Terra Magazine

novembro 6, 2009

Campanha 1 Minuto pelo Clima quer saber o que brasileiro espera do governo em Copenhague

Altino Machado às 12:10 pm

Uma campanha na internet começa nesta sexta-feira, 6, para pedir que o governo brasileiro assuma compromissos e papel de liderança nas negociações do novo acordo climático global, que deve estipular metas e ações a serem assumidas pelos países no combate e adaptação às alterações climáticas.

O futuro acordo deverá ser definido em Copenhague durante a 15ª Conferência do Clima da ONU (COP15), do dia 7 a 18 de dezembro.

Para participar da campanha e tentar influir na posição brasileira, o internauta terá que produzir um vídeo de até 1 minuto, com filmadora, celular ou webcam e inserir no YouTube com a tag “minutopeloclima” como palavra-chave.

Os depoimentos serão reunidos no site Minuto Pelo Clima criado para a campanha. A idéia central é a de que uma pequena ação pode colaborar para melhorar o clima do planeta.

Uma amostra dos depoimentos será enviada ao presidente Lula antes da viagem para Copenhague para que ele saiba o que os brasileiros esperam de seu governo em relação às mudanças climáticas.

A iniciativa é do Observatório do Clima (OC) – uma rede brasileira de organizações não governamentais e movimentos sociais que trabalham no combate às mudanças climáticas no Brasil.

- O Brasil tem um papel fundamental para mudar o rumo da história em Copenhague - assinala Ricardo Barretto, do Observatório do Clima.

Além de ser o quarto maior poluidor do mundo devido à degradação de suas florestas, o peso do país na decisão por um acordo global sobre o clima é grande.

O Brasil tem cada vez mais espaço no cenário internacional como uma das dez maiores economias do mundo e uma atuação política cada vez mais em evidência.

Para o Observatório, Lula deve usar seu prestígio e trabalhar para influenciar outros líderes mundiais por um acordo climático efetivo.

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novembro 5, 2009

Justiça Federal condena empresários e assessor de ex-governador do Acre

Altino Machado às 12:50 pm

O professor Tácio de Brito, diretor do Departamento de Estradas e Rodagens do Acre (Deracre) durante a gestão do governador Jorge Viana (PT), foi condenado pela Justiça Federal por fraude num contrato no valor de R$ 1 milhão, que visava a locação de patrulhas mecanizadas para execução de obras na Rodovia AC-90.

Os recursos para as obras eram provenientes de convênio com a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Além de Brito, foram condenados pelo juiz federal Marcelo Eduardo Rossitto Bassetto os empresários Manoel Fontenele de Castro Filho, José Mauricio Viana Lisboa, José de Ribamar Nina Lamar, Francisco Nailton Feitosa Lima e Luis Carlos Florencio da Rocha.

Os empresários e o ex-diretor do Deracre terão que devolver R$ 1 milhão solidariamente, na proporção de suas responsabilidades. Eles foram condenados a detenção, tendo suas penas sido substituídas por penas de prestação de serviços em entidades assitenciais, além do pagamento de cestas básicas a entidades públicas ou privadas de cunho social, no valor de R$ 930,00 mensais, por períodos que variam de 26 a 30 meses.

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal no Acre, Tácio de Brito, sem qualquer autorização da Suframa, majorou valores dos contratos com as empresas dos outros condenados, em valores acima do permitido por lei. Segundo a Lei de Licitações, os aditivos não podem ultrapassar 25% do valor global do contrato e, em alguns casos, houve aumento de mais de 200%.

O diretor do Deracre e os empresários podem recorrer da decisão.

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PF flagra falso policial com 4 kg de cocaína na fronteira com a Bolívia

Altino Machado às 11:18 am

A Polícia Federal em Epitaciolândia (AC), na fronteira com a Bolívia, prendeu em flagrante, durante a madrugada desta quarta-feira, 4, dois homens que tentavam levar 4 Kg de cocaína para Rio Branco,  sob o capô de um carro.

