Juiz restringe trabalho da imprensa no julgamento do “crime da motosserra”
O juiz Leandro Leri Gross, titular da Vara do Tribunal do Júri da comarca de Rio Branco (AC), decidiu restringir o trabalho da imprensa durante o julgamento do “crime da motosserra”, marcado para o dia 21 de setembro. O ex-comandante da Policia Militar do Acre e ex-deputado Hildebrando Pascoal é acusado de liderar sessão de tortura e assassinar o mecânico Agílson Santos Firmino, o “Baiano”, com a participação de Pedro Pascoal (irmão do coronel), do ex-sargento PM Alex Barros e de Adão Libório (primo).
Por causa do julgamento, Gross assinou uma portaria que limita o trabalho de repórteres fotográficos e cinegrafitas durante as sessões do júri. Não será permitido filmar ou fotografar os réus e testemunhas no interior do plenário. Imagens ou fotografias só poderão ser obtidas do lado externo tendo como obstáculo uma porta de vidro fumê.
A portaria também prevê que qualquer pessoa e a imprensa terão acesso ao plenário do Tribunal do Júri, sendo permitida a gravação de voz dos debates, depoimentos e sentença, bem como permite o acesso aos autos do processo para esclarecimento de dúvidas ou informações.
- Nossa intenção não é proibir ou prejudicar o trabalho de ninguém, mas de preservar o direito dos acusados, testemunhas e jurados - afirmou Gross.
Durante a semana, a Justiça do Acre ganhou destaque nacional por causa do juiz Cloves Augusto, titular da 4ª Vara da Comarca de Rio Branco. Ele realizou pela primeira vez na história uma audiência por meio de um telefone celular. O uso da tecnologia possibilitou que extinguisse em três minutos e três segundos um processo que poderia durar anos para ser julgado.
Gross não permitirá sequer que jornalistas usem celulares ou laptops dentro do auditório do Tribunal do Júri. A preocupação dele é com a possibilidade de que esses equipamentos sejam usados para obtenção de imagens do júri ou na transmissão em tempo real do julgamento por blogueiros e tuiteiros.
O juiz chegou a desconsiderar os conselhos que recebeu do vice-presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Adair Longuini, para não dificultar o trabalho da imprensa.
Quando era juiz em Xapuri (AC), Longuini presidiu sem afetação o julgamento do fazendeiro Darli Alves da Silva e do seu filho Darci Alves Pereira, ambos condenados a 19 anos de prisão por causa do assassinato do líder sindical e ecologista Chico Mendes, em dezembro de 1988. Ele permitiu que os réus fossem fotografados na abertura do julgamento e durante a leitura da sentença.
Gross não aceitou sequer sugestões para que os debates do julgamento fossem reproduzidos em telão e caixa de som para o público que não conseguirá ter acesso aos 180 lugares do auditório do Tribunal do Júri.
“Crime da motossera”
O crime contra “Baiano” ganhou repercussão dentro e fora do país porque foi praticado com requintes de crueldade, mediante intenso sofrimento físico. Ainda vivo, o mecânico teve os olhos perfurados, braços, pernas e pênis amputados com a utilização de uma motosserra, além de um prego cravado na testa. O atos de tortura culminaram com vários tiros desferidos supostamente pelo ex-deputado contra a cabeça da vítima.
O motivo foi torpe, segundo o MP. O mecânico era empregado de Jorge Hugo, o “Mordido”, que havia assassinado Itamar Pascoal, irmão de Hildebrando, no dia 30 de junho de 1996.
“Baiano” ajudou “Mordido” a fugir. Para revelar o paradeiro do marido, Evanilda Lima de Oliveira, mulher de “Baiano”, foi levada para o quartel da Polícia Militar do Acre, que era comandado pelo coronel Aureliano Pascoal, primo de Hildebrando.
Enquanto a mulher estava sob domínio de policiais militares, Pedro Pascoal, irmão de Hildebrando, e os policiais Sebastião Crispim da Silva e Antonio Oliveira da Silva, voltaram à casa dela e capturaram o seu filho Wilder Firmino de Oliveira, de 13 anos. Após ser torturado e revelar o paradeiro do pai, o garoto foi assassinado. Este crime é alvo de outra denúncia do MPE contra o bando.
O corpo de “Baiano” foi amarrado numa corda, arrastado de carro pelas ruas de Rio Branco e abandonado próximo à uma emissora de TV, provavelmente para intimidar as autoridades e a imprensa diante da barbárie que imperava no Acre. Com a palavra “procurado” em destaque, Pascoal chegou a imprimir milhares de cartazes com uma foto de “Mordido” no qual oferecia recompensa de R$ 50 mi para quem revelasse o seu paradeiro.
