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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Jornalistas do Acre recorrem pelo direito de imagem no julgamento do “crime da motosserra”

Altino Machado às 8:35 pm
Marcos Vicentii, Samoel Evangelista, Pedro Ranzi e Adair Longuini

Marcos Vicentti, Samoel Evangelista, Pedro Ranzi e Adair Longuini

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre (Sinjac) decidiu recorrer ao Conselho de Administração do Tribunal de Justiça do Acre contra a portaria assinada pelo juiz Leandro Leri Gross, da Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Rio Branco (AC), que institui restrições à atividade da imprensa nos julgamentos.

A decisão do juiz antecede o julgamento do “crime da motosserra”, marcado para o dia 21 de setembro, quando o ex-deputado Hildebrando Pascoal será julgado sob a acusação de ter liderado sessão de tortura e assassinato do mecânico Agílson Santos Firmino, o “Baiano”, com a participação de Pedro Pascoal (irmão), do ex-sargento PM Alex Barros e de Adão Libório (primo).

Os desembargadores Pedro Ranzi (presidente), Adair Longuini (vice) e Samoel Evangelista (corregedor) se reuniram no final desta segunda-feira com o presidente do Sinjac, Marcos Vicentti, a quem manifestaram perplexidade com a decisão do juiz.

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Juiz restringe trabalho da imprensa no julgamento do “crime da motosserra”

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Os desembargadores reconheceram que o juiz tem autonomia para decidir sobre a organização do Tribunal do Júri, mas assinalaram que podem reformar a portaria caso o Conselho de Administração seja provocado com recurso administrativo.

- Existe sempre a possibilidade do recurso jurídico ou administrativo - disse o desembargador Adair Longuini, que era juiz em Xapuri (AC) quando presidiu o júri do caso Chico Mendes, há 18 anos.

Na ocasião, Longuini permitiu que os dois réus -o fazendeiro Darly Alves da Silva e o filho Darci Alves Pereira- fossem fotografados no início do julgamento e durante a leitura da sentença que os condenou a 19 anos de prisão.

O presidente do TJ do Acre, Pedro Ranzi, destacou a colaboração da imprensa acreana no combate ao crime organizado. Ranzi revelou que os desembargadores chegaram a conversar com o juiz Leandro Gross antes da publicação da portaria, pois estavam preocupados com o julgamento do ex-deputado e dispostos a prestar todo o apoio necessário para a sua organização.

Mesmo respeitando a autonomia do juiz, os desembargadores chegaram a defender a transmissão do julgamento em vídeo por causa do clamor social decorrente do “crime da motossera”.

- Nossa preocupação era evitar confronto com a imprensa, especialmente porque ela prestou enorme contribuição no combate ao crime organizado no Estado. A portaria do juiz nos surpreende - afirmou Ranzi.

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sábado, 29 de agosto de 2009

Juiz restringe trabalho da imprensa no julgamento do “crime da motosserra”

Altino Machado às 10:51 am
Lenadro Gross

Leandro Gross: "Nossa intenção não é proibir ou prejudicar"

O juiz Leandro Leri Gross, titular da Vara do Tribunal do Júri da comarca de Rio Branco (AC), decidiu restringir o trabalho da imprensa durante o julgamento do “crime da motosserra”, marcado para o dia 21 de setembro. O ex-comandante da Policia Militar do Acre e ex-deputado Hildebrando Pascoal é acusado de liderar sessão de tortura e assassinar o mecânico Agílson Santos Firmino, o “Baiano”, com a participação de Pedro Pascoal (irmão do coronel), do ex-sargento PM Alex Barros e de Adão Libório (primo).

Por causa do julgamento, Gross assinou uma portaria que limita o trabalho de repórteres fotográficos e cinegrafitas durante as sessões do júri. Não será permitido filmar ou fotografar os réus e testemunhas no interior do plenário. Imagens ou fotografias só poderão ser obtidas do lado externo  tendo como obstáculo uma porta de vidro fumê.

A portaria também prevê que qualquer pessoa e a imprensa terão acesso ao plenário do Tribunal do Júri, sendo permitida a gravação de voz dos debates, depoimentos e sentença, bem como permite o acesso aos autos do processo para esclarecimento de dúvidas ou informações.

- Nossa intenção não é proibir ou prejudicar o trabalho de ninguém, mas de preservar o direito dos acusados, testemunhas e jurados - afirmou Gross.

Durante a semana, a Justiça do Acre ganhou destaque nacional por causa do juiz Cloves Augusto, titular da 4ª Vara da Comarca de Rio Branco. Ele realizou pela primeira vez na história uma audiência por meio de um telefone celular. O uso da tecnologia possibilitou que extinguisse em três minutos e três segundos um processo que poderia durar anos para ser julgado.

Gross não permitirá sequer que jornalistas usem celulares ou laptops dentro do auditório do Tribunal do Júri. A preocupação dele é com a possibilidade de que esses equipamentos sejam usados para obtenção de imagens do júri ou na transmissão em tempo real do julgamento por blogueiros e tuiteiros.

O juiz chegou a desconsiderar os conselhos que recebeu do vice-presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Adair Longuini, para não dificultar o trabalho da imprensa.

Quando era juiz em Xapuri (AC), Longuini presidiu sem afetação o julgamento do fazendeiro Darli Alves da Silva e do seu filho Darci Alves Pereira, ambos condenados a 19 anos de prisão por causa do assassinato do líder sindical e ecologista Chico Mendes, em dezembro de 1988. Ele permitiu que os réus fossem fotografados na abertura do julgamento e durante a leitura da sentença.

Gross não aceitou sequer sugestões para que os debates do julgamento fossem reproduzidos em telão e caixa de som para o público que não conseguirá ter acesso aos 180 lugares do auditório do Tribunal do Júri.

“Crime da motossera

O crime contra “Baiano” ganhou repercussão dentro e fora do país porque foi praticado com requintes de crueldade, mediante intenso sofrimento físico. Ainda vivo, o mecânico teve os olhos perfurados, braços, pernas e pênis amputados com a utilização de uma motosserra, além de um prego cravado na testa. O atos de tortura culminaram com vários tiros desferidos supostamente pelo ex-deputado contra a cabeça da vítima.

O motivo foi torpe, segundo o MP. O mecânico era empregado de Jorge Hugo, o “Mordido”, que havia assassinado Itamar Pascoal, irmão de Hildebrando, no dia 30 de junho de 1996.

“Baiano” ajudou “Mordido” a fugir. Para revelar o paradeiro do marido, Evanilda Lima de Oliveira, mulher de “Baiano”, foi levada para o quartel da Polícia Militar do Acre, que era comandado pelo coronel Aureliano Pascoal, primo de Hildebrando.