Os agentes de PF interceptaram o carro conduzido pelos irmãos V.S.M., vendedor, 20 anos, e E.S.M., pedreiro, de 28 anos.

Segundo o condutor, que usava uma carteira falsa de policial militar, a droga era de sua propriedade e estava levando-a para a capital para vender para traficantes locais.

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Estuprada, mãe de 13 anos abandona bebê após aborto autorizado pela Justiça do Acre

Altino Machado às 10:41 am

Um bebê com cinco meses e meio de gestação sobreviveu a um aborto autorizado pela Justiça na Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco (AC), e foi entregue para adoção. O aborto foi autorizado para favorecer a mãe, uma garota de 13 anos, vítima de estupro, que se recusou a ver o bebê.

Ele nasceu na terça-feira, 3, com 700g e permanece numa incubadora da maternidade.  Os médicos informaram que sofre de displasia pulmonar, mas o estado de saúde é considerado estável.

A direção da maternidade informou que várias pessoas já manifestaram interesse em adotar o bebê prematuro. Ele foi entregue para adoção por autorização da família da mãe.

- O bebê nasceu com uma idade gestacional superior àquela que nós imaginávamos e agora ele recebe os cuidados necessários na nossa UTI - declarou à TV Gazeta o gerente assistencial da maternidade, Edvaldo Amorim.

Foto: TV Gazeta/Reprodução

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Desmatamento na Amazônia se intensifica na área de influência das hidrelétricas do Madeira

Altino Machado às 1:23 am
Placa de advertência na futura hidrelétrica de Santo Antonio

Placa de advertência no local da futura hidrelétrica de Santo Antonio

O Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), registrou 216 km² de desmatamento na Amazônia Legal em setembro de 2009. Isso representa uma queda de 33% em relação a setembro de 2008 quando o desmatamento somou 321 km². Também houve queda em relação a agosto de 2009, quando o SAD registrou 273 km² de áreas desmatadas.

De acordo com o Imazon, o desmatamento em setembro ocorreu principalmente nos municípios da área de influencia da construção das hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio, na confluência dos estados de Rondônia, Acre e Amazonas; na parte central do rio Amazonas, principalmente no município de Manacapuru (AM); na calha norte do Pará, na rodovia Transamazônica (BR-230), entre as cidades de Altamira e Uruará.

Houve redução na intensidade do desmatamento ao longo da BR-163, no eeste do Pará, cuja região nos últimos meses havia sido o principal foco de desmatamento na Amazônia.

O desmatamento acumulado de agosto a setembro de 2009 (dois primeiros meses do calendário atual de desmatamento) totalizou 489 km², o que representa um aumento de 16% em relação ao desmatamento ocorrido no mesmo período do ano anterior, o qual somou 423 km².

O desmatamento ocorreu em maior proporção, em setembro de 2009, nos Estados do Pará (29%), Rondônia (23%) e Amazonas (22%). Em menor proporção, em Mato Grosso (14%), Acre (8%), Roraima (3%) e Amapá (1%).

Considerando agosto e setembro de 2009, a degradação florestal somou 202 km² na Amazônia Legal, o que equivale a uma média mensal de 101 quilômetros. Do total de florestas degradadas no período, 42% ocorreram em Mato Grosso, 26% no Pará, 14% em Rondônia, 9% no Acre e 7% no Amazonas. Os outros estados contribuíram somente com 2% do total.

Ao se comparar o desmatamento acumulado nos dois primeiros meses do calendário oficial de medição (agosto e setembro de 2009) em relação ao mesmo período do ano passado (agosto e setembro de 2008), houve um aumento de 16% no desmatamento.

O desmatamento acumulado no período de agosto a setembro de 2009 foi 489 km², enquanto que no mesmo período do ano anterior foi 423 km².