Nota de repúdio do Sinjac
“O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre (Sinjac) repudia as restrições à liberdade de expressão decorrentes da Portaria nº 8, assinada pelo juiz Leandro Leri Gross, titular da Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Rio Branco.
O juiz tenta desconstruir a relação de respeito da Imprensa para com o Judiciário do Acre a pretexto de regulamentar o trabalho de repórteres fotográficos e cinegrafistas durante a sessão de julgamento do “crime da motosserra”, marcado para 21 de setembro, tendo como réus Hildebrando Pascoal, Pedro Pascoal, Alex Barros e Adão Libório.
De acordo com a portaria, não será permitido filmar ou fotografar os acusados no interior do plenário, sendo que imagens ou fotografias poderão ser obtidas do lado externo, onde existe uma porta de vidro fumê com cortina.
Ao proibir filmagem, foto, celular e laptop durante o júri, além de impedir que o debate do julgamento seja transmitido ao vivo em telão, o magistrado dá prova de desconhecimento do papel desempenhado pela imprensa do Acre no esforço da sociedade para desmobilizar o crime organizado no Estado.
O ex-deputado Hildebrando Pascoal chegou a invadir o Tribunal de Justiça do Acre para ameaçar desembargadores quando as autoridades do Estado começaram a se mobilizar para investigar o terror imposto por seu bando na vida social acreana.
O ex-comandante da Polícia Militar do Acre chegou a obrigar uma repórter a engolir uma página de jornal contendo informações consideradas desfavoráveis aos interesses dele.
Hildebrando Pascoal é acusado de ter usado uma motosserra para fatiar uma de suas vítimas, tendo arrastado seu corpo em carro pelas ruas de Rio Branco, abandonado-o próximo de uma emissora de TV na tentativa de intimidar os jornalistas.
A Imprensa do Acre sempre teve acesso ao Tribunal do Júri sem desrespeitar o direito de proteção de jurados e testemunhas.
O Judiciário do Acre já deu prova de maturidade quando realizou com máxima transparência o julgamento do caso Chico Mendes em Xapuri (AC) há quase 20 anos.
Esperamos que o presidente do Tribunal de Justiça do Acre, desembargador Pedro Ranzi, faça prevalecer o bom senso em relação ao acompanhamento da Imprensa no desfecho de um crime que ainda atormenta a sociedade brasileira.
Marcos Vicentti
Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre
Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)”
Foto: Divulgação

SATIAGRAHA
TRF manda parar inquérito contra Lacerda e empresário
DA REPORTAGEM LOCAL
O desembargador Andre Nekatschalow, da 4ª Turma do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região (São Paulo e MS) determinou a suspensão, até decisão final, do inquérito aberto pela Polícia Federal por ordem do juiz da 7ª Vara Federal, Ali Mazloum, para investigar o ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Paulo Lacerda, outro diretor do órgão, Paulo Fortunato Pinto, e o empresário Luís Roberto Demarco Almeida.
O desembargador acolheu pedido feito pelos advogados de Demarco. Eles alegam que não havia razão para Mazloum ordenar a abertura de uma investigação.
O inquérito foi iniciado na PF de São Paulo em 1º de julho porque Mazloum entendeu que supostos contatos daquelas três pessoas com o ex-coordenador da Operação Satiagraha, o delegado Protógenes Queiroz, seriam motivo suficiente para investigar eventual “interferência empresarial” na Satiagraha.
Demarco, desafeto do banqueiro Daniel Dantas, nega quaisquer telefonemas de ou para Protógenes.
Em sua decisão, o desembargador Nekatschalow escreveu que “aparentemente, há pouco mais do que uma mera hipótese investigativa”. Outro fato citado pelo desembargador foi a ordem de Mazloum para que o inquérito da PF fosse distribuído a ele mesmo, assim que instaurado.
O fato também fora atacado pela procuradora da República Cristiane Casagrande, que pediu a “distribuição livre” do inquérito.
Procurada pela reportagem, a assessoria da Justiça Federal disse que Mazloum estará de férias até o próximo dia 22. (RUBENS VALENTE)
Comentário por Lindinha — sábado, 29 de agosto de 2009 @ 12:19 pm
Prezado,
Não era o caso de alguma associação de jornalistas aí no Acre entrar no TJ para derrubar esta portaria ?
Forte abraço !
