Terra Magazine

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Satélites detectam 578 km² de desmatamento na Amazônia Legal em junho

Altino Machado às 1:42 pm

O sistema de alerta Deter,  do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), detectou 578 km² de áreas em processo de desmatamento na Amazônia Legal no mês de junho. A maioria do desmatamento ocorreu no Pará (330 km²) e no Mato Grosso (181 km²).

O Deter é usado para mapear tanto áreas de corte raso, quando os satélites detectam a completa retirada da floresta nativa, quanto áreas em processo de desmatamento por degradação florestal.

Em Rondônia foram registrados 41 km² de desmatamento. No Amazonas, 16 km². Nos demais estados da Amazônia Legal, poucas áreas tiveram desmates registrados pelo Deter, porém quase todo o território de Roraima e Amapá permaneceu coberto por nuvens que impediram a observação por satélites.

No mês de junho, início da estação mais seca na região amazônica, foi possível a visualização total do Mato Grosso, de quase todo o estado de Rondônia, e de pouco mais da metade do Pará.

A qualificação amostral dos dados do Deter mostra que 99% dos alertas de junho foram confirmados como desmatamento. Deste total, 60% foram classificados como corte raso e 39% como floresta degradada. Assim, apenas 1% dos alertas avaliados não apresentou indícios de desmatamento.

Feita com imagens de melhor resolução espacial, a avaliação dos dados permite apontar os diferentes níveis de degradação da floresta. No último mês, 37,5% dos polígonos de alerta foram classificadas como floresta degradada de alta intensidade e 1,5%, de intensidade moderada e leve.

Em função da cobertura de nuvens variável de um mês para outro e, também, da resolução dos satélites, os dados do Deter não representam uma avaliação fiel do desmatamento mensal da Amazônia. A informação sobre áreas serve para indicar prioridades aos órgãos responsáveis pela fiscalização.

Prodes

O Inpe assinala que o Deter mostra apenas tendências do desmatamento. Para computar a taxa anual do desmatamento por corte raso na Amazônia o Inpe utiliza o Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes).

O Inpe concluiu o levantamento do desmatamento na Amazônia Legal para o período 2007-2008 realizado pelo Prodes.

O resultado indica o total de 12.911 km² de desflorestamento na Amazônia Legal ocorridos entre agosto de 2007 e julho de 2008.

A taxa de desflorestamento observada neste período significa um aumento de 12% em relação ao mesmo período anterior.

A taxa de desmatamento definitiva atualiza a taxa estimada com base em 85 imagens críticas que foi apresentada em dezembro de 2008 - de 11.968 km².

Segundo o Inpe, a diferença de 7,3% entre a estimativa e a consolidação da taxa de desmatamento está dentro da margem de erro aceitável para a estimativa que é de 10%.

Degrad

O Sistema de Monitoramento de Áreas de Florestas Degradadas na Amazônia (Degrad) é uma tecnologia adicional que o Inpe usa para monitoramento da cobertura florestal da Amazônia com imagens de satélites.

O Degrad monitorar em escala anual a dinâmica das áreas de florestas degradadas nas áreas florestadas da Amazônia Legal. São consideradas como florestas degradadas áreas não desmatadas e que apresentam evidências de incêndio florestal ou que estão sob exploração madeireira de alta intensidade que resulta em exposição do solo por rarefação do dossel florestal.

Foram calculadas as áreas de florestas degradadas mapeadas nos anos 2007 e 2008 e foram examinadas a constância da degradação durante os dois anos e a quantidade de área degradada em 2007 que foi desmatada em 2008.

Foram medidos 15.987 km² em 2007 e 27.417 km² em 2008, dos quais 3.698 km² se apresentavam degradados também em 2007 (23%). Das áreas degradadas em 2007, 1.982 km² foram mapeadas como desmatadas no Prodes de 2008 (12%).

Foto: Marcos Vicentti

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O ipê que virou poste, que virou ipê, volta a florir em rua de Porto Velho (RO)

Altino Machado às 1:51 am

Este ipê amarelo foi derrubado e serrado na floresta para servir como poste da rede de energia elétrica em Porto Velho (RO). E seu tronco acabou sendo fincado como poste na confluência da Av. Jatuarana com Rua Cravo da Índia, no bairro Cohab Floresta.

Anos após ter virado poste, o ipê começou a florir, o que fez com que a Secretaria de Meio Ambiente solicitasse, para preservá-lo, que a rede elétrica fosse transferida para um poste de concreto que foi instalado ao lado dele.

- O ipê não é mais poste, mas ainda dá para ver no tronco dele a ferragem por onde passava a fiação. No prédio próximo surgiu até uma Ipê Distribuidora - relata a estudante de história e poeta Priscila Costa, do blog Meu Sétimo Andar, autora das fotos.

Fotos: Priscila Costa

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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

ONGs sugerem melhorias no Código Florestal

Altino Machado às 2:04 pm

As redes de organizações da sociedade civil, que representam mais de 2 mil ONGs com atuação na defesa do meio ambiente e na promoção sustentável nos diversos biomas do país, defendem o atual Código Florestal, rebatem críticas de setores ruralistas e do agronegócio e sugerem a modernização da legislação florestal brasileira.

O documento foi enviado ao presidente Lula e aos ministros Dilma Roussef (Casa Civil), Carlos Minc (Meio Ambiente) e Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário). Trata-se de uma resposta à bancada ruralista no Congresso Nacional, que tem defendido a criação de leis que retirem garantias e proteções ambientais, como a Reserva Legal e as Áreas de Preservação Permanente.

De acordo com as ONGS, o Código Florestal deveria incorporar preceitos, como o de que não há necessidade de mais desmatamento no país, sobretudo na Amazônia ou de que cada bioma, de acordo com seu grau de conservação e características ecológicas, deveria ter algumas regras específicas para seu uso e conservação, a par das regras básicas da legislação. Além disso, assinalam que a grande questão hoje é como recuperar áreas já excessivamente desmatadas, em todos os biomas.

O documento propõe o cadastramento georreferenciado dos imóveis rurais em todo o País e a limitação do desmatamento de novas áreas. As ONGs e os movimentos sociais defendem que existem áreas suficientes para produção agrícola e expansão urbana e várias regiões cujos ecossistemas já foram excessivamente alterados, de forma que seria indicado aprimorar as áreas em uso em vez contribuir para aumentar as emissões de gases de efeito estufa.

O documento é assinado pela Articulação do Semi-Árido Brasileiro, Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBoms), Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Pacto pela Valorização da Floresta e pelo Fim do Desmatamento na Amazônia, Rede Cerrado e Rede de ONGs da Mata Atlântica.

Leia na íntegra os documentos protocolados na sexta-feira (31):

Modernização do Código Florestal Brasileiro: Reflexões e propostas do movimento socioambientalista

Carta ao presidente Lula: Contribuições para o aprimoramento da legislação florestal brasileira

Foto: Altino Machado/Terra Magazine

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