Em setembro de 2009, o desmatamento ocorreu de forma mais proporcional entre os Estados do Pará (29%), Rondônia (23%) e Amazonas (22%), os quais somados representaram 74% do total desmatado. O desmatamento foi um pouco menor em Mato Grosso (14%), seguido pelo Acre (8%), Roraima (3%) e Amapá (1%).

O SAD registrou 39 km² de desmatamento em Assentamentos de Reforma Agrária. Os assentamentos mais afetados pelo desmatamento foram Campos de Pilar, em Aveiro (PA), Boa Esperança, em Sena Madureira (AC) e Jatapu, em Caroebe (RR).

O SAD monitorou em setembro a quase totalidade (96%) da Amazônia Legal (exceto Maranhão que não foi objeto de análise), pois somente 4% do território estavam cobertos por nuvens. Além disso, do desmatamento total detectado em setembro de 2009, somente 7% (14 km²) podem ter ocorrido nos meses anteriores devido estarem situados em áreas cobertas por nuvens.

Foto: Altino Machado/Terra Magazine

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novembro 4, 2009

Gripe suína mata índios yanomami na Amazônia

Altino Machado às 8:45 am

Oito índios da etnia yanomami morreram de um possível surto de gripe suína nos últimos quinze dias, na Venezuela, segundo a ONG Survival International, sediada em Londres.

De acordo com a organização,  relatos não confirmados afirmam que outros 1.000 yanomami estão contaminados com a variação mortal da gripe.

O foco central estaria localizado nas regiões de Ocamo (1.048 pessoas), Mavaca (1.336) e Platanal (1.002) e se alastraria pela região do Alto Rio Orinoco.

O território yanomami está localizado na fronteira entre o norte do Brasil e o sul da Venezuela e é o maior território indígena em floresta tropical no mundo.

O governo venezuelano isolou a área e enviou equipes médicas para tratar os yanomami. O órgão regional da Organização Mundial da Saúde, a Organização Pan-Americana de Saúde, confirmou que pelo menos dois yanomami morreram de gripe suína.

A Survival International teme que a epidemia possa varrer o território yanomami e matar muitos outros indígenas.

Os yanomami formam a maior tribo relativamente isolada na floresta amazônica, com uma população de cerca de 32 mil pessoas, que se estende pela fronteira entre a Venezuela e o Brasil.

Segundo o Instituto Socioambiental (ISA), organizações indígenas e indigenistas do Brasil estão particularmente preocupadas com a expansão em grande escala da doença e com a falta de equipamentos, pistas de pousos e postos de saúde em parte do território yanomami, em ambos países, para dar conta de uma possível epidemia de gripe na região fronteiriça.

Devido ao isolamento, os yanomami apresentam baixa resistência às doenças introduzidas como a gripe. A invasão de garimpeiros em terras yanomami, nos anos 1980 e 1990, resultou na morte de um quinto de sua população no Brasil por doenças como a gripe e a malária.

- A indefinição do modelo de assistência à saúde para os Yanomami no Brasil pode agravar o quadro caso a suspeita se confirme e ultrapasse as fronteiras. Não é de hoje que a má qualidade da assistência de saúde aos Yanomami vem sendo denunciada frequentemente - alerta o ISA.

O futuro da etnia só foi assegurado após uma grande campanha internacional liderada pelos próprios yanomami, a Comissão Pró Yanomami (CCPY) e a Survival International.

Segundo a ONG inglesa, a assistência médica é extremamente precária em ambos os lados da fronteira. Muitas comunidades yanomami não tem acesso algum à assistência médica.

- Os desafios na prestação de assistência médica emergencial são agravados pela geografia da região que é montanhosa com floresta densa - observa a Survival.

No mês passado, a Survival publicou um relatório (leia) destacando as ameaças especiais que a gripe suína apresenta para povos indígenas ao redor do mundo.

- A situação é crítica. Ambos os governos devem tomar medidas imediatas para deter a epidemia e precisam melhorar radicalmente os cuidados à saúde dos yanomami. Caso contrário, mais uma vez assistiremos centenas de yanomami morrendo de doenças tratáveis. Isso seria absolutamente devastador para essa tribo isolada, cuja população vem se recuperando recentemente de epidemias que dizimaram sua população há 20 anos - advertiu Stephen Corry, diretor da Survival.

