Terra Magazine

julho 31, 2008

Raposa/Serra do Sol

Altino Machado às 4:25 pm

A guerra colonial no século XXI

PAULO MALDOS

Relatos recentes das comunidades indígenas da Terra Indígena Raposa Serra do Sol dão conta de incursões naquela área de extensas caravanas de fazendeiros em caminhonetes “off road”, protegidas por batedores armados em motocicletas. Estas caravanas adentram a região e se detém em lagos, cachoeiras e outros lugares sagrados dos povos indígenas, aparentemente para conhecer, filmar e fotografar. Entre os participantes dessas caravanas exploratórias estão os arrozeiros invasores, principalmente seu líder, Paulo César Quartiero.

É importante lembrar que estes invasores andam anunciando planos de ampliação da invasão da terra indígena, tendo Quartiero anunciado, em mais de uma ocasião, que já comprou e estocou 8 mil estacas de cerca com o propósito específico de ampliar sua invasão, tão logo seja possível. Em mais de uma ocasião esse invasor também avisou que não vai aceitar um resultado negativo para os seus negócios por parte do Supremo Tribunal Federal. “Vou aceitar ser roubado sem reagir?, responde ele (Quartiero) ao ser perguntado o que fará se o Supremo confirmar que os fazendeiros devem sair” (jornal Valor Econômico, 30/05/2008).

Está claro que a disputa por aquela terra indígena é vista pelos fazendeiros do agro-negócio e por seus fiéis aliados políticos e militares como uma continuidade da guerra colonial em nosso país. Trata-se de conseguir voltar a se “reduzir o gentio” em favor da grande empresa econômica neo-colonialista, permitindo a continuidade da marcha “inexorável” do desenvolvimento capitalista até as últimas fronteiras da região amazônica.

Como, do ponto de vista teológico, nos séculos XVI e XVII se discutia se os índios “tinham alma”, hoje esta discussão está recolocada, sob o disfarse ideológico de se os índios têm condições ou não de defender a soberania nacional na faixa de fronteira. Na verdade, a discussão subliminar é se os povos indígenas possuem a nossa mesma “alma  nacional”, verde-e-amarela, branca e ocidental e se são, portanto, confiáveis à nossa sociedade e ao nosso Estado.

O que os invasores de Raposa Serra do Sol esperam, com sua eventual vitória no Supremo Tribunal Federal, é uma espécie de “atestado” da Suprema Corte da Nação afirmando simbolicamente que os povos indígenas “não possuem a nossa mesma alma nacional, não são confiáveis” e que devemos, portanto, retomar a guerra colonial para a sua redução e dominação definitivas. Tal guerra colonial começaria pelo não reconhecimento de seu território tradicional, base e fonte primeira das sociedades indígenas, de suas memórias, de seus mitos, de suas religiões e de suas culturas.

Esse “atestado” deverá ser eficazmente utilizado por invasores no país todo para multiplicar as contestações e anulações de processos administrativos de identificação, demarcação, homologação e registro de territórios indígenas já realizados. Ao todo, 464 terras indígenas já foram identificadas, demarcadas ou homologadas no Brasil. Ações judiciais buscando retomar essas terras para o mercado deverão proliferar, com vistas a um verdadeiro Eldorado para o agro-negócio, além de novas fortunas para os grandes escritórios de advocacia.

Fazendeiros de várias partes da Amazônia, do Mato Grosso ao Pará, estão preparando caravanas de caminhonetes “off road” até Roraima, tendo anunciado que irão se reunir em Pacaraima (RR), onde Paulo César Quartiero é prefeito, no dia 11 de agosto próximo, para exigir um posicionamento favorável aos seus interesses por parte do Supremo.

Este gesto da classe proprietária rural tem claramente um objetivo: anunciar para a sociedade brasileira que a guerra colonial está prestes a ser retomada, com a esperada decisão do Supremo Tribunal Federal. Esta decisão seria uma espécie de “senha”, que sinalizaria para a ampliação sem limites desse agressivo “movimento neo-colonialista” agrário brasileiro.

As diversas caravanas de fazendeiros em caminhonetes “off road”, no interior como fora da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, anunciam que as “entradas e bandeiras” voltaram, desta vez modernamente motorizadas, partindo de Juína (MT) e outros municípios amazônicos e chegando a Pacaraima (RR); partindo das fazendas ilegais de arroz e chegando aos lugares indígenas sagrados, lagos e cachoeiras, determinados a atropelar, na sua passagem, os direitos constitucionais dos povos indígenas do Brasil.

