Ibama multa Alunorte em R$ 5 milhões por lançar rejeitos em rio de Barcarena (PA)
A refinaria Alunorte foi multada pelo Ibama a pagar R$ 5 milhões por um vazamento de rejeitos que atingiu os córregos da região do município de Barcarena (PA), na região metropolitana de Belém. A fiscalização também multou a empresa a pagar mais R$ 50 mil por dia até que seja solucionado o problema.
O superintendente do Ibama no Pará, Aníbal Picanço, disse que a Alunorte ainda terá que pagar multa de R$ 100 mil por ter dificultado a ação de fiscalização, iniciada na segunda-feira, quando o vazamento foi denunciado.
- Ao chegar na portaria da empresa, os funcionários impediram a entrada dos fiscais durante 45 minutos, tempo suficiente para que o dia escurecesse e a vistoria no local fosse impossibilitada. Questionados sobre o problema, os diretores da empresa negaram qualquer tipo de vazamento - afirmou Picanço.
Na terça-feira, com o retorno da fiscalização à área, os diretores continuaram a negar qualquer problema de transbordo de alguma bacia, o que tornaria, segundo eles, desnecessária a vistoria no local.
Porém, mesmo com a dificuldade imposta pela Alunorte, a equipe do Ibama percorreu toda a área de bacias da empresa. Constatou o vazamento na bacia de rejeitos que transborda para a floresta ao redor e, conseqüentemente, às nascentes da região.
Segundo o Ibama, o problema do vazamento se deve à elevação insuficiente da bacia de rejeitos para que pudesse suportar a produção da empresa e a pluviosidade da região. Os moradores estão sendo afetados com o acidente ambiental.
- A comunidade local mostrou à nossa equipe os problemas de pele que a água atingida pelos rejeitos está causando às suas crianças, que brincam na área ou a utilizam para o banho. Além disso, alguns peixes foram encontrados mortos nos rios - relatou Picanço.
Nota e reação comunitária
A Secretaria de Meio Ambiente (Sema) do Pará informou que já foram encontrados arsênio e soda cáustica no rio Mucuri. A Sema promete se manifestar sobre o caso após retorno da equipe técnica da gerência de Áreas Degradadas que realiza vistoria as instalações da indústria de beneficiamento e os locais de impacto.
Veja o que diz a nota:
“Sobre o provável vazamento de “lama residual de bauxita”, ocorrido nesta segunda-feira (27), na fábrica da Alunorte, no município de Barcarena, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) informa:
1) Só haverá nova manifestação oficial do órgão ambiental, por meio de nova Nota à Imprensa, após o retorno a Belém da equipe técnica da gerência de Áreas Degradadas (Gerad) que se encontra desde esta terça-feira (28), no município de Barcarena, vistoriando as instalações da referida indústria de beneficiamento e os locais de impacto;
2) A Sema ainda informa que a manifestação final sobre as causas do vazamento pelo órgão ambiental só será possível com a conclusão do relatório preliminar a partir dos que estão sendo coletados pela equipe técnica em campo;
3) Além da Sema, a equipe técnica do estado que vistoria e monitora as áreas de impacto é formada pela Delegacia de Meio Ambiente (Dema) e Instituto de Perícias Técnicas “Renato Chaves”;
4) Informações da equipe a Sema, esta manhã, dão conta de que já foram detectados dois tipos de produtos químicos no igarapé Murucupi, arsênio e soda cáustica.
Moradores protestaram fazendo a inteditação das rodovias PA 481 e VP 80, que dão acesso à Vila dos Cabanos e ao complexo industrial de Barcarena. As duas estradas já foram liberadas. Lideranças comunitárias vão recorrer ao Ministério Público Federal para formalizar uma denúncia contra a empresa.
Alunorte
A Alunorte informou em nota que um dos canais de coleta de água da chuva transbordou, mas que não foram constatados danos ao meio ambiente, ocorrendo apenas a presença de material sólido no rio Murucupi. Segundo a empresa, foram adotadas medidas e procedimentos de contingência e estaria sendo realizado o monitoramento e análise do solo e da água do rio.