Foto: Victor Englebert/Survival

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novembro 3, 2009

Justiça do Acre usa torpedo de celular para proferir sentença e expedir alvará de soltura

Altino Machado às 5:32 pm
Ednaldo

Edinaldo Muniz: "Procedimento simples agiliza o fim do processo"

O juiz Edinaldo Muniz, titular da Vara Criminal de Plácido de Castro (AC), usou um torpedo de celular para proferir uma sentença e expedir alvará de soltura.

No feriado da última sexta-feira, 30, o magistrado estava em Rio Branco, a capital do Acre, quando foi informado pelo cartório que um devedor de pensão alimentícia, preso desde 27 de outubro, havia quitado o débito referente ao processo.

O juiz postou imediatamente pelo celular a seguinte sentença ao cartório:

“Sentença: (…) Pago o debito, declaro extinta a execução. Esta, certificada, deverá servir de alvará em favor do executado. Sem custas e sem honorários. Publique-se. Registre-se. Intimem-se. Arquivem-se. Rio Branco/AC, 30 de outubro de 2009, às 14h24. Edinaldo Muniz dos Santos, Juiz de Direito.”

Leia mais:

Juiz realiza audiência por celular pela primeira vez na história do Acre

- Trata-se de um procedimento simples, que feito com segurança, agiliza o fim do processo - comentou Muniz.

O executado obteve sua imediata soltura, de modo simples e sem burocracia. O Judiciário do Acre vem se valendo dos mais variados meios tecnológicos para distribuir Justiça de modo célere.

Em agosto, pela primeira vez na história, um juiz realizou uma audiência judicial por meio de um telefone celular.

O juiz Cloves Augusto, titular da 4ª Vara Criminal da Comarca de Rio Branco, extinguiu em três minutos e três segundos um processo que poderia durar anos para ser julgado.

Foto: Divulgação

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Comissão Interamericana de Direitos Humanos realiza audiência sobre hidrelétricas na Amazônia

Altino Machado às 8:58 am
In�cio das obras de Santo Antônio, no Madeira, em novembro de 2008

Início das obras de Santo Antônio, no Madeira, em novembro de 2008

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) realizou nesta segunda-feira,  em Washington (EUA), uma audiência pública para tratar dos impactos a direitos humanos e meio ambiente, causados pelas grandes barragens na América Latina.

A audiência foi solicitada por mais de 40 organizações ambientalistas nacionais e internacionais, além de comunidades afetadas que apresentaram as conclusões do relatório “Grandes Barragens na América”.

Leia mais:

Especialistas questionam estudos e viabilidade da hidrelétrica de Belo Monte

As organizações puderam expor à CIDH a situação das comunidades afetadas pelos projetos da Iniciativa para Integração da Infraestrutura Sul-Americana (IIRSA). Dentre as obras da IIRSA, o complexo do rio Madeira, com a construção das usinas Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, tem se mostrado o mais emblemático, gerando sérios impactos e colocando em risco as populações tradicionais e os povos indígenas no Brasil, Bolívia e Peru.

Da comitiva que viajou para Washington participaram dois brasileiros, três bolivianos e dois  peruanos. Tiveram 45 minutos para manifestações e respostas às perguntas da comissão.

O líder indígena Almir Surui, de Rondônia, foi convidado por indicação da Amazon Watch. Ele expôs a questão dos índios isolados afetados pelas usinas Santo Antônio e Jirau.

Na agenda constou, ainda, algumas entrevistas coletivas com a mídia americana e a entrega de um documento denúncia sobre as usinas do Madeira. Clique aqui e veja animação do cenário tendencial do complexo do Madeira.

Espera-se que de posse do relatório a CIDH possa investigar a situação e recomendar observância de normas internacionais, de forma a evitar maiores danos ambientais e desrespeito aos direitos humanos.

