MP quer “fogo zero” no Acre a partir de 2011
Os Ministérios Públicos Federal e Estadual moveram na Justiça Federal uma ação civil pública para que seja negada totalmente, a partir de 2011, a expedição de autorizações para queima de florestas e pastagens em todo o território do Estado do Acre.
A ação judicial, que envolve todos os órgãos encarregados de elaborar políticas públicas e de fazer fiscalização ambiental no Estado, ocorreu após o Ministério Público não ter atingido seus objetivos ao sugerir a adoção de medidas que minimizassem o flagelo do uso do fogo, considerado “um mal necessário” na Amazônia.
Como trata-se de uma ação com pedido de antecipação de tutela, os procuradores almejam eliminar, imediatamente, a prática de queimadas no Estado, por considerarem ser uma atividade que tem causado danos ao meio ambiente e à sociedade acreana. Eles requerem o deferimento da antecipação da tutela jurisdicional, com a cominação de multa diária e a responsabilização pessoal dos agentes públicos.
A ação ajuizada no Acre é inédita na história jurídica brasileira. Foi coordenada por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, Patrícia de Amorim Rêgo e Meri Cristina Amaral Gonçalves. Eles assinalaram que a ação poderá servir de precedente para a proibição definitiva das queimadas na Amazônia.
Veja o que pedem os Ministérios Públicos a cada ente público:
Instituto de Meio Ambiente do Acre
→ Limitar, para o ano de 2009, a expedição de autorizações para queima ao limite máximo de 1 hectare por requerente ou imóvel e apenas para agricultura de subsistência, em todo o território do Acre;
→ Negar totalmente, para o ano de 2010, a expedição de autorizações para queima na região abrangida pelos municípios de Rio Branco, Porto Acre, Senador Guiomard, Acrelândia, Plácido de Castro, Capixaba, Bujari, Xapuri, Epitaciolândia, Brasileia, Sena Madureira, Tarauacá e Feijó;
→ Limitar, para o ano de 2010, a expedição de autorizações para queima ao limite máximo de 1 hectare por requerente ou imóvel e apenas para agricultura de subsistência, na área abrangida pelos municípios de Assis Brasil, Manoel Urbano, Santa Rosa do Purus, Jordão, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves e Mâncio Lima;
→ Negar totalmente, a partir do ano de 2011, a expedição de autorizações para queima em todo o território do estado do Acre;
→ Negar autorização para queima em qualquer unidade de conservação e em todas as zonas de amortecimento de unidades de conservação, desde já.
Ibama
→ Negar expedição de autorização para queima em qualquer área de unidade de conservação federal ou nas zonas de amortecimento dessas unidades no estado do Acre;
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
→ Monitorar e fiscalizar efetivamente a ocorrência de queimadas nas unidades de conservação federais no estado do Acre, adotando medidas de punição aos moradores infratores e comunicando as demais autoridades competentes, imediatamente, a ocorrência das infrações ambientais;
→ Disponibilizar, diretamente ou por meio de convênio, aos moradores das unidades de conservação federais no Acre capacitação técnica e apoio material a fim de propiciar a execução por estes de práticas sustentáveis livres do emprego do fogo.
Incra
→ Prestar capacitação técnica, insumos e bens de capital, diretamente ou por meio de convênio, a todos seus assentados no estado do Acre, de forma a propiciar a substituição da prática das queimadas por outras formas sustentáveis de aproveitamento do solo;
Estado do Acre
→ Disponibilizar, no período de 2009 a 2011, a todos os pequenos produtores rurais do Acre políticas públicas aptas a garantir a estes, minimamente, a produção agrícola de subsistência em área mínima de 1 hectare por família, a fim de proporcionar a substituição das queimadas por outras práticas socioambientalmente sustentáveis, como a mecanização e a adubação verde;
→ Promover a educação ambiental de todos os pequenos produtores no Estado do Acre, informando-lhes sobre os riscos e danos gerados pelas queimadas e sobre a proibição dessa prática;
→ Todos Municípios acreanos, representados pelas respectivas prefeituras, a, em consórcio com o Estado do Acre, no período de 2009 a 2011, prestar apoio técnico e material aos pequenos produtores rurais do Acre de forma a garantir a estes, minimamente, a produção agrícola de subsistência em área mínima de 1 hectare por família, e promover, entre os produtores rurais localizados em seus territórios, a educação ambiental, informando-lhes sobre os riscos e danos gerados pelas queimadas e sobre a proibição dessa prática.