Comentário por Mauricio Rayel — sábado, 29 de agosto de 2009 @ 12:20 pm
Esse fato revela bem, para que lado a justiça torce. Tenho certeza absoluta, que dor maior sentiu foi avítima. Sr juiz estamos em pleno seculo XXI onde a comunicação faz parte de nossas vidas. Ou o Sr tem algo a encobrir?
Comentário por cunha — sábado, 29 de agosto de 2009 @ 12:30 pm
bom , a minha opiniao ele nao deixou para nao ter midia e polemica , iguao ao do STF coisas absurdas que os ministros (ditam) pois nos estamos em uma ditadura, voce que o sarney teve disvio de conduta tem que responder por isso e nada acontece , eles arquivao e pronto , os juizes apoiam , os ministros assumem a nada acontece , nesse caso do acre da motossera o acusado e imfluente , entao o que vai acontecer nos ja sabemos
Comentário por nazir jundo — sábado, 29 de agosto de 2009 @ 12:51 pm
senhor juiz: pare agora!
CASO ESTEJA SENDO AMEAÇADO PELAS FORÇAS DO PODER TENHA A HOMBRIDADE DE DIZER.
SEU PASSADO O RECOMENDA.
DEIXE A IMPRENSA TRABALHAR LIVREMENTE.
NÃO TENHA MEDO - TODOS VAMOS MORRER UM DIA…
MELHOR SER ASSASSINADO POR IMBECIS DO QUE NUM CATRE DE PODRIDÃO MORAL…
Comentário por americocanhoto — sábado, 29 de agosto de 2009 @ 12:57 pm
E o Acre existe mesmo?
ou é terra de ninguém?
Comentário por Diogo — sábado, 29 de agosto de 2009 @ 1:12 pm
Não sei porque é que este julgamento demorou tanto.
Nos Estados Unidos, teríamos duas opções para este ex-deputado e seus comparsas… “Pena de morte ou prisão perpétua”…
E não se falaria mais nisso…
Mais um lixo de que a sociedade se livraria…
Comentário por Anthony — sábado, 29 de agosto de 2009 @ 1:22 pm
Sr. Juiz.
Nao queira aparecer mais do que deve. Deixe a imprensa fazer o seu papel e o senhor faca o seu com qualidade e garantia de ser imparcial. E o minimo que exigimos
.
Comentário por Rogerio Reis — sábado, 29 de agosto de 2009 @ 1:30 pm
não pode ter arma pra se denfeder, não tomar cerveja e dirigir; não pode fumar;não pode vender quentão em festa junina nas escolas, censura ao estadão no caso do congresso; censura geral no caso motessera.
daqui a pouco vão colocar a foto do hugo chaves e do golberi na bandeira nacional
é a ditatura chegando aos poucos , e ninguem que tem poder faz nada ; depois tem que começar a brigaiada tudo de novo pra conseguir a liberdade . eita nois
Comentário por valmir — sábado, 29 de agosto de 2009 @ 1:41 pm
O fato do juiz não querer transformar o julgamento no circo que a imprensa gosta, desrespeitando as leis, dizem que o juiz age com afetamento. A imprensa já começa a perseguir quem não faz suas vontades. A imprensa quer é notícia, se possível, escândalos, e acontecimentos espetaculares, quem ousa seguir a Constituição e não as determinações do grande poder imprensa, sofre as consequências. A própria matéria já fez com que os que a lessem se colocassem contra o juiz. Essa é a imparcialidade que eles pregam. Capaz do juiz mudar de idéia por conta da pressão “popular”…
Comentário por Rodrigo — sábado, 29 de agosto de 2009 @ 1:44 pm
Esse juizinho deve ser candidato a senador(eca)
Comentário por ELSO NUNES — sábado, 29 de agosto de 2009 @ 1:46 pm
Não confundam LIBERDADE de imprensa com LIBERTINAGEM de imprensa.
Que os que estão ainda sendo processados ou que foram julgados e absolvidos tenham tido sua dignidade e imagem protegidas durante todo o processo, pois a desnecessária exposição destas garantias constitucionais seria libertinagem neste caso.
Que os julgados e condenados sejam imediatamente recolhidos aos podres porões do sistema prisional brasileiro, e se tiverem sorte, que após cumprir toda a pena tenham alguma oportunidade para não mais delinquir, e caso sejam reincidentes e novamente condenados, tenham uma pena muito mais severa do que a anterior.
No nosso país os juízes rarissimamente reconhecem o direito à indenização dos inocentados (absolvidos), permitindo abusos libertinos da imprensa.