As informações foram apresentadas por Gabriel Espinoza, representante das comunidades afetadas pela barragem El Zapotillo, no México, Rafael Gonzalez y Astrid Puentes, da AIDA, e Shannon Lawrence, da International Rivers.

O Aproveitamento Hidrelétrico de Belo Monte, no Rio Xingu, e as hidrelétricas do Rio Madeira, em Rondônia, estão entre os casos exemplares apresentados, para revelar como vêm sendo construídas as grandes barragens na América Latina.

No Rio Madeira as hidrelétricas já estão em construção e Belo Monte aguarda o deferimento da licença prévia para poder ser leiloado ainda este ano, apesar da grande resistência da sociedade civil afetada.

Estima-se que mais de um milhão de pessoas já foram afetadas por grandes barragens na América Latina, muitas delas indígenas e camponeses.

- Há mais de três centenas de grandes barragens propostas na região, que poderiam afetar negativamente a vida de centenas de milhares de pessoas e destruir ecossistemas estratégicos por não cumprirem as normas internacionais e as recomendações da Comissão Mundial de Barragens e normas de direitos humanos - disse o vice-presidente da AIDA, Rafael González.

Os impactos mais severos das grandes barragens são a destruição de ecossistemas, poluição de água doce, impactos no clima por emissões de gases do efeito estufa (GEE), a redução da biodiversidade, incluindo espécies de peixes migratórios, e o aumento do risco sísmico.

Os danos decorrem, entre outras causas, da falta de estudos de impacto ambiental integrais, ignorância das normas internacionais aplicáveis e pela falta de análise de outras alternativas viáveis.

As comunidades afetadas, em sua maioria indígenas, tribais e camponesas, denunciam a falta de consentimento prévio, livre e informado, assim como a existência de pressão e assédio quando são contrários aos projetos. Reclamam também da falta de informações claras e completas sobre as barragens, as medidas de mitigação, compensação e indenização dos danos.

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novembro 2, 2009

Paragominas (PA) sedia a 10ª edição dos Jogos dos Povos Indígenas

Altino Machado às 10:01 am
Crianças da etnia pataxó, da Bahia, brincam no Parque Ambiental de Paragominas (PA)

Crianças da etnia pataxó, da Bahia, brincam no Parque Ambiental de Paragominas (PA)

Até a sexta-feira, 7, o município de Paragominas (PA) será a sede da 10ª edição dos Jogos dos Povos Indígenas, que acontece no Parque Ambiental da cidade. Cerca de 10 mil paragominenses compareceram ao local para recepcionar mais de 1,3 mil indígenas de 33 etnias brasileiras que disputam em 10 modalidades.

O ritual do fogo marcou o início do evento. Um guerreiro indígena fez a volta olímpica na arena carregando o fogo sagrado nas mãos, intercalando com paradas no percurso, para acender diversas tochas distribuídas ao redor da arena.

- Aqui estão guerreiros de todas as tribos. O povo Xavante é conhecido como os indígenas praticantes da corrida de tora. Já a nação indígena Javaré detém grandes arqueiros do arco e flecha. O homem branco destrói a natureza. Os índios sabem o valor da lua, dos rios e da floresta - assinalou o diretor do Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena, Marcos Terena.

Atleta disputa a corrida da tora

Atleta disputa a corrida da tora

Na abertura, que aconteceu na sexta-feira, 31, a delegação da etnia assurini desfilou com a indiazinha Tuinauwa, de apenas um ano de idade. Nos braços do pai atleta, ela encabeçou a fila da delegação. Para retribuir a atitude de amizade e fraternidade dos assurini, todos os presentes repetiram em voz alta o nome da indiazinha e a aplaudiram.

A execução do Hino Nacional aconteceu em duas versões: português e terena, do grupo lingüístico tupi guarani. A cantora de Paragominas Raquel Oreali interpretou o hino em português e o guerreiro Arilson Terena, em sua língua indígena.