A empresa atribui o vazamento ao elevado índice pluviométrico, quando foi registrado 105 mm em apenas uma hora e meia.
A Alunorte foi criada a partir de um acordo, de 1978, entre os governos do Brasil e do Japão. A Alumina do Norte do Brasil S.A foi idealizada para integrar a cadeia produtiva do alumínio no Pará, estado rico em bauxita, matéria-prima da alumina.
A empresa iniciou suas operações em julho de 1995, após um período de paralisação das obras em função de uma crise no mercado, que retardou a implantação do projeto. Ela produz 6,26 milhões de toneladas de alumina por ano e emprega 2,5 mil pessoas. É a maior refinaria de alumina do planeta e responsável por 7% da produção mundial.
Fotos: Ibama e Alunorte


É, que se faça justiça! E que outras empresas vejam o exemplo e tenham mais consciência ambiental e social.
Comentário por Marcela — abril 29, 2009 @ 3:34 pm
Ibama precisa vir em SC. Com certeza a Celulose Irani polui e desmata muito mais do que essa do Pará.
Comentário por Joaçaba — abril 29, 2009 @ 3:35 pm
R$ 50.000,00 mil por dia é pouco e a Empresa ainda informa em nota que não houve danos ao meio ambiente. ” Vai ser cara de pau assim lá no Japão”.
Comentário por ROBERTO — abril 29, 2009 @ 3:40 pm
é intoleravel em pleno seculo XXI empresário pense só em seu próprio bem estar,,,, quero ver se os orgão ambientais não vão ser comprados para não fazerem nada o brasil está cansado com tudo isso quando a justiça deste pais vai fazer alguma coisa….
Comentário por Rafael — abril 29, 2009 @ 3:41 pm
Essa multa deveria ser maior!!!! Pra falar a verdade, não há dinheiro que pague uma desgraça dessas
Comentário por Roberta Kabá — abril 30, 2009 @ 12:49 pm
O pessoal da Alunorte (Vale do Rio Doce) bem que tentou ‘driblar’ a fiscalização, mas, com a ação, Picanço, superintendente do Ibama, mostrou que honra a pátria e faz jus ao nome, ou seja, passou a p… (pena…). Mexe com quem está quieto!
Em nota, a Vale disse que vai recorrer da multa, pois o vazamento é culpa da natureza, a chuva que caiu não seria normal e foi ela que provocou o vazamento.
Partindo da premissa, para a Alunorte o ‘normal’ deve ser o acumulo de muita lama vermelha contendo elevados teores da cáustica e arsênio provenientes do beneficiamento da bauxita. O normal deve ser economizar, construindo o menor número de bacias de rejeitos possível. O normal deve ser não estabelecer uma boa margem de segurança no dimensionamento dessas barragens, para prevenir a possibilidade de vazamentos.
O normal é dizer que o vazamento da lama vermelha não representa riscos ao meio ambiente e populações ribeirinhas, quando sabemos que soda cáustica e arsênio são tóxicos e podem comprometer, como de fato comprometem todos os meios, físico, biótico e antrópico/socioeconômico, na medida em que afetam formas de sustentação e sobrevivência de comunidades ribeirinhas, principalmente recursos hídricos e ictiofauna.