Afinal, acima de tudo, os fazendeiros do agro-negócio não admitem serem “roubados pelo Supremo Tribunal Federal”

»»» Paulo Maldos é assessor político do Conselho Indigenista Missionário

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11 Comentários »

  1. O que esperar da justiça brasileira,quando Daniel Dantas ,o “QUADRILHEIRO”,em 48 horas obtem 2 HC? Este país é uma piada…Aqui tudo é possível,é o famoso “JEITINHO BRASILEIRO”.EU TENHO VERGONHA DAS INSTITUIÇÕES BRASILEIRAS…

    Comentário por Cheila — agosto 1, 2008 @ 3:53 am

  2. O ESTADO BRASILEIRO tem que colocar esses fazendeiros gananciosos no lugar deles!!!Afinal quem tem mais poder o Estado ou essa classezinha ralé agropecuária que nunca está satisfeita com o que tem e quer sempre mais e mais.Mesmo que tenha que enviar o exercito para conter esses abutres e fazer valer a lei, alguma coisa mais forte tem que ser feita. E esses invasores fazendeiros não defendem o Brasil e sim os interesses econômicos deles somente isso.

    Comentário por CLARA — agosto 1, 2008 @ 10:47 am

  3. AH, UMA BOA IDÉIA SERIA ARMAR OS INDIOS,AFINAL ELES ESTÃO PROTEGENDO A CASA DELES.

    Comentário por CLARA — agosto 1, 2008 @ 10:50 am

  4. Na verdade é uma dúvida: que negocio é esse do Brasil ter assinado a Declaração Universal dos direitos dos povos indigenas e a relação disso com a perda de nossa soberania?

    Comentário por Meissa — agosto 1, 2008 @ 7:18 pm

  5. Caro Carlos Maldos, creio em sua boa intensão para com os povos Indígenas, porem, acredito, que, não só voce, mais centenas de outros brasileiros, são usados, com esses argumentos ambientalitas, indigenistas entre outros, no entanto, o que vejo, ha por traz de tudo isso, oculto, é lógico, outros interesses, que vai muito além ao que nos é proposto, esta encravado desde nas escolas, nas mais altas esferas políticas, um verdadeiro interesse de politcas internacionais, visando a amazônia brasileira, observe, se nessses países, provedores de ONGs influentes em nosso país, há leis que protejam índios, ou nativos, como EUA, Aústralia entre outros; Estão subestimando nossa inteligência, com esse falso dicurso, por favor vamos acordar enquanto ha tempo.Oberse que EUA e Aústralia (astutos) nao assinaram um acordo junto a ONU (acordo esse que torna uma etnia indigena quase uma nação), a amazônia sera sim invadida, mais nao com armas e soldados, nem precisara, nós a intregaremos “na moral”, pois o norte americamos, o sBritãnicos, franceses, pensam além do nosso tempo, ao contrário do inocente “povo brasileiro”.

    Comentário por Jean Carlos — agosto 21, 2008 @ 10:58 am

  6. Paulo Maldos;

    Sugiro que pare com isso, pois só engana aos incautos!

    Todo mundo já sabe que os índios na Raposa Serra do Sol não importam para nenhuma das ONGs ou CIR, e sim as jazidas de nióbio, ouro, estanho, urânio, titânio, diamantes e outros metais no solo de Roraima e da Calha Norte.

    Todo mundo já sabe que a ação das ONGs estrangeiras ali, compostas por disfarçados geólogos e militares visam a impedir que o Brasil extraia essas riquezas imensas, pois só em ouro, nossas reservas fariam as do Fort Knox ridículas. Se o Brasil explorar os recursos agro e minerais da Amazônia será uma potência de primeiro nível, e só pelas riquezas e condições que possui, já é a Nação mais rica do Globo.

    Todos sabem que isso faz parte de uma diretriz estratégica do Pentágono e G7 em quebrar os grandes Estados nacionais em nações pequenas e controláveis, que forneçam os recursos que sustentem as suas frágeis hegemonias globais.