Houve ainda, apresentação de corrida de tora para mostrar a habilidade dos guerreiros Xavante. Dois locutores de Paragominas foram convidados a interagir com os povos. Eles tentaram carregar sozinhos, o mesmo equipamento esportivo utilizado na modalidade esportiva tradicional - a tora de buriti que pesa 120 quilos. Uma queima de fogos de artifício marcou o fim da cerimônia.

Paragominas é conhecida hoje como o município que mais combate o desmatamento no Pará, superando o número de 50 milhões de árvores nativas reflorestadas. Com o fim dos jogos, o Parque Ambiental de Paragominas será destinado às aulas práticas de educação ambiental.

Fotos: Raimundo Paccó

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novembro 1, 2009

O filho da cobra

Altino Machado às 8:19 am

POR JOSÉ RIBAMAR BESSA FREIRE

Parece até conto de fadas. Pelo menos, o início da história. Ele nasceu num castelo, na Itália, em 8 de dezembro de 1852. Era conde, jovem, rico, aventureiro, viajou para o Amazonas, onde viveu mais de 43 anos. Com recursos próprios, percorreu florestas, rios e igarapés, aprendeu a falar o nheengatu e se apaixonou pelas histórias que os índios contavam. Coletou e registrou mitos. No final, contraiu lepra. Com o corpo deformado pelas chagas, foi enxotado de hotéis, de pensões e até mesmo de hospitais. Morreu, solitário e pobre, na periferia de Manaus, num casebre improvisado em leprosário.

O conde Ermanno Stradelli foi enterrado no cemitério de Paricatuba, no dia 24 de março de 1926. Sua vida daria uma minissérie global. Aliás, já deu um belo documentário - “Il figlio del serpente incantato“, dirigido pelo jornalista italiano Andrea Palladino, que vasculhou os lugares da memória do Conde na Itália e no Amazonas, onde entrevistou muita gente boa, incluindo Narciso Lobo, homenageado na IV Mostra Amazônica do Filme Etnográfico, que encerrou ontem em Manaus.

- Já consegui editar 80% do documentário. Até dezembro a versão final deve estar pronta. Foi um filme muito difícil, não queria fazer algo apenas didático, mas usar o tempero da vida e da emoção - me conta Andrea Palladino. Ele mostrou a primeira versão, no ano passado, ao Narciso Lobo, que aprovou o estilo e adorou o que viu. A ele, Narciso, falecido recentemente, o documentário é dedicado.

Em busca do Conde

Quem começou a se interessar pela vida do conde Stradelli foi Câmara Cascudo, em 1930, quando viu três cadernos volumosos com milhares de verbetes escritos à mão. Era o dicionário Nheengatu-Português, Português-Nheengatu. Impressionado com a obra e com a vida trágica do autor, Cascudo decidiu correr atrás de mais dados.

Acontece que o Amazonas tem memória fraca, não cuida dela, apaga tudo, como um criminoso competente, que não deixa impressões digitais e nem qualquer vestígio daquilo que fez. Numa carta ao então governador do Amazonas, Álvaro Maia, Câmara Cascudo se queixa da cortina de silêncio e da inexistência de documentos. Sobre o seu biografado, ele encontrou apenas dois artigos mixurucas publicados, um no Diário Oficial do Amazonas, e outro em O Jornal de Manaus, além de breves notas em quatro livros.

- Quase nada se sabia dele. Morrera em 1926 e seu nome se diluíra na sombra, como uma inutilidade. Raras citações. Raríssimos informadores. Percentagem altíssima em erros, enganos, omissões - escreve Cascudo, que pesquisou a vida do Conde. Não encontrando documentos fidedignos, resolveu criá-los. Escreveu oitenta cartas a familiares e amigos de Stradelli: professores, jornalistas, viajantes, padres, bispos, embaixadores.