Enquanto a mulher estava sob domínio de policiais militares, Pedro Pascoal, irmão de Hildebrando, e os policiais Sebastião Crispim da Silva e Antonio Oliveira da Silva, voltaram à casa dela e capturaram o seu filho Wilder Firmino de Oliveira, de 13 anos. Após ser torturado e revelar o paradeiro do pai, o garoto foi assassinado. Este crime é alvo de outra denúncia do MPE contra o bando.

O corpo de “Baiano” foi amarrado numa corda, arrastado de carro pelas ruas de Rio Branco e abandonado próximo à uma emissora de TV, provavelmente para intimidar as autoridades e a imprensa diante da barbárie que imperava no Acre. Com a palavra “procurado” em destaque, Pascoal chegou a imprimir milhares de cartazes com uma foto de “Mordido” no qual oferecia recompensa de R$ 50 mi para quem revelasse o seu paradeiro.

Nota de repúdio do Sinjac

“O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre (Sinjac) repudia as restrições à liberdade de expressão decorrentes da Portaria nº 8, assinada pelo juiz Leandro Leri Gross, titular da Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Rio Branco.

O juiz tenta desconstruir a relação de respeito da Imprensa para com o Judiciário do Acre a pretexto de regulamentar o trabalho de repórteres fotográficos e cinegrafistas durante a sessão de julgamento do “crime da motosserra”, marcado para 21 de setembro, tendo como réus Hildebrando Pascoal, Pedro Pascoal, Alex Barros e Adão Libório.

De acordo com a portaria, não será permitido filmar ou fotografar os acusados no interior do plenário, sendo que imagens ou fotografias poderão ser obtidas do lado externo, onde existe uma porta de vidro fumê com cortina.

Ao proibir filmagem, foto, celular e laptop durante o júri, além de impedir que o debate do julgamento seja transmitido ao vivo em telão, o magistrado dá prova de desconhecimento do papel desempenhado pela imprensa do Acre no esforço da sociedade para desmobilizar o crime organizado no Estado.

O ex-deputado Hildebrando Pascoal chegou a invadir o Tribunal de Justiça do Acre para ameaçar desembargadores quando as autoridades do Estado começaram a se mobilizar para investigar o terror imposto por seu bando na vida social acreana.

O ex-comandante da Polícia Militar do Acre chegou a obrigar uma repórter a engolir uma página de jornal contendo informações consideradas desfavoráveis aos interesses dele.

Hildebrando Pascoal é acusado de ter usado uma motosserra para fatiar uma de suas vítimas, tendo arrastado seu corpo em carro pelas ruas de Rio Branco, abandonado-o próximo de uma emissora de TV na tentativa de intimidar os jornalistas.

A Imprensa do Acre sempre teve acesso ao Tribunal do Júri sem desrespeitar o direito de proteção de jurados e testemunhas.

O Judiciário do Acre já deu prova de maturidade quando realizou com máxima transparência o julgamento do caso Chico Mendes em Xapuri (AC) há quase 20 anos.

Esperamos que o presidente do Tribunal de Justiça do Acre, desembargador Pedro Ranzi, faça prevalecer o bom senso em relação ao acompanhamento da Imprensa no desfecho de um crime que ainda atormenta a sociedade brasileira.

Marcos Vicentti
Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre
Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)”

Foto: Divulgação

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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Manejo de pirarucu aumenta renda de pescadores e conserva ecossistemas no Acre

Altino Machado às 9:32 am

Por BRUNO TAITSON, direto de Manoel Urbano (AC)

Em projeto coordenado por WWF-Brasil e governo do Acre, pescadores criam regras para disciplinar a atividade, gerando resultados de conservação e de inclusão social

A Terceira Feira do Pirarucu Manejado, encerrada nesta semana no município de Manuel Urbano, no Acre, demonstrou os resultados positivos do projeto de manejo do pirarucu, o maior peixe de água doce do planeta. No evento, pescadores locais puderam comercializar alimentos e objetos de artesanato elaborados a partir da espécie, que vinha desaparecendo da região no início desta década.

O projeto, que consiste em treinar e capacitar pescadores para manejar o pirarucu de forma ambientalmente adequada, gerou acordos de pesca, que são regras elaboradas pelos moradores locais com objetivo de assegurar, em longo prazo, a sobrevivência da espécie e a viabilidade econômica da atividade pesqueira.

Os principais resultados diretos são o aumento da produtividade dos lagos, o crescimento da produção de pirarucu nos lagos manejados, o repovoamento, com casais da espécie em lagos onde o peixe havia desaparecido  e o consequente aumento da renda dos pescadores.

Pedro de Nascimento, pai de oito filhos, relata que sua renda com a pesca aumentou mais de 50% após sua entrada, em 2007, no grupo de manejadores que participa do projeto do pirarucu.

- Antes, demorava de dois a três dias em Manoel Urbano para vender 60 quilos de peixe, e muitas vezes levava prejuízo. Agora a gente ganha muito mais - diz.

O pescador destaca que, antes da implementação dos acordos de pesca, havia poucos peixes e a atividade era cercada de incertezas.

- Havia gente pescando dia e noite, com malhadeiras de todos os tamanhos. Estavam acabando com os peixes”, relata, salientando que as regras ajudaram a garantir a sustentabilidade da pesca nos lagos.

Os primeiros registros de escassez do pirarucu, importante fonte de renda e de proteínas para populações ribeirinhas do alto rio Purus, aconteceram a partir de 2001.

Diante de uma demanda das colônias de pescadores dos municípios de Sena Madureira e Manoel Urbano, o WWF-Brasil e o governo do Estado, por intermédio da Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof), elaboraram um projeto conjunto para o manejo da pesca.

Em 2003, o manejo do pirarucu foi aplicado como piloto no Lago Santo Antônio (Manoel Urbano). Dados levantados ao longo do projeto indicam que a produtividade dos lagos cresceu, em média, 140%.

Atualmente, acontece também nos lagos Novo, Grande e Novo Destino, no mesmo município. Além disso, começa a ser implantado em comunidades ribeirinhas e terras indígenas também no Acre, nas bacias dos rios Envira e Tarauacá.

Geraldo Bispo mora na região dos lagos de Manoel Urbano há quase 40 anos e participa do manejo do pirarucu desde o início do projeto, em 2002. Com a melhoria da produtividade na pesca, tem mais tempo para se dedicar à agricultura.

- Antes, precisava de mais de 30 peixes para dar o peso de um quilo. Hoje, 12 peixes já pesam um quilo. Em menos de duas horas consigo pescar o que preciso para a subsistência - relata.