Comentário por Gláucio Ottis — sábado, 29 de agosto de 2009 @ 1:50 pm
o nosso brasil e fraco, hoje ninguem tem mais liberdade devido a tanta bandidagem existente no brasil acho que o brasil teria que ser o pais com maior indice de corrupçao tudo que fala em jornal e isso. isso tem que mudar enquanto nao achara alguem que tem peito para acabar com a bandidagem isso nao mudo e so fazer igual o buch colocar pena d emorte para os casos mais omissos uns dois que morrer em praça publica meu filhop vai agua no fogo certeza, se eu fosse um politico ja tinha entrado com a pena de morte mesmo para ve s e mud um pouco nosso pais que esta um vergonha aqui nao estou tendo nem coragem de falar que eu sou brasileiro mais nao.
Comentário por joaquim jose dos santos — sábado, 29 de agosto de 2009 @ 2:06 pm
Nossa esperança de mudar este pais e os jovens de hoje mas quando vejo um magistrado novo que se presta a um papel deste de proibir a imprensa de trabalhar,fico pensando sera que podemos ter esperança de mudar alguma coisa neste nosso Brasil algum dia. Waldemar–Goiania
Comentário por Waldemar Gregorio da Mota — sábado, 29 de agosto de 2009 @ 2:19 pm
ACREdite se quizer : No Maranhao ja’ fizeram coisas muito piores por de traz da imagem de intelectual almofadinha e docil.
O Hidelbrando pelomenos esta’ sendo julgado…
Os criminosos maranhences ficarao sem indiciamento ate’ quando?
Espero do Presidente que esqueca interesses politicos e libere a justica para cumprir seu papel.
Carlito
Comentário por carlos — sábado, 29 de agosto de 2009 @ 2:25 pm
Obstrução da justiça é crime previsto em lei.
A “ocultação” do julgamento da opinião pública não é?
Enquanto tivermos forum-privelegiado a uns e outros não mostraremos de fato que cara tem a justiça brasileira.
Comentário por EDSON LUIZ GRABSKI — sábado, 29 de agosto de 2009 @ 2:39 pm
Isto é uma parte do Brasil que pouco se conhece, e pouco fazem o poder da sua forma.
Enquanto isto os deuses da justiça em Brasilia cuidam de manter-se no poder conju com seus comparsas politicos. Isto é o basta!
Comentário por Alex - Ri Grande do Sul — sábado, 29 de agosto de 2009 @ 2:46 pm
O ACRE E OUTRAS COSITAS MAS SÓ SERVEM PRA DAR AO BRASIL POLÍTICOS CORRUPTOS E ESSAS IMBECILIDADES…LIBERDADE AO SUL….
Comentário por WALTER — sábado, 29 de agosto de 2009 @ 3:38 pm
Que vergonha senhor juiz, faça o favor ! onde já se viu. Só falta o senhor livrar esse criminoso da prisão, um crime com essas proporção tem que ser julgado em praça publica e de preferência enforcar ou fuzilar esse fdp.
Comentário por lopes — sábado, 29 de agosto de 2009 @ 3:58 pm
Esse é o país das excelências,é um tal de vossa excelência pra cá e pra lá que dá nojo.oque vocês acham chamar o color,o sarney,o renan calheiros…….de excelência?
Na minha opinião o dicionário está errado.
A ABL devia rever isso.
Comentário por ROMEO — sábado, 29 de agosto de 2009 @ 4:11 pm
E imaginar que o PFL/DEM já teve essa figura entre seus deputados federais.
Como é possível que alguém como ele, que certamente tem antecedentes conhecidos pela sociedade, pelas pessoas, pode conseguir abrigo num partido político?
Quais são os critérios de seleção de candidatos que o DEM/PFL usa para escolher os seus? Existe algum critério?
Pelo visto, não.
Comentário por Antonio Santos — segunda-feira, 31 de agosto de 2009 @ 12:18 pm
Nos Estados Unidos essa não é a exceção, é a regra. Filmar o réu pra quê, pra ele chorar e ganhar peso na apelação?
Fico muito satisfeito com um repórter do outro lado da rua, uma semana depois, dizendo tudo com clareza sobre o julgamento. Chega dessas araras berrando suposições a 5.000 rpm. Obrigado, Sr. Juiz, por poupar-me de ter de jantar olhando pra cara desse deputado.
Comentário por Pedro Laurentino — quinta-feira, 3 de setembro de 2009 @ 8:00 am