Terra Magazine

outubro 13, 2009

Acre: Justiça condena ex-comandante a devolver R$ 2,2 milhões por falcatruas na PM

Altino Machado às 12:30 pm

O coronel aposentado Jair Thomaz, ex-comandante da Polícia Militar do Acre, foi condenado pela juíza Larissa Pinho de Alencar Lima, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Rio Branco, a devolver R$ 2,2 milhões aos cofres públicos.

Trata-se de um processo antigo, de 1996, quando o Ministério Público do Estado (MPE) moveu uma ação civil pública contra os desmandos administrativos na corporação.

Jair Thomaz comandou a PM em 1994 e cometeu diversos atos de improbidade administrativa, apurados inicialmente por uma Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembléia Legislativa.

Ao conceder uma série de vantagens e benefícios ilegais, como ajuda de custo, diárias e bolsa de estudo, Thomaz chegou a instituir auxílio-uniforme para os militares reformados, além de ter contratado empresas com preços superfaturados e emitido diversos cheques sem prestar contas.

O comandante da PM fracionava as compras e, por meio de carta convite, adquiriu da empresa “fantasma” J. Comércio e Representação Ltda, diversos bens: carne bovina, frango congelado, colchões, arroz, feijão, farinha, material de limpeza, condicionadores de ar, máquinas de escrever, ração para cavalo, travesseiros etc.

O Tribunal de Contas do Estado apurou que a empresa não dispunha de cadastro junto à administração pública nem de endereço, uma vez que o local constante nas notas fiscais como se fosse sede do estabelecimento, na verdade é um imóvel residencial.

Como era o único ordenador de despesas, o comandante da PM obteve por ato próprio diversas vantagens pecuniárias, fazendo com que seus vencimentos experimentassem um significativo aumento, por meio de ajuda de custo, transporte, diferença de ressarcimento e auxílio saúde.

De acordo com a denúncia do MPE, Thomaz ordenava pagamentos de benefícios e indenizações a quem entendesse devido, sem qualquer parâmetro ou autorização legislativa, e na quantia que melhor lhe aprouvesse de maneira discricionária e arbitrária.

A PM, através de seu comandante, firmou três contratos para construção de casas em Senador Guiomard, assim como salas de aula e calçadas, todas sem o devido processo licitatório. As reformas não foram realizadas, mas o preço ajustado foi pago.

A empresa Parintins Const., Edificações e Pavimentações foi contratada para construção de quatro casas, porém as unidades, maiores do que as previstas, acabaram construídas por membros da PM, mediante pagamento de diárias.

- Podem ter ocorrido falhas administrativas ilegais que, no máximo, desrespeitam a lei de licitações. Falhas ilegais, mas nunca imorais - alegou Thomaz no processo.

O ex-comandante da PM, que atualmente reside em Goiânia (GO), também foi condenado à suspensão dos direitos políticos pelo período de cinco anos, pagamento da multa civil de até duas vezes o valor do dano, além da proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio, pelo prazo de cinco anos.

Blogs que citam este Post

8 Comentários »

  1. Impressionante o desejo das pessoas que recebem cargos públicos, de rapinar o Erário. Isso deve acabar.

    Comentário por josé renato campos carvalho — outubro 13, 2009 @ 1:02 pm

  2. Impressionante a sem-vergonhice dessa gente, que se apodera de dinheiro público. Chega!

    Comentário por josé renato campos carvalho — outubro 13, 2009 @ 1:03 pm

  3. Mais um ladrao do dinheiro do povo. Para gatuno e ladrao do dinheiro o bandido esclarecido e velhaco tem que pagar com a vida ou na prisao popular ate para apanhar na bunda como se fosse pedofilo. Seu escroto !!!!!!!

    Comentário por antonio frias — outubro 13, 2009 @ 1:22 pm

  4. O condenar é uma coisa o Estado de direito agiu bem,outra coisa é o réu ter condições de pagar ou devolver,caso ele não tenha imóvel no nome dele….Mateus Santos Bsb-DF.

    Comentário por Mateus Santos — outubro 13, 2009 @ 1:40 pm

  5. Aposto que se perguntado sobre os direitos humanos para pobres acusados de roubos e furtos dirá que é contra já que é para “defender bandidos” e se perguntado sobre a pena de morte também dirá ser a favor pois assim se eliminariam “bandidos”, e assim sendo já que perguntar não ofende que tal aplicar os “princípios” que policiais em geral pregam inclusive espancamentos dos quais temos not´cias dioturnamente, para eles próprios quando pegos com “a boca na botija”?

    Comentário por jaime krochik — outubro 13, 2009 @ 1:44 pm

  6. Nossa !!!!!!! como o Acre tem se destacado na mídia eletrônica ultimamente….

    Comentário por Tio da Venda — outubro 13, 2009 @ 1:47 pm

  7. MAS ISSO NÃO É CRIME???????????????????
    SE FOI CONDENADO A DEVOLVER, DEVE SER CRIME MESMO, CORRETO????????????
    MAS….. eu pergunto:-
    **ESTE FILHO DA …..NÃO VAI PARA A CADEIA?????, E CONTINUA COMO APOSENTADO E GANHANDO SALÁRIO?????
    por isso que este País está chafurdando na lama. PURA IMPUNIDADE, só isso.

    Comentário por ANTONIO CARLOS — outubro 13, 2009 @ 2:14 pm

  8. A sociedade agradece ao Ministério Público do Estado do Acre e à nobre juíza. Está na hora de darmos um basta na corrupção generalizada.

    Comentário por cidadão brasileiro — outubro 13, 2009 @ 2:17 pm

Feed RSS para os comentários do post. Link de TrackBack

Deixe seu comentário

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol