Terra Magazine

maio 29, 2009

Desmatamento consumiu 178 km² da Amazônia nos últimos dois meses da estação de chuvas

Altino Machado às 4:19 am
Pequena área desmatada para pastagem em Cruzeiro do Sul (AC)

Pequena área desmatada para pastagem em Cruzeiro do Sul (AC)

O desmatamento detectado na Amazônia Legal, em março e abril deste ano, foi de 57 km² e 121 km², respectivamente, o que significou uma redução de 50% em relação a março e de 22% para abril do ano passado. O desmatamento acumulado de agosto de 2008 a abril de 2009 totalizou 927 km². Em relação ao desmatamento ocorrido no mesmo período do ano anterior (3.849 km²) houve uma redução de 76%.

Os dados, da organização não-governamental Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), são gerados a partir do Sistema de Alerta ao Desmatamento (SAD) para o boletim Transparência Florestal, assinado pelos pesquisadores Carlos Souza Jr., Adalberto Veríssimo e Sanae Hayashi.

Em março de 2009, o desmatamento foi maior em Mato Grosso (39%) e Roraima (34%), seguido de Rondônia (13%), Acre (7%), Amazonas (6%) e Pará (1%). Em abril, 45% do desmatamento ocorreu em Mato Grosso, seguido do Pará com 32% e Roraima com 14%  e o 9% restantes no Amazonas, Rondônia e Acre.

Dentre os município, em março, o desmatamento foi mais crítico em Mucajaí (RR) com 7,5 km², seguido de Bonfim (RR) com 3,9 km² e Nova Bandeirante (MT) com 3,4 km². O desmatamento foi maior, em abril, nos muncípios de Novo Progresso (PA) com 23,6 km², Tapurah (MT) com 10,7 km² e Rorainópolis (RR) com 8,7 km².

Chuvas e nuvens

O Imazon assinala que, em geral, o período de novembro a abril corresponde a época mais intensa da estação de chuvas na Amazônia. Nesse período, a cobertura de nuvem é muito significativa, o que dificulta a detecção do desmatamento. Nessa época registra taxas menores de desmatamento se comparada ao período mais seco (maio a outubro).

De acordo com o Imazon, em março e abril de 2009, a cobertura de nuvens na Amazônia Legal continua acentuada, correspondendo a cerca de 65% da região, o que pode ter subestimado os dados de desmatamento nesse período. Além disso, a parte do Maranhão que compõem a Amazônia Legal não foi analisada.

- No entanto, ao contrário do que ocorre em outros Estados da Amazônia Legal, Roraima permanece a maior parte do ano coberto por nuvens dificultando o monitoramento do desmatamento na região. Por sua vez, em março e abril de 2009, foi possível monitorar o desmatamento em 49% e 58% do seu território, respectivamente. Logo, é possível que parte do desmatamento registrado em Roraima em março e abril de 2009 possa ter ocorrido, de fato, em meses anteriores - ponderam os pesquisadores do Imazon.

O SAD também registra, desde setembro do ano passado, a degradação florestal oriunda de áreas que sofreram intensa exploração madeireira e/ou que sofreram fogo florestal de várias intensidades. De acordo com o SAD, as florestas degradadas alcançaram em marco e abril de 2009, respectivamente, 14 e 300 km².

Considerando os nove primeiros meses do calendário atual de desmatamento (agosto de 2008 a abril de 2009), o Pará lidera o desmatamento com 43% do total registrado no período. Em seguida, aparece o Mato Grosso com 34% e Amazonas e Rondônia com 7% cada. Esses quatro Estados contribuíram com 92% do total desmatado no período.

Comparando o desmatamento ocorrido em agosto de 2008 a abril de 2009 com o mesmo período do ano anterior (agosto de 2007 a abril de 2008), houve redução de 76% no desmatamento considerando toda a Amazônia.

