
FSM: milhares de pessoas em busca de credenciamento
A abertura da nona edição do Fórum Social Mundial (FSM), em Belém (PA), onde a criminalidade aumentou 21% entre 2007 e 2008, será marcada, a partir das 15 horas, por uma marcha pela paz que pretende reunir mais de 100 mil manifestantes nas ruas do centro da cidade, com início na Praça Pedro Teixeira (Escadinha), ao lado da Estação das Docas, até a Praça do Operário, no bairro de São Braz.
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Manifestantes também querem formar uma faixa humana com as mensagens “SOS Amazônia” e “AMA Amazônia”, para que as imagens das mesmas sejam captadas do alto e transmitidas mundialmente pela mídia. Com isso, acreditam que podem sensibilizar a sociedade mundial sobre a importância da floresta amazônica para o planeta.
Segundo os organizadores, o FSM em Belém já reúne mais de 100 mil pessoas, 5,6 mil organizações de 150 países de todos os continentes. Estão programadas 2,4 mil atividades ((plenárias, conferências, palestras, oficinas, eventos esportivos e culturais) durante os cinco dias do evento, nas universidades Federal do Pará (UFPA) e Federal Rural da Amazônia (Ufra), onde o fórum será realizado.
Existem 900 veículos de comunicação e 2,8 mil jornalistas credenciados. Na pauta das principais discussões estão a crise econômica mundial, as mudanças climáticas e as alternativas aos modelos de desenvolvimento.
Mais de 2 mil indígenas de nove países amazônicos estarão à frente da marcha. Eles querem chamar a atenção para a situação da floresta e dos povos que nela vivem, além de confrontarem a crescente crise ecológica e social com a necessidade de medidas que possam lhes garantir a sobrevivência.
O FSM, que termina no domingo, não se restringe à sociedade civil. Na quinta-feira, no que está sendo esperado como o momento político mais importante do fórum, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reunirá no Centro de Convenções Hangar com seus colegas Evo Morales (Bolívia), Fernando Lugo (Paraguai), Rafael Correa (Equador) e Hugo Chávez (Venezuela).
Existe muita expectativa em relação ao comportamento que terão os participantes do FSM no reencontro com Lula. O presidente foi vaiado em Porto Alegre (RS), em janeiro de 2005, quando compareceu pela última vez ao evento, enquanto o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi aplaudido.
- Aplauso e vaia são a mesma coisa: um se faz com a mão, outro com a boca - tentou minimizar Lula na ocasião.
“É um momento até para protesto”

Governadora Ana Júlia não acredita que Lula possa ser vaiado novamente
A petista Ana Júlia Carepa, governadora do Pará, disse com exclusividade ao Blog da Amazônia que o FSM é “um momento de debate, é um momento de reflexão e é um momento até para protesto. Isso faz parte”.
O presidente corre risco de levar uma vaia?
- Eu não acredito, sinceramente. Agora, se tiver, com toda sinceridade, ninguém, nem Cristo, agradou a todos. Portanto, nós não vamos ter a pretensão de que o nosso governo esteja agradando a todos. O nosso governo combate o desmatamento ilegal, o crime organizado, a grilagem de terras. É um governo que incentiva um novo modelo de desenvolvimento, combate o desmatamento. É um governo que, às vezes, atinge os interesses de poderosos, que passaram muitos anos usufruindo do poder público e do direcionamento das políticas públicas. Tem alguns que não se conformam de nós termos vencido a eleição, mas tem outros que se dizem contra os poderosos mas, infelizmente, sempre se aliam a eles. Mas faz parte. Isso é a democracia.
E a presença da ministra Dilma Rousseff?
- A presença dela é importantíssima. É uma mulher que, sem dúvida alguma, fez a diferença neste país e orgulha muito a nós mulheres - assinalou a governadora.
Mas a possibilidade de vaia cresce com a disposição do presidente Lula de comparecer ao ato político mais importante do FSM acompanhado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Lula quer se reaproximar do público de esquerda e apresentar a sua candidata à sucessão em 2010.
As lideranças do movimento social nutrem pouca ou nenhuma simpatia pela ministra Dilma Rousseff por causa dos impactos socioambientais decorrentes de obras do PAC, sobretudo a construção de estradas e hidrelétricas na região amazônica.
A expectativa sobre o que pode acontecer aumenta caso a senadora Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, compareça ao ato onde estará a Chefe da Casa Civil. No ano passado, em Brasília, durante várias solenidades com a presença das duas, a platéia costuma aplaudir de modo contido quando o nome de Dilma era anunciado cerimonial, enquanto Marina era ovacionada.
Petistas do governo do Pará, que exercem forte influência na organização do FSM em Belém, estão preocupados em livrar Lula do constrangimento de uma eventual vaia. Embora os convidados sejam devidamente selecionados para o Hangar, ninguém é capaz de prever como regirão centenas de lideranças do movimento social ao presidente e sua candidata à sucessão. Resta saber se a candidatura de Dilma vai decolar ou permanecer no Hangar.