O pescador, que tem nove filhos – a mais nova com 14 anos – acrescenta que, com o projeto, não só as populações de pirarucus aumentaram, mas também as dos demais pescados da região, como o mandi e a branquinha.

- O manejo está funcionando - avalia Geraldo Bispo.

Os impactos positivos em outras espécies, relatados por Geraldo Bispo, são de grande importância socioeconômica para a região. Os peixes branquinha (Charex gibbosus), mandi (Pimelodus spp.) e filhote (Brachyplathystoma filamentosum) respondem por 65% do volume capturado nos lagos de Manoel Urbano.

- A presença em abundância do pirarucu, espécie que fica no topo da cadeia alimentar, é um significativo indicador de conservação dos ecossistemas aquáticos, por demonstrar que não há escassez das demais espécies - esclarece Antonio Oviedo, técnico do WWF-Brasil responsável pelo projeto.

Além do mais, por ser um peixe sedentário, o pirarucu só permanece em locais bem conservados. Assim, é possível dizer que sua presença sinaliza a conservação da vegetação às margens do lago, bem como abundância de microrganismos na água e uma atividade de pesca dentro de padrões de sustentabilidade.

Carlos Leopoldo, técnico da Seaprof responsável pelo projeto, observa que os lagos de Manoel Urbano estão em uma região delicada, que sofre impactos ambientais a partir do asfaltamento da BR-364 e de assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

- Em sete anos de projeto, temos conseguido mudar a atitude da população local em relação ao meio ambiente. Hoje eles têm a clara percepção de que o recurso natural precisa ser utilizado de forma sustentável - assinala.

Pesquisa e capacitação

Organizada anualmente, a Feira do Pirarucu Manejado incrementa a renda dos pescadores e do comércio local, informa a população a respeito de questões ambientais e também leva entretenimento a moradores e visitantes.

Durante a feira foram comercializados diversos produtos derivados do pirarucu, desde o filé (conhecido como manta) até peças artesanais confeccionados com as escamas do peixe.

Para a feira, foram capturados, com autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), 17 pirarucus, que pesaram cerca de 1,8 tonelada.

Até o final de setembro, os pescadores poderão pescar mais 22 unidades, atingindo o total de 30% do estoque de pirarucu nos quatro lagos manejados. O percentual é estabelecido de forma participativa de acordo com critérios ambientais. Em 2007, na primeira edição da feira, o volume pescado foi de uma tonelada.

Para o pesquisador Marcelo Crossa, que atua como consultor no projeto, é preciso seguir investindo em capacitação e pesquisa, para que se acumule um maior volume de conhecimento a respeito do pirarucu e, principalmente, do comportamento do peixe em cabeceiras de grandes rios da bacia amazônica, como é o caso do rio Purus.

- São características diferentes daquelas manifestadas no médio e baixo Amazonas - explica.

Crossa acrescenta que o principal desafio do projeto é promover o equilíbrio entre as necessidades ambientais, sociais e econômicas.

- Isso demanda pesquisa e modelos de uso adaptativo dos recursos, além de treinamento de técnicos, gestores e pescadores nas regiões onde o manejo é aplicado - conclui

Fotos: Bruno Taitson/ WWF-Brasil

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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Governador do Acre recebe helicóptero; o estado não tem heliporto

Altino Machado às 9:35 am
MM

Esquilo petista: cores e a estrela da bandeira do Acre na fuselagem

O governador do Acre Binho Marques (PT) recebeu nesta quarta-feira, 26, em Brasília, o helicóptero Esquilo AS 350, que o Estado comprou da Helibras por R$ 7,9 milhões. A solenidade foi prestigiada, entre outros, pelo ex-govenador Jorge Viana, presidente do Conselho de Administração da Helibras.

O Acre, que não dispõe ainda de heliporto, assinou em novembro de 2008 o contrato de compra, o que ocorreu dois anos após Jorge Viana ter deixado o governo do Acre e assumido a presidência do Conselho de Administração da Helibras, maior montadora de helicópteros da América do Sul.

- O helicóptero que o Binho acaba de receber para o Acre eh lindo - escreveu o senador Tião Viana (PT-AC) no Twitter.

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Acre compra helicóptero de empresa da qual ex-governador participa

O helicóptero foi batizado como Comandante João Donato, em homenagem ao pai do compositor acreano João Donato. No final da década dos 1930, o coronel João Donato de Oliveira se tornou o primeiro piloto de avião do Acre, onde chegou a ser dono de um aeroclube.

Pintado com as cores da bandeira acreana, incluindo a estrela vermelha, que também remete à estrela do PT, o Esquilo AS 350 será apresentado no Estado em 5 de setembro, Dia da Amazônia. O Ministério Público Federal  no Acre já pediu informações sobre várias aplicações de logomarca que desfiguram a bandeira do Acre, extrapolando a proporção da estrela.

De porte leve, monoturbina, novo de fábrica, com capacidade de transporte de seis pessoas, incluindo o piloto, o helicóptero será utilizado em operações de segurança pública, saúde, defesa civil, meio ambiente e transporte de autoridades do Estado.

Em novembro do ano passado, o ex-governador Jorge Viana disse ao Blog da Amazônia que não compra nem vende helicópteros.

- Não quero me pronunciar a respeito de novas bobagens daqueles que sempre me acusam movidos por inveja e ódio.  O que sempre faço em minha vida é ajudar o Acre no que posso. Estou levando minha vida normal e batalhando muito mais do que batalhava quando era governador. É mais adequado que alguém do governo do Acre se manifeste sobre esse assunto - sugeriu Viana na ocasião.

Foto: Divulgação

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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Jornal peruano ganha “prêmio” por defender bombardeio com napalm contra indígenas

Altino Machado às 9:30 am

Por causa do artigo “Pobres selvagens e outras torpezas“, assinado por Andrés Bedoya Ugarteche, o jornal peruano Correo foi “premiado” nesta quarta-feira pela ONG inglesa Survival International como portador da opinião considerada mais racista num meio de comunicação no mundo neste ano.

O artigo insinua que os indígenas peruanos deveriam ser bombardeados com napalm - líquido inflamável à base de gasolina gelificada, utilizado como armamento militar.

- Não sei o que espera Alan [García, presidente do Peru] que não prepara a sua FAP [Força Aérea Peruana] com todo o napalm necessário - escreveu Ugarteche.

O  artigo se refere aos indígenas como pessoas “selvagens” e “primitivas”, cujas línguas não seriam formadas por mais de 80 vocábulos.

Ao mencionar os recentes protestos em grande parte da Amazônia peruana,  Ugarteche afirmou que os indígenas foram manipulados pelo “excremento comunista”.