O crime é culposo quando a ação ou omissão é prejudicial ao direito de outrem, mas não intencional; ao passo que o crime doloso é praticado por má-fé ou intenção de fraude para obter vantagem induzindo os outros ao erro. Acidentes ocorrem e não são intencionais, mas ter consciência das reais possibilidades de danos e negá-los para tentar eximir-se de responsabilidades é terrível. É subestimar ou subjugar a inteligência alheia. O normal mesmo é para quem ‘adora’, ou a mídia convencional tradicional escrita e televisiva, que cobra milhões pela subseqüente ‘maquiagem verde’ ou ‘lavagem cerebral’ em nossos ‘inocentes úteis’…
Comentário por Nelson Tembra — abril 30, 2009 @ 3:25 pm
Justiça ? Intolerância ? vergonha ? multa ? que se faça também as autoridades do município, aos “prefeitos” (antigo, atual e futuro) pois briga judicial se prolonga e municipio vai se acabando. Meio ambiente ? DEMA, SEMA , IBAMA etc…e as invasões ? devastações que circundam o núcleo urbano e toda região, onde muitas pessoas aproveitadoras fazem das invasões um comércio de terrenos, e as pessoas que realmente necessitam de moradia ficam alheias a essas áreas. Poluição ? e essas mesmas pessoas necessitadas residentes as margens do mesmo rio, hoje contaminado, poluem o mesmo por falta de saneamento.Enquanto isso o municipio vai se acabando, com violência por toda parte, a falta de saneamento, falta de educação, falta de saúde vai perdurando, junto a mamata na sede de comando do municipio, onde as “familias tradicionais” vão enriquecendo as custas do povo que por sua vez aceita e vê o descaso crescer sem fazer nada. VERGONHA BARCARENA.
Comentário por VCM — abril 30, 2009 @ 11:37 pm
Triste mas verdadeiro.
Possuir um sistema de gestão é dizer que existem controle mapeados e auditados por um orgão certificador, no caso aqui a nobre BUREAU VERITAS.
O papel aceita tudo, uma empresa que prega usar sistemas de gestão: qualidade (ISO9001), segurança e saúde (OHSAS 18001) e meio ambiente (ISO14001).
Todo sistema de gestão ambiental prevê planos de contigências e controle sério e rigorosos.
Quero ver se a BUREAU VERITAS agora tem a coragem de não recomendar a renovação dos certificados devido a clara falta de controle e comprometimento.
Particularment duvido que isso aconteça, cada vez mais nçao acredito nesses selos… por esses e outros motivos.
O site da alunorte é lindo, bem escrito e nos passa a impressão da empresa mais clara do mundo, mas basta um acidente para percebemos a falta de coragem de assumir e a bananice da gerência: classico medo de perder seus poderosos cargos.
dura lex, sed lex.
Fábio
Comentário por Fábio Guerreiro — maio 6, 2009 @ 12:07 am
É impressionante a ignorancia de algumas pessoas burras…..vao aprender primeiro o que é usado no processo produtivo da empresa….arsenio passa longe…..e outra, pq o ibama nao impede a invasão e o desmatamento da vila dos cabanos inteira????será que esse superintendente honra mesmo a patria????sendo deste governo corrupto e imundo que nos temos, onde apoiam a invasao de terras e crimes contra a natureza……o engraçado é que a burrice de alguns filhinhos de papai que se dizem ambientalistas, os deixam incapazes de ver que uma empresa como a alunorte emprega na regiao, mais de 2 mil pessoas direta e indiretamente, e gera arrecadação e renda pro estado….depois reclamam que nao temos emprego…..
Comentário por Rodrigo — maio 10, 2009 @ 7:40 pm
Vila do conde é vila que mas sofre com essa poluições, pois a vila fica ao lado de todas as fabricas sendo a primeira a ser afetada pelas poluições que acontece na região e a única que não vê nenhum investimento ou recebe uma migalha das multas que vão para o Estado “BELEM””e para o Município ‘’ BARCARENA””, seria melhor o comercio e o povo de vila do conde viver do turismo que trás renda e sustentabilidade de que, essas empresas’’ VALE’’ que só gera emprego para filhos de funcionários e para os que vem de outro estado tirando a vez dos moradores da vila. Até a impressa não quer fazer matérias contra “” VALE”” pois a Vale é a principal cliente de redes de televisão e radio em Belém e no município , o jeito é denunciar para a União Européia e que as empresas que se explodam, o povo estar desacreditado na NAÇÂO “” IBAMA, SEMA,DEMA ETC. ‘’
Comentário por bERNARDES — maio 13, 2009 @ 11:21 pm