Em termos específicos, essa redução foi mais expressiva em Mato Grosso (-84%), Rondônia (-81%) e Pará (-71%). Por outro lado, houve aumento na proporção de área desmatada no Acre (+39%), muito embora em termos absolutos, a área desmatada no Acre tenha subido apenas 6 quilômetros quadrados no período. No Amazonas, o desmatamento se manteve estável.

Do ponto de vista fundiário, em março de 2009, a maioria (67%) do desmatamento ocorreu em áreas privadas ou em diversos estágios de posse e devolutas. O restante do desmatamento ocorreu em Assentamentos de Reforma Agrária (30%), Unidades de Conservação (2%) e Terras Indígenas (1%).

Em abril de 2009, a grande maioria (75%) do desmatamento ocorreu em áreas privadas ou em diversos estágios de posse, 14% em Assentamentos de Reforma Agrária, 10% em Unidades de Conservação e somente 0,3% em Terras Indígenas.

Em Assentamentos de Reforma Agrária, o desmatamento totalizou cerca de 17 quilômetros quadrados tanto em março como em abril de 2009. Em março, os Assentamentos mais afetados pelo desmatamento foram Samauma (Mucajaí, Roraima), Anauá (Rorainópolis, Roraima) e Tapurah (Itanhagá, Mato Grosso) . Por sua vez, em abril, os Assentamentos mais desmatados foram Anauá (Rorainópolis, Roraima), Integração (São Luiz, Roraima) e Mercedes Bens I e II (Ipiranga do Norte, Mato Grosso).

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3 Comentários »

  1. A questão então é: vamos ver fora da época das chuvas…. a crise econômica também deve ter ajudado…

    Comentário por Marcelo — maio 29, 2009 @ 10:04 am

  2. Lógico que o pouco que aqui vou expressar não mudará a história , porém já que , dentro do estado de direito em que vivemos me sinto aliviado em expor o que com certeza é contrário à maioria de tudo o que se tem falado sobre esse assunto , e que assunto é esse ?
    O assunto é o desmatamento amazônico .
    Será que não se consegue perceber que por tráz desse tipo de informação , existe todo um interesse em se internacionalizar a Amazônia , brasileira , por razões óbvias .
    Lógico que um erro não justifica um outro , porém em função dessa industria de informação ( desmatamento , preservação ambiental e de direitos ) contrária ao nosso Brasil , conseguiram dividir o nosso território com a infeliz , incensata , inconsequente e irresponsável medida de se criar a reserva raposa do sol .
    Que pena , enquanto países outros buscam manter seu território , nós estamos dividindo o nosso .
    Não vou mudar nada , porém , infelizmante já faço parte de uma geração , que no futuro será cobrada como sendo além de tudo , impatriótica .
    Com essa infeliz decisão , covarde acima de tudo , ganharam e venceram os interesses internacionais , comandados pelo USA , e perdeu o Brasil .
    Não vou mudar nada , como já dito , e ainda bem que a minha única arma é o voto , para ao menos colocar nas urnas meu descontentamento com essa trupe de traidores do Brasil .
    Registro que não sou militar , madeireiro e muito menos político , tão sómente um humilde Engenheiro e Professor , que ao ser questionado por um aluno , do porque da divisão do território brasileiro , não fui capaz de responder .
    Alguém pode me ajudar nessa resposta ?
    Sem me ater mais ainda , só quero lembrar que não acredito nesse tipo de informação , a do desmatamento , uma grande mentira , até porque a floresta por sua biodiversidade própria e peculiar , única no mundo , tem no seu processo a capacidade de renovo e auto reflorestamento .
    Estou cançado de ouvir e ler sobre essa ” histórinha ” mentirosa de desmatamento .
    Tal ato está sendo praticado com que interessse ?
    Alguém pode me ajudar nessa resposta ?

    Julio Cesar Salazar

    Comentário por Julio Cesar de Mello Salazar — maio 29, 2009 @ 2:37 pm

  3. Isso é um absurdo!O IBAMA se faz de desintendido, parece que ele nem existe!

    Comentário por nicole jeronimo leite rocha — junho 22, 2009 @ 3:27 pm

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