- Para aqueles que consideram a estas “etnias” como grupos humanos de pessoas “boas”, “ingênuas” e “simplórias”, lhes recordo que foram estas mesmas que se aperfeiçoaram na arte de reduzir a cabeça de seus inimigos e carregá-las em cintos de couro que prendiam a seus panos de lombo - opina o articulista, que também ataca a três congressistas indígenas, ridicularizando seus nomes.

O “premio” pelo artigo mais racista do ano é parte de uma campanha da Survival para questionar as descrições racistas de povos indígenas na mídia mundial. O ganhador recebe um certificado com uma citação do lakota sioux Luther Standing Bear (Oso de Pie): “Tantos anos chamando ao indígena de selvagem não lhe converteu em um”.

- Este artigo é uma leitura deprimente para qualquer pessoa que pensa que os jornais deveriam educar e informar aos seus leitores. Esperamos que a publicidade faça com que o jornal pense duas vezes antes de publicar tal lixo ofensivo novamente - conclui a Survival.

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PF indicia sete pessoas suspeitas de planejar morte de juíza federal

Altino Machado às 5:29 am

Sete pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal no Amazonas sob a suspeita de planejar o assassinato da juíza federal Jaiza Maria Pinto Fraxe. A PF concluiu que todas fazem parte da organização criminosa comandada pelo deputado estadual Wallace Souza (PP).

O parlamentar, que é acusado de encomendar crimes para exibir num programa da TV Em Tempo, repetidora do SBT, do qual era o apresentador, também também teve o indiciamento sugerido pela polícia.

Wallace Souza é o deputado mais votado do Amazonas. Ele é réu por suspeita de formação de quadrilha, associação ao tráfico de drogas e posse ilegal de armas. É acusado pelo Ministério Público Estadual de comandar com o  filho dele, Raphael Souza, a organização criminosa.

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A juíza Jaiza Fraxe entrou na mira do grupo após atuar na Operação Centurião, responsável pela prisão em 2005 do coronel da PM Felipe Arce, apontado como o segundo homem da quadrilha. A juíza chegou a fazer duas representações junto ao Ministério Público Federal por causa das ameaças de morte contra ela.

A primeira foi em 2007, quando recebeu uma carta informando que havia um esquema para assassiná-la, planejado por um grupo comandado coronel Arce, que era o comandante do Departamento de Inteligência da Polícia Militar

O ex-sargento da PM, Moacir Jorge da Costa, o “Moa”, fazia a segurança do deputado Wallace Souza. Acusado de nove homicídios, “Moa” disse em depoimento à policia  que pelo menos um assassinato foi encomendado por Wallace Souza e gravado pela equipe do programa.

De acordo com depoimento do ex-policial, o grupo comandado pelo deputado teria planejado assassinar a juíza provavelmente por causa das decisões que ela tomou quando era titular do processo que tinha como réu o coronel Arce.

A juíza indeferiu pedidos de habeas corpus em favor de Arce e também não atendeu o pedido de transferência dele da Superintendência da Polícia Federal, onde ficou preso por mais de um ano, para uma unidade da Polícia Militar.

Marcelo Terças, amigo do filho do deputado, além de comandar grupo criminoso, teria coagido à juíza em junho deste ano, quando ela visitou Salinópolis (PA). Terças teria se hospedado no mesmo hotel em que a juíza. Ela foi resgatada pela Polícia Federal.

“Um absurdo”

O deputado Walace Souza, que responde processo de cassação no Conselho de Ética da Assembléia Legislativa do Amazonas, considera absurdas as denúncias que pesam contra ele e o filho.

- Eu tive a coragem de transformar um programa político em um programa de polícia. Por causa da ausência de políticas públicas de segurança, comecei a discutir e mostrar os problemas. O meu programa foi pioneiro nesse aspecto e permitiu que as pessoas tivessem vez e voz. Eu, que combtia o crime organizado, agora me vejo acusado de ser chefe de um grupo de extermínio, chefe de organização criminosa, traficante de drogas. Fazem as acusações mais pesadas possíveis contra mim, contra o meu filho e um grupo de pessoas que trabalha comigo. É um absurdo tudo isso.

Ação criminal

O deputado ingressou no Superior Tribunal de Justiça com habeas corpus visando o trancamento da ação criminal movida contra ele pelo Ministério Público Estadual,  acolhida no final de julho pelo Tribunal de Justiça do Amazonas.

A defesa alega que o Tribunal de Justiça cometeu equívocos que precisam ser sanados. De acordo com o advogado  Francisco Balieiro, os erros começaram com a força-tarefa que investigou o parlamentar sem que houvesse autorização do Judiciário.

Segundo Balieiro, não há nos autos prova de que seu cliente fez associação ao tráfico, sendo que os depoimentos prestados por “Moa” foram colhidos de forma irregular.

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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Juiz realiza audiência por celular pela primeira vez na história do Acre

Altino Machado às 5:31 pm

"O Judiciário tem de utilizar tecnologias para maior celeridade processual"

O juiz Cloves Augusto, titular da 4ª Vara da Comarca de Rio Branco, realizou pela primeira vez na história do Judiciário do Acre uma audiência por meio de um telefone celular. O uso da tecnologia possibilitou que extinguisse em três minutos e três segundos um processo que poderia durar anos para ser julgado.

O magistrado recebeu a denúncia do Ministério Público contra Artur Vieira, acusado dos crimes de roubo e extorsão. De acordo com a denúncia, o acusado teria subtraído, através de ameaça pelo emprego de revólver, a quantia de R$ 12 mil, de Rosiele Silva de Oliveira e Clodomar Almeida da Silva.

O réu foi interrogado e se declarou inocente. Afirmou que no período em que ocorreu o assalto não sabia dizer o local exato onde estava, mas que deveria estar trabalhando em pintura ou outro serviço.

O juiz então ouviu a vítima Clodomar Almeida da Silva, que se encontrava em São Paulo, por meio de aparelho celular, com o uso do recurso viva-voz. Também participaram da audiência o acusado, membros do Ministério Público e da Defensoria Pública.

A vítima Clodomar Almeida, em seu depoimento, declarou que não tinha certeza de que o réu era o autor do crime, o que levou o juiz decidir pela absolvição do acusado.

- O Judiciário tem de utilizar todas as tecnologias que concebam maior celeridade processual, sobretudo as que promovam maior dinâmica e promovam acesso do cidadão aos seus direitos. O maior benefício é para a sociedade - disse o juiz sobre o procedimento inédito.