Muita gente respondeu com depoimentos, entre os quais o do padre jesuíta Alfonso Stradelli, o caçula, que lembra as cartas mensais enviadas pelo irmão mais velho à sua mãe, com notícias detalhadas das viagens pela Amazônia e histórias contadas pelos índios. Embora o arquivo particular da família não tivesse sido consultado, o material coletado permitiu traçar um perfil do personagem.

A infância de Stradelli no castelo de Borgotaro - residência senhorial da família, os estudos na Universidade de Pisa, os primeiros versos, o encantamento com os índios, as rotas e a cronologia das viagens pelos rios da Amazônia - tudo isso ganha contorno mais nítido no livro de Cascudo.

Concluída a biografia, seu autor convenceu o Governo do Estado do Amazonas a editá-la em 1936, com o sugestivo título - Em Memória de Stradelli. Esse livro teve o cuidado de revelar como é que o Conde fazia quando queria conhecer algum aspecto da vida da Amazônia: o trabalho de campo. Ele mergulhava na realidade e ia ver de perto, conversar com as pessoas, anotando e fotografando tudo.

Trabalho de campo

Décadas antes de Malinowski sistematizar suas reflexões sobre a observação participante, Stradelli intuiu que o pesquisador decidido a conhecer uma sociedade que lhe é estranha, devia partir do interior dela, impregnando-se da mentalidade de seus integrantes e esforçando-se para pensar na língua deles. Para entender um ritual onde rolava o caxiri, Stradelli deixou que os índios pintassem o seu corpo e dançou convictamente com eles na maloca de Miriti-Cachoeira, “bebendo repetidas cuias de capy entontecedor”.

Essa adaptação, completa e absorvente, à vida dos índios, lhe permitiu coletar rico material de pesquisa. Entrava nas aldeias com sua farmácia portátil, equipamentos topográficos, caixas para recolher material ornitológico e entomológico, máquinas fotográficas, microscópios e outros aparelhos que, inicialmente, assustavam os índios. Ele, então, levava cada um deles para ver os instrumentos, tocar neles e verificar como funcionavam. Dessa forma, o tuxaua Mandu descobriu que “a máquina fotográfica servia também para matar formigas”, quando viu os ácidos fixadores caídos em cima de um formigueiro agirem como um poderoso formicida.

Stradelli aprendeu as línguas indigenas e viveu com os tukano e tariana, observando e registrando suas tradições. Realizou em 1882 viagens com a Comissão Brasileira de Limites com a Venezuela e auxiliou o botânico Barbosa Rodrigues na organização do Museu Botânico de Manaus em 1883, acompanhando-o no primeiro contato pacífico realizado em 1884 com os waimiri-atroari, na época conhecidos como crichanás ou Jauaperis. Com eles, comeu paca moqueada, beiju, quinhapira e “molhou os lábios no molho estonteante das pimentas”.

O resultado foi a publicação de textos dispersos por jornais e revistas especializadas da Itália e do Brasil, um poema sobre Ajuricaba, um vocabulário em língua tukano, o dicionário clássico de nheengatu, mapas geográficos do Amazonas, e versões variadas de mitos indígenas. Stradelli revelou que Jurupari era um herói civilizador, criador dos usos, leis e preceitos transmitidos pela tradição oral, retirando dele a imagem do diabo criada por missionários.

Com o documentarista Andréa Paladdino, no ano passado, visitei o Colégio Romano, onde Stradelli deu palestras sobre o Amazonas em 1901. Consultamos ainda na Sociedade Geográfica Italiana, em Roma, escritos e fotos de autoria de Stradelli. Numa delas, com a legenda feita pelo Conde - Como se acende um fósforo - aparece Barbosa Rodrigues, vestido de paletó e gravata, no meio do mato, entre os índios waimiri. O filho da cobra encantada tinha muito humor. Esperamos que documentário sobre ele possa ser exibido na V Mostra Amazônica do Filme Etnográfico, no próximo ano, organizado pela Selda Valle.

O professor José Ribamar Bessa Freire coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO) e edita o site-blog Taqui Pra Ti .

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