    Não confie demais no poderio militar dos EUA e aliados, em esmagar as nacionalidades, sejam elas religiosas, capitalistas ou imbecis marxistas. Se não conseguem vencer no Vietnã e no Iraque destroçado, aqui muito menos.

    Não será chantageando sempre aos nossos políticos corruptos, que conseguirão destruir nossa soberania territorial.

    Não enganam mais ninguém com essa conversa de índios contra arrozeiros, e, em respeito à vossa carreira, sugiro-lhe a não mais fazer esse demeritoso papel desinformador, que não condiz com o nivel da mesma.

    Comentário por Cesar Navarro — outubro 4, 2008 @ 12:49 pm

  7. Esse Paulo Maldos deve sua renda a alguma ONG que lhe financia…pois indio não mexe com dinheiro, faz escambo!
    Aquí vai um pequeno conselho: se tu és brasileiro, defende teu país, defende as fronteiras do Brasil, sê brasileiro!!! ti espelha nos povos que tu deve obdiencia (sabe, aqueles lá do norte do hemisfério norte, lembras?) que defendem seus países de forma exemplar!
    Tu deves mudar o nome para Mau o Mal também fica bem….

    Comentário por carlos souza — outubro 6, 2008 @ 4:47 pm

  8. acabei de ler a decisao do tribunal superior……COMECAMOS A PERDER A AMAZONIA POR ESTA DECISAO DO SUPERIOR TRIBUNAL …E NINGUEM FEZ NADA,PARA EVITA-LA….POBRE ARROZEIROS…FORAM USADOS PARA ESSE ATO DE VERGONHA….STF COM CERTEZA FORAM COMPRADOS POR INTERESSES INTERNACIONAIS….VA NO http://WWW.YOUTUBE.COM E DIGITE “ORLANDO VILLAS BOAS” E VERA QUE ELE JA PREVIA ESSA “DESGRACA”…ESTOU REVOLTADO COM O MEU POVO “CORDEIRINHO”!!!

    Comentário por wilson mesquita — novembro 2, 2008 @ 7:33 am

  9. MEUS AMIGOS, ME ENGANEM QUE EU GOSTO.
    UM MUNDÃO DE TERRA PARA MEIA DUZIA DE INDIOS E UM NACO NA ROCINHA PARA 300.000 OUTROS BRASILEIROS.
    SE OS INDIOS SÃO BRASILEIROS, TÊM MAIS É QUE SEGUIR AS NORMAS BRASILEIRAS.
    QUE NEGÓCIO É ESSE DE NOSSAS FORÇAS ARMADAS NÃO PODEREM PENETRAR EM TERRITÓRIO INDÍGENA? POR ACASO ELES SÃO UM POVO INDEPENDENTE?
    QUE NEGÓCIOS ESCUSOS ESTÃO POR TRÁS DISSO.
    SERÁ QUE SÓ TEMOS TOUPEIRAS NO NOSSO GOVERNO OU MAU CARATISTAS? OU IDEOLOGOS INGÊNUOS OU SAFADOS?

    Comentário por Emanuel P. R. Gomes — julho 30, 2009 @ 9:04 am

  10. Interessante esta historia de indio no Brasil.
    Onde tem essa gente, tem problemas no Brasil inteiro, é só observar
    A rigor, começo a desconfiar do interesse do Estada brasileiro em manter as fronteira desocupadas.
    Será por afinidade ideológica aos governos populistas da américa do sul ou criação de mecanismos para criação de rota de fuga para grupos guerrilheiros.
    Entendo que no próximo governo, o eleito promova uma auditoria com referêncoa a Petrobras na Bolivia, Itaipú, onde por conta desta afinidade ideológica, o povo brasileiro é ue irápagar a conta.

    Comentário por claudio — agosto 6, 2009 @ 9:11 am

  11. Algumas pessoas perderam a noção de Nação, pois todos os paises foram formados por seres humanos originarios de regiões diversas do planeta. O territorio brasileiro é formado por descendentes de europeus, asiaticos, africanos , arabes e indigena. Grupos tribais sempre guerrearam pelo mundo, por territorio ou sobrevivencia, fazendo escravos ou exterminando outras comunidades, como ainda ocorre no continente africano. Somos todos brasileiros independentes das origens dos antepassados e todos devem ser integrados para o fortalecimento da Nação Brasileira.

    Comentário por -Patria e Civismo — agosto 26, 2009 @ 6:07 pm

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