Foto: Divulgação

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Casa de irmã de Marina é invadida e saqueada no interior do Acre

Altino Machado às 9:51 am

A casa de Maria Deuzimar Silva, irmã da senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (sem partido-AC), foi invadida por volta das 22 horas desta segunda-feira, 24, por um grupo de quatro homens armados.

O grupo amordaçou Deuzimar e seus familiares, fez disparos sem atingi-los, se apossou de R$ 5 mil, uma espingarda calibre 20 e fugiu com uma camioneta Hillux.

A irmã da senadora mora numa chácara na Vila Campina do Bagaço, que tem cerca de oito mil moradores, um comércio ralo, 15 igrejas e cerca de 20 botecos.

O nome da vila faz alusão ao antigo seringal Bagaço, onde a senadora Marina Silva nasceu, a 60 quilômetros de Rio Branco ou 80 quilômetros da cidade sede, Plácido de Castro, na fronteira com a Bolívia.

O carro foi recuperado pela Polícia Militar de Plácido de Castro nesta madrugada, durante operação de rotina comandada pelo tenente Jamisson Neri,  a menos de cem metros da vila boliviana Evo Morales.

- Os assaltantes certamente fugiram quando nos aproximamos. Deixaram o DVD dentro carro. Eles costumam deixar o carro no local e vão negociar a troca do mesmo por cocaína no lado boliviano. Uma Hillux custa, em média, 10 quilos de oxidado, a pasta-base de cocaína - disse o tenente Nery.

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Justiça Federal condena usuário do Orkut por racismo contra índios

Altino Machado às 1:12 am

A Justiça Federal no Pará condenou nesta segunda-feira, 24, Reinaldo A.S.J, morador de Belém, a dois anos e meio de prisão por publicar conteúdo racista contra índios em uma comunidade do site de relacionamentos Orkut.

Denunciado pelo Ministério Público Federal, em 2007, por comentários agressivos contra os povos indígenas, o réu terá que pagar R$ 20 mil em multa e prestar serviço comunitário na Fundação Nacional do Índio (Funai).

Como Reinaldo A.S.J não é reincidente, a pena aplicada não ultrapassa quatro anos de reclusão e o crime não foi cometido com violência ou grave ameaça, o juiz federal Wellington Castro, da 4ª Vara, substituiu a pena privativa de liberdade por uma pena restritiva de direitos.

Com a substituição da pena, o réu terá de prestar serviços comunitários gratuitos, pelo tempo da pena aplicada, junto à Funai, durante uma hora de tarefa por dia de condenação. O valor da multa será recolhido para instituição que será definida pelo juízo da execução.

Durante o processo, Reinaldo A.S.J confessou o crime. A sentença é a primeira do gênero no Estado. O réu foi denunciado porque fazia parte de uma comunidade no Orkut chamada “Índios…Eu consigo viver sem”.

Entre várias declarações ofensivas postadas na comunidade por outros usuários, as de Reinaldo puderam ter a autoria identificada por opiniões que ele próprio publicou no site de relacionamento e também em um fotolog.

O MPF conseguiu as informações depois da quebra de sigilo dos dados telemáticos, assegurada pela Justiça. Descobriu então que o acusado postava as mensagens racistas de dentro da empresa onde trabalhava.

- Quero deixar claro que não discuto com índio, mas sobre índios. Esses seres são incapazes e não tem como se responsabilizar por quaisquer discussão. Continuo defendendo a política americana em relação aos índios, vamos exterminá-los e depois estudar a sua “linda história neste país promissor” - foi uma das mensagens racistas deixadas pelo réu.

A defesa alegou que Reinaldo A.S.J confessou as postagens feitas no Orkut, o que indicaria que “não dispunha de ânimo, de vontade de promover preconceitos raciais, tanto que humildemente e constrangido por seu gesto infantil, até chorou, pedindo desculpas”.

O juiz levou em consideração a confissão do réu, mas afirmou que o susposto desconhecimento sobre a ilegalidade não seria motivo para absolvição.

- Se não sabia dessa ilicitude, deveria saber. As conseqüências do crime são graves por disseminar e incitar ideais de intolerância, desprezo e racismo contra a etnia indígena a um universo indeterminado de pessoas, inclusive crianças e adolescentes, sabidamente, assíduos frequentadores do Orkut - assinalou o juiz na sentença

O réu ainda pode recorrer ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Marina Silva elogia Aécio Neves, mas lembra que o PV é da base do governo

Altino Machado às 3:13 pm
"O PV é da base do governo"

Marina Silva: "O PV é da base do governo"

A senadora Marina Silva (sem partido-AC) foi muito cautelosa ao comentar na tarde desta segunda-feira, em Rio Branco (AC), a declaração do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), que não descarta a possibilidade de uma possível aliança tucana com o PV, em 2010, com o argumento de que o PV possui hoje mais proximidade com o PSDB do que com o PT.

Em entrevista exclusiva ao Blog da Amazônia, a ex-ministra do Meio Ambiente fez questão de assinalar que não havia tomado conhecimento da proposta do governador Aécio Neves, não leu o noticiário e desconhece o contexto.

- Não sei de nada.  Obviamente, o Partido Verde terá uma candidatura no primeiro turno das eleições presidenciais. O que está posto é a questão ambiental como algo estratégico para o país. Todos os partidos têm o direito de ter suas candidaturas - afirmou.

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Aécio quer aliança do PSDB com Marina Silva em 2010

José Aníbal: Aliança com Marina não é incompatível

Marina Silva disse que o PV é um partido da base do governo e vai dar os “registros corretos e adequados para os ganhos do governo do presidente Lula”. Segundo a senadora, é muito bom que haja o reconhecimento de todos os partidos da importância do tema ambiental.

- O governador Aécio Neves tem tido uma experiência de gestão bem firme e é uma coisa boa esse reconhecimento dele, mas o Partido Verde compõe a base do governo e tem a clareza de que os fatos positivos devem ser reconhecidos.

A ex-ministra do Meio Ambiente anunciou na última quarta-feira sua saída do PT, partido pelo qual militou nos últimos 30 anos, mas ainda não anunciou sua filiação ao PV e nem sua candidatura à presidência da República em 2010.

Marina Silva vai se filiar ao PV

Elenira Mendes e Marina Silva

Elenira Mendes e Marina Silva

A senadora Marina Silva deixou evidente que vai mesmo ingressar no Partido Verde. Ela reafirmou que se sente honrada pelo convite do PV para ser candidata à Presidência da República e com as manifestações de respeito e solidariedade que tem recebido da sociedade brasileira.

Para explicar sua saída do PT, ela usou como metáfora alguém que deixa uma família para morar em outra casa.

- Eu vou morar em outra casa, numa outra rua e em outro bairro, mas a nossa casa nunca foi tão comum. Ela se chama Planeta Terra e nós podemos fazer política a favor.

A ex-seringueira disse que são felizes aqueles que colocam a pedra certa no lugar certo para começar uma nova edificação. Assinalou que tudo começou com “um sonhador chamado Chico Mendes, que hoje continua sendo fonte de inspiração para todos nós”.

- Quando eu vejo aqui Elenira Mendes, a filha de Chico Mendes, sinto que poderei devolver a ela aquilo que ele me deu. O pai dela me ensinou muita coisa.

O líder sindical e ecologista Chico Mendes, assassinado no dia 22 de dezembro de 1988, em Xapuri (AC), foi um dos fundadores do PT e da Central Única dos Trabalhadores. Mendes já havia dado garantias de que iria trocar o PT pelo PV antes de ser assassinado.

- Dias antes de morrer, o Chico me chamou e falou de sua decisão. Infelizmente ele não realizou esse sonho. A Marina está fazendo a sua parte agora - disse Ilzamar Mendes, viúva do sindicalista de Xapuri, militante do PV junto com a filha Elenira.

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domingo, 23 de agosto de 2009

Partido Verde recepciona Marina Silva no Acre

Altino Machado às 7:26 pm
Izamar Mendes, à esquerda, foi recepcionar Marina Silva

Festa do PV no Acre

A senadora Marina Silva (sem partido-AC) desembarcou na tarde deste domingo, 23, no aeroporto de Rio Branco.

Leia mais:

Jorge Viana: “Marina saiu do PT, mas não saiu da Frente Popular do Acre”

A ex-ministra do Meio Ambiente foi recepcionada por quase cem militantes do Partido Verde, entre os quais Ilzamar Mendes, viúva do líder sindical e ecologista Chico Mendes.

Izamar vestia camiseta do “Movimento Marina Silva Presidente”.

Fotos: Marcos Vicentti/Divulgação

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Jorge Viana: “Marina saiu do PT, mas não saiu da Frente Popular do Acre”

Altino Machado às 12:28 pm
Jorge Viana afaga a mão de Lula

Lula e Jorge Viana

O petista Jorge Viana, ex-governador do Acre e presidente do Conselho de Administração da Helibras, tentou minimizar o impacto da saída da senadora Marina Silva (sem partido-AC) do Partido dos Trabalhadores. Contudo, durante entrevista coletiva neste sábado, 23, Viana admitiu que a saída da ex-ministra do Meio Ambiente impôs o desafio de um “rearranjo” na coligação Frente Popular do Acre, que está a caminho da quarta gestão no governo estadual.

- Há uma nova história no Acre após a saída de Marina do PT. Mas é importante destacar que ela saiu do partido, mas continua na Frente Popular do Acre. Ela, inclusive, pediu para a gente levar o projeto adiante, porque é isso que tem o seu apoio.  Tudo envolve sentimento, história, passado e futuro. Nós ficamos para cuidar da herança do bem - afirmou Viana.

Presidente do Fórum Empresarial de Desenvolvimento Sustentável do Acre, o ex-governador considera a possibilidade  de Marina Silva não concorrer a nenhum cargo eletivo, especialmente à Presidência da República, conforme convite feito pelo Partido Verde.

- Ela pode até ficar sem partido, mas jamais ficará sem causa. Sua decisão [de sair do PT] atende a um chamamento de uma causa de vida. É bom destacar que ela não está negando o PT. Quem pegar o caminho para estabelecer o confronto tomará o rumo errado - acrescentou.

Segundo Viana, uma eventual candidatura de Marina Silva à Presidência da República mexerá no jogo da sucessão, que deixará de ser uma eleição “bipolar, entre dois candidatos”.

- Será uma campanha diferenciada, haja vista que Marina tem um talento diferenciado e fora dos padrões. A candidatura de Marina seria muito pequena se fosse pautada no fato de ser contra ou a favor de uma candidatura, como andam dizendo. Sei que ela não se submeteria a isso. Não posso prever aonde ela chegará, mas sei que tem potencial para ir longe.

Ao afirmar que “somos do PT e somos disciplinados partidariamente”, o ex-governador deixou claro que está disposto a votar na ministra da Casa Civil Dilma Roussef, pré-candidata do PT à Presidência da República. Contrariando o que anunciara na imprensa local, Viana negou que tenha sido convidado para ser o coordenador da campanha de Dilma Roussef na REgião Norte.

Viana atribuiu os fracassos políticos do governo e do PT no campo nacional à “uma relação equivocada, que muitas vezes beira a irresponsabilidade” por causa do enfrentamento entre o PT e o PSDB.

- Isso obriga o presidente Lula a fazer alianças com partidos que estão a alguns degraus abaixo do que as duas agremiações pensam. As alianças com outros partidos obrigam o pragmatismo perverso e ruim. Creio que esse confronto nacional do PT e do PSDB é fruto do confronto em São Paulo, Estado onde os dois partidos nasceram e disputam espaço.

Viana lançou dúvidas sobre a composição da chapa majoritária da Frente Popular do Acre. O senador Tião Viana (PT-AC) atua como pré-candidato ao governo estadual desde que o irmão cumpria o segundo mandato de governador.

Na sexta-feira, durante visita do presidente Lula ao Acre, a platéia reservou poucas palmas para Tião Viana, mas o ex-governador foi ovacionado todas as vezes que teve o nome mencionado. Um ex-assessor chegou a gritar “volta, Jorge”.

A “chapa dos sonhos” do governador Binho Marques (PT) seria o senador Tião Viana concorrendo ao governo, tendo Jorge Viana e Marina Silva na disputa para o Senado.  Viana disse que nada está definido, sobretudo após a saída de Marina Silva. Uma declaração sutil do ex-governador lança incerteza sobre a candidatura do irmão senador:

- Tenho esperança de que o Tião, caso seja candidato ao governo, ganhe no primeiro turno. Nunca me ofereci para concorrer a nada. Sempre fui convidado. Se for convocado pela Frente Popular, estou pronto para entrar em campo.

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sábado, 22 de agosto de 2009

Maria Osmarina Silva

Altino Machado às 4:01 pm

POR JOSÉ AUGUSTO FONTES, direto de Rio Branco (AC)

É a Marina Silva, a “companheira combativa” que conheci há uns trinta anos, com cabelos soltos e volumosos, com olhar de mateira. Quando estive mais perto dela foi no movimento estudantil, lá na Universidade Federal do Acre, no início da década de 1980. Nossa turma a chamava carinhosamente de Neguinha, enquanto ela discursava com incomparável firmeza de argumentos e de sentimentos; enquanto ela crescia nos embates pelos Centros Acadêmicos e pelo Diretório Central dos Estudantes; enquanto ela nos envolvia com seu carisma.

