.
“Sou leso?”
Endividado, Ronivon diz que usou o produto da venda de seu voto para diminuir débitos bancários. O deputado disse que saldou uma dívida de “196 pau” (R$ 196 mil) que tinha contraído em bancos. Nas suas conversas, o deputado cita quatro bancos onde contraiu dívidas: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco de Brasília e Banacre (do governo do Acre).
Ronivon diz que aproveitou também o dinheiro obtido com a venda de seu voto a favor da reeleição para resgatar cheques sem fundos que havia emitido.
Cauteloso, não quis fazer os pagamentos logo depois da votação da reeleição. “Sou leso?”, pergunta aos risos para seu interlocutor em uma das gravações.
“Leso”, segundo o “Novo Dicionário Aurélio”, significa “idiota” e “amalucado”. A pronúncia correta pede que a primeira sílaba seja tônica: “lé-so”.
Para evitar que fosse rastreado o dinheiro, Ronivon explica que saldou totalmente suas dívidas apenas no início de março _quando dá a entender que já teria recebido todo o pagamento pelo seu voto.
Comentário por maria ferreira — outubro 15, 2009 @ 11:37 am
Eu fico, aqui, vendo que estamos sendo enganados continuamente, e me perguntando : quando é que a família Sarney vai devolver tudo o que nos deve ? sim, porque, até agora, passam por cima de tudo que os atinge. E as denúncias continuam,,,,…. ah! ele é amigo do Rei!
Então, só nos resta tirar o Rei também!
Comentário por Maria Dias — outubro 15, 2009 @ 11:41 am
ENGRAÇADO COMO AINDA TEM GENTE
Comentário por LAERTE — outubro 15, 2009 @ 11:44 am
EU VOTO EM ENTRAR METRALHANDO ESSES FILHOS DA PUTA!
Comentário por ismael — outubro 15, 2009 @ 11:47 am
ESTRANHO QUE AINDA TEM QUE FIQUE ADMIRADO COM ESSAS NOTICIAS. É TÃO CORRIQUEIRA COMO SER ASSALTADO EM SAIDA DE BANCO, SAIDA DE ESCOLA DE SHOPPING ETC.
SE O PRESIDENTE DA REPUBLICA, DO SENADO E DA CAMARA SÃO FUNESTOS, LADRÕES, VAGABUNDOS, ORDINARIOS, CAFAGESTES, RATO DE ESGOTO, CANALHAS, ALCOLATRA, E OUTROS ADJETIVOS QUE NÃO ME RECORDO, IMAGINEM OS OUTROS.
EU NÃO ESTRANHO MAIS NADA.
Comentário por LAERTE — outubro 15, 2009 @ 11:48 am
CONTINUO DIZENDO……..SÓ OS PERTENCENTES AO DEM E AO PSDB, QUE NÃO ACONTECE NADA, PODEM FAZER O QUE QUISER DE ERRADO…..NÉ YEDA?.
Comentário por EDMUNDO — outubro 15, 2009 @ 11:48 am
SE ESSA MODA PEGAR SEREMOS O PAIS MAIS RICO DO MUNDO.
Comentário por LUCCIANOO — outubro 15, 2009 @ 12:05 pm
Típico brasileiro safado!
Comentário por Cassiano — outubro 15, 2009 @ 12:06 pm
O Governo Federal, juntamente com o Congresso Nacional, deve explicar ao POVO BRASILEIRO, quem editou a Lei ou Autorizou o USO de uma verba denominada SECRETA em se tratando de dinheiro público, isto é inesplicável.
Comentário por valdivino alves — outubro 15, 2009 @ 12:13 pm
Não entendi apenas o foco dado ao PT nesse caso. Segundo lí na material o cara era filiado a outro partido quando foi governador e era criticado pelo PT na época, hj ele não é mais politico mas segundo o pseudo jornalista está “ligado” ao PT e apoia a Dilma - como fazer essa ligação? Se o estado é governado pelo PT quao o empresário que não vai apoiar o governo? Será que em SP algum empresario malha o Serra e tenta contrato com o governo? Tido vagabundo é oportunista e isso fica claro na reportagem e também me leva a pensar se o jornalista também não tem algum interesse ao fazer uma reportagem tão tendenciosa - só ruindade jornalistica me parece pouco nesse caso.
Comentário por Wagner — outubro 15, 2009 @ 12:41 pm
justiça feita
Comentário por Aderbal — outubro 15, 2009 @ 12:41 pm
renan calheiros, collor, sarney
também deveriam pagar!
Comentário por Aderbal — outubro 15, 2009 @ 12:42 pm
“Pra que incluir o PT nesta matéria?…” esse partido de gente honesta. O Lula não sabia de nada, não houve mensalão com o PT no governo, concessões de campos de petróleo e estradas (depois de prontas, é claro), defesa de Sarney, Renan Calheiros… escândalo atrás de escândalo.Com o PSDB foi daí pra pior, se é que dá pra piorar. O que tem se ele fez aliança com o PT? Só aumentou a quadrilha. Cadeia a todos os bandidos, independente do partido político a que pertençam!
Comentário por Cléber — outubro 15, 2009 @ 1:04 pm
Na verdade todo político tem o seu segredo, esse aí simplesmente pela sua arrogância foi mais explícito, agora o grande problema é ele realmente restituir o que ROUBOU!!!
Comentário por Marcos — outubro 15, 2009 @ 1:53 pm
Agora é só pedir auxilio aos vianas, pra que esse seu processo vire também bosta de alma. Afinal já comem no mesmo coxo mesmo!!! Se fosse num país que tivesse leis pra ser cumpridas……. era outra coisa!! Mas, no Brasil, e logo no Acre, é só uma questão de tempo pra que dêm um telefonema pros conselheiros TCE e tudo resolvido. (qualquer um dos vianas pode sim, fazer esse favorzinho ao pobre Cameli)……. kkkkk. Agora se não fizerem, também podem não ter as propinas pro financiamento do pleito de 2010, tô logo avizando hen!!!
Comentário por Antonio — outubro 17, 2009 @ 2:55 pm