e nao tá na capa do terra? estará amanhã na capa da folha de sao paulo, estadao ….??? já sei, vai ser capa da revista veja?
nao??!!!
viva a imprensa MORTA.
Comentário por E.L. — abril 14, 2009 @ 3:30 pm
Gosto muito dos seus “comentários” referentes ao Acre.
Eu amo o Estado do Acre, um Estado onde o verde é realmente especial e devemos fazer o máximo para sua conservação.
Tenho uma filha que trabalha no Tribunal de Justiça do Acre, e portanto já mora há 5 anos na cidade de Epitaciolândia, e aprendi, dessa maneira, a amar o Estado do Acre e também a querer a preservação da floresta neste Estado e é claro em todo o Brasil.
Parabéns, Altino Machado pelo seu blog… sou sua leitora assídua.
Um forte abraço,
Comentário por ESLI — abril 14, 2009 @ 4:37 pm
vao queimar tudo até 2011. até a cabeça de quem quer esperar até lá pra tomar alguma atitude. palhaçada estes governos.
Comentário por Rogerio — abril 14, 2009 @ 5:01 pm
Rogerio, leia tudo….
a partir de 2009 só ficaria autorizado um hectare por propriedade ou requerente, e somente para atividade de subsistencia…
Parabéns ao MPF/AC, algo precisa ser feito, e os bravos procuradores não se preocupam em desagradar essa turminha da floresta!
Comentário por Geraldo — abril 14, 2009 @ 6:47 pm
Ministério Público pedir “moratória” de queimada é piada. Acontece no Brasil inteiro. A questão é o efetivo para fiscalizar, multar e cobrar as dívidas dos criminosos. Isso é que não funciona. Por que o MP não faz um mutirão de cobrança de multas ambientais no Acre para começar a conversa?
Comentário por Francisca — abril 14, 2009 @ 7:10 pm
Quanto significa a porcentagem do desmatamento do Acre na Amazônia? O que significaria em tamanho essa decisão? Parece que pouco…
Comentário por João Pé de Feijão — abril 14, 2009 @ 7:12 pm
Estadão? Folha? Veja? Terra? A correria só interessa para quem fica correndo para publicar primeiro a notícia na internet. O que interessa é entender como o fato muda a vida das pessoas. E nisso a imprensa está morta mesmo.
Comentário por Ana Maria Hitsh — abril 14, 2009 @ 7:14 pm
UHUUUUUUUUUU
Ah se moda pega! Seria bom demais, principalmente aqui no MT, onde passamos 04 meses respirando fumaça e não exergando nada.
Pena que os MPs, principalmente o estadual, é politiqueiro.
Comentário por Mari — abril 15, 2009 @ 3:44 pm
Eu só gostaria de saber quando o MP vai cobrar as ações do Governo, Prefeituras, INCRA e Inst. Chico Mendes quanto a capacitação técnica, junto aos pequenos produtores para dar alternativas ao uso do fogo.
Será que vão comprar maquinário suficiente para mecanizar as plantações? Uso de dissecantes e todas as outras técnicas modernas para limpeza do roçado? Estou achando muito difícil.
Só não vale multar o pequeno produtor e deixar o Estado impune…
Comentário por Eulen Mesquita — junho 16, 2009 @ 5:44 pm