Lembro-me de ter visto desde cedo na Marina alguma coisa que a diferenciava; alguma aura de verdade simples e sincera; uma determinação alegre e resoluta saída de alguma dor, algo como um lamento de amor de quem defende grandes causas. Depois, eu fui perdendo o engajamento, enquanto ela, numa proporção geométrica, merecida e conquistada, ampliou o alcance de suas idéias, projetou para bem adiante o foco de seus ideais e alcançou um destaque que eu não saberia definir. Sei que é grande e que não é fantasioso, sei que nos orgulha. Que bom! O pessoal aqui de casa sempre votou nela. Aquele jeito mateiro sempre me convenceu. Não tive mais o contato próximo, do tempo do movimento estudantil, mas ainda a acompanho, aqui do meu cantinho, quase calado. Agora, com notícias que tenho ouvido e lido, veio a vontade de escrever sobre ela, a companheira combativa, agora com os cabelos mais comportados, mas sem nada mudar no jeito resoluto, decidido, convincente.

Nas vezes em que escrevo para qualquer mídia, não abordo temas políticos. Aliás, eu não teria a menor habilidade. Mas a Marina Silva está além do simples enfoque político. Basta olhar um pouco, seja pela janela da sua casa, da minha, seja pela telinha da internet, pelos jornais e revistas, pela televisão, por qualquer meio de informação, a Marina Silva está presente, é vista no mundo inteiro, a Neguinha é um acontecimento, é esperança, é uma boa aliança. Ela está na desesperança das pessoas com os modelos tradicionais da política, está na vontade de mudar o foco e o comportamento, está num grande sonho que começa a tomar cores e formas tenazes.

Foi vereadora e deputada, foi ministra e é senadora, mas não carrega a bagagem pesada que muitas vezes se agrega aos políticos, digamos, ortodoxos, para não dizer manjados. Não usa o enfadonho discurso deles, quando enfadonho é um modo simpático de nomear tantos e tantos discursos que a gente vê por aí (eu digo vê, porque ouvir já seria demais). A Marina tem biografia e história de vida, tem raízes éticas bem plantadas e rumo bem talhado. É possível ver um rio passando, roçando, adubando, lavando, levando boas águas para mais adiante; e também é possível ver o rio no mesmo lugar, sem se afastar do seu nascedouro, um rio que vai ficando, enquanto passa. Há na Marina uma mensagem que agrada aos sentidos, que cabe nos sentimentos, que revela envolvimento. Não se vê nela aquela história de fazer o que é bom para o grupo político, de referendar, por referendar, o que foi feito por fazer, por assim dizer.

E o politicamente correto? Lembram dele? É aquele negócio que permite fazer tudo, e mais um pouco, apenas para agradar, para tentar convencer, para disfarçar. O rumo da Marina ‘não passa por aí’. Ainda tem a história da tal governabilidade, né? A governabilidade é um ícone dos políticos enfadonhos, aqueles manjados. Do que tenho visto, governabilidade é um conceito tão amplo, mas tão amplo, que suas concessões, em plano de aceleração, vivem procurando explicação. É tanta comissão, tanta investigação, que a governabilidade saiu de si, ainda em aceleração, e cresceu tanto, que virou uma indefinição, e da ética perdeu a noção.

A trilha e as idéias da Marina não cederam. Além do pessoal lá de casa, os vizinhos também notaram, as pessoas do outro bairro compreenderam. Em outras cidades, as pessoas igualmente perceberam, se dignificaram. Em vários lugares, por todo canto, cresce o sentimento de que o proceder político deve mudar, de que um jeito verdadeiro deve se eleger, de que a simplicidade comprometida com valores efetivos pode prevalecer, para além da simples vontade de manutenção política ou de agrado eleitoreiro. Não há na Marina uma vontade particular de se projetar ou de se manter, há um ideal a propagar. É como uma bandeira que ela quer carregar, desfraldar e manter bem aberta, acessível a todos, e fincar, bem fincada, na consciência coletiva. Eu vejo isso como um sonho, que parte dela e começa a dominar muita gente. É como um novo começo. Olhando melhor, já vejo uma multidão nesse sonho.

A desesperança popular é bem notória. Os padrões do modo político que se tem visto e sentido, estão numa cartilha diacrônica e borrada, que precisa ser escrita com novas cores e letras, com valores e princípios de interesse público, coletivo, no sentido mais ético que isso possa denotar. As pessoas já estão cansadas de tanta decepção e do repetir incessante de más notícias, de engodos, de malversação, de explicação ensaiada. A ganância e a fome de poder não cabem mais no cenário, há um novo figurino a moldar, há um novo traço para mudar o rumo da velha encenação. Na quarta-feira, dia 19 de agosto de 2008, a Marina anunciou sua saída do Partido dos Trabalhadores. Sobre o rumo traçado, ela mesma explicou: “essa luta não é só de um partido, deve ser de todos os partidos, das empresas, da comunidade científica, dos movimentos sociais”. E deixou patente que não mudou de caminho, apenas passou a caminhar de outro modo.

O desenvolvimento sustentável talhado nas propostas da Marina é como uma seringueira nativa no meio da floresta, que naturalmente espalha suas sementes, doando-se num ato de entrega anunciado, semeando-se com simplicidade e nobreza. O gesto propaga a espécie e possibilita que a seiva siga a correnteza para novos leitos, para vários portos. Ou como uma castanheira, que do alto de sua magnitude lança na terra seus frutos bem guardados, seu tesouro encapsulado, para que seja repartido, para que sacie e para que a entrega se perpetue. O sobrenome ‘Silva’ ou ‘da Silva’, diz respeito, na origem, a pessoas da selva. (é o contrário de ‘da Costa’, por exemplo, que seriam as pessoas do litoral). A Marina é da Silva, da selva, ou da floresta, mas é assim de um jeito que encanta, por aqui e por ali, que encanta mais adiante, que ganha o mundo, que embala sonhos. Da floresta para o mundo, como um rio que arrasta raízes para semeá-las em outras praias.

Vou dizer de novo: há na Marina, a companheira combativa, uma verdade simples e sincera, que nem precisaria de currículo ou de mandato. Basta-lhe a biografia, o jeito mateiro, a determinação alegre e resoluta saída de alguma dor, como um lamento de amor que se confessa a causas significativas, a batalhas dolorosas, a vitórias valorosas. Por isso mesmo, há um sentimento que segue pelos rios amazônicos e se espalha pelos mares e pelos ares; que banha as cidades e refresca a sensibilidade das pessoas; que lava as cabeças e as consciências. Esse é um sentimento politicamente correto. Ele seguia de bubuia, na correnteza de um sonho carinhosamente possível. Agora, já viaja velozmente, tenazmente, num desejo coletivo bem visível e realizável.

José Augusto Fontes é poeta, cronista e juiz de direito em Rio Branco

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Marina é a Amazônia

Altino Machado às 11:18 am

POR DANI FRANCO, direto de Belém (PA)

Políticos, militantes, ambientalistas, jornalistas, estudantes de comunicação. Todos queriam chegar perto daquela que é apontada como uma das 50 pessoas que podem salvar o planeta. Marina Silva dispensa apresentações, sua presença é sentida ao largo e seu discurso entra como flecha certeira em cada mente atenta.

Convidada pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), para palestrar na 7ª edição do projeto “Jornalismo Ambiental: os desafios da cobertura na Amazônia”, em Belém, na última quinta-feira, dia 20; Marina Silva chegou à cidade já em clima de campanha.

Militantes do Partido Verde a acompanharam desde o aeroporto até o Teatro Maria Sylvia Nunes, na Estação das Docas, onde uma hora antes do evento uma aglomeração já se formava. As camisetas dos partidários informaram: “Marina é Amazônia”. E é o que parece mesmo. Não é difícil ver na senadora um sinônimo para a região, a singeleza e grandeza de uma podem ser facilmente representadas na outra.

Do lado de fora do complexo da Estação das Docas, Marina foi parada pela imprensa e informou que responderia a todos ali mesmo, pois não queria dar entrevistas “picotadas”. Depois, durante a palestra no teatro, ela se justificaria dizendo que por ser produto da notícia, é comum ver suas falas serem descontextualizadas.

- O problema é dizer parte da verdade como se fosse a verdade - avisou.

Foi assim, relembrando a ética, conclamando-a como imperativo deste século, que a senadora discorreu por cerca de 40 minutos para as quase 1000 pessoas que superlotaram a mais disputada de todas as edições do evento.

Fora do Teatro, uma fila digna de show de rock no Maracanã. Lá dentro, a força e humildade da senadora hipnotizavam a platéia. Ela disse que não tinha a pretensão de ensinar, mas foi como uma mestra que ela pacientemente explicou quais os desafios deste século, não só para o jornalismo, mas para o ser humano. Um desafio acima de tudo ético.

“Ética é tudo aquilo que promove a vida na Terra”

Ao citar o frei Leonardo Boff, Marina instigou os jornalistas presentes ao dizer que a cobertura jornalística também deve promover a vida da Terra, e que a responsabilidade de nós, que vivemos na Amazônia, é muito importante para fazer entender que o meio-ambiente deve ser integrado ao desenvolvimento.

Seu discurso foi direcionado pelo pensamento do francês Edgar Morin, que dentro de seu conceito de complexidade, assinala a diferença como forma mantenedora das culturas e da sociedade, já que a troca se estabelece nas diferenças. Para o pensador “a mudança, no começo, é apenas um desvio”, portanto devemos verificar o desvio que queremos, e apontou o modelo de desenvolvimento sustentável como um desses possíveis desvios.

Para Marina Silva, a ética é um dever de todos e em todos os aspectos deve permear a conduta dos homens. Ela afirma que este é o momento de se estabelecer uma aliança inter-geracional, já que até aqui o ser humano só foi capaz de pensar no que pode deixar para si e para os seus próximos, como filhos, netos e no máximo bisnetos. Porém, o adiantado da hora nos mostra que o individualismo não cabe mais neste mundo, que já anda escasso de seus recursos.

Longe de ser apocalíptica, Marina relembrou os números dos sociólogos e demais estudiosos, informando que a destruição da Amazônia já chegou em 18% de sua área, e que a colonização nos deixou como herança apenas 7% de toda a Mata Atlântica. Assim, reverter este quadro é antes de tudo um desafio ético, e a falta deste compromisso ético pode nos levar a perder a janela de oportunidades que está aberta no país.

De acordo com a senadora, se faz necessário associar o conhecimento aos recursos e assim, também promover a sustentabilidade cultural, possibilitando o encontro de saberes.

Marina Silva agradeceu a presença dos que estavam ali não por terem ido para vê-la, mas sim por constatar que neste século as pessoas estão se mobilizando por valores, por outras visões de mundo e que esta talvez seja a nova utopia para aqueles que andam desidratados de sonhos.

Dani Franco é jornalista paraense

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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Melhor amigo de Marina, governador do Acre apoiará “candidato” do PT

Altino Machado às 4:49 pm
Binho Marques

Binho Marques: "Essa é a minha posição, só que sofrendo muito"

O governador do Acre, Binho Marques (PT), melhor amigo da senadora Marina Silva (sem partido-AC), disse que não pretende votar na ex-ministra do Meio Ambiente caso ela decida se tornar candidata a presidente da República pelo Partido Verde.

-  Vou votar no candidato do PT. Essa é a minha posição, só que sofrendo muito. Eu adoro a Marina. Marina é uma paixão. Todos nós gostamos da Marina. Mas quando a gente pensa em projeto de poder, em projeto político, não é só pessoa - disse sem mencionar o nome da ministra da Casa Civil Dilma Roussef, pré-candidata do PT à Presidência da República.

Binho Marques conheceu Marina Silva, em 1977, quando eram adolescentes. Filho de uma família de classe média, estimulou a ex-seringueira nos estudos comprando livros e pagando a inscrição dela no vestibular da Universidade Federal do Acre. Ambos cursaram história e militaram como membros do clandestino Partido Revolucionário Comunista (PRC).

- Tenho uma disciplina partidária séria. Minha origem é num partido comunista. Estou no PT porque discordo do desenho de partido comunista. O PT é quase uma frente de tão democrático. Só chegamos até aqui porque foi o PT que nos trouxe até aqui - assinalou.

Marques disse que prefere continuar lutando pelos objetivos de Marina Silva dentro do PT.

- Essa é a nossa primeira divergência em 30 anos. O que a Marina quer é o que nós queremos, não tem a menor diferença. Talvez o que tenha de diferença seja o caminho para chegar lá.

O governador, o senador Tião Viana (PT-AC) e o ex-governador do Acre Jorge Viana conversaram na semana passada com o presidente Lula, em Brasília, quando Marina Silva ainda não havia decidido sair do PT.

- O que ele [Lula] falou é que respeitava a decisão dela e não faria nada que pudesse dificultar os objetivos da Marina. Eu não via ânimo nela em ser candidata à reeleição e falei que me parecia inversível a decisão dela de não concorrer ao Senado e de